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Você precisa de pausas

Nesses anos escrevendo e apresentando comédia uma das coisas mais importantes que aprendi é a função da pausa. Ao contrário do que possa parecer, a pausa não é somente a ausência de outra coisa. Na verdade, ela é um elemento próprio e fundamental para o ato. Não só no palco, como fora dele.

Toda apresentação tem um ritmo específico, guiado pela velocidade com que são ditas as piadas e o tempo que se gasta entre uma fala e outra. Esse tempo também determina o timing.

Uma das tarefas mais difíceis para um comediante é achar o timing ideal para sua apresentação, mas essa busca não é exclusiva da profissão. Quem não busca o ritmo certo para sua vida? Sentir que as coisas estão fluindo e acontecendo na velocidade adequada, no tempo perfeito.

Nós, humoristas, aprendemos que comédia é sempre por “tentativa e erro”. Não importa quanta experiência você tenha ou o quanto domine determinadas técnicas. No final das contas, a comédia é apenas mais um reflexo do real, portanto realmente imprevisível.

Não nos enganemos por um momento: não somos donos do tempo ou sequer temos qualquer domínio sobre ele. O mais sensato é buscar entendê-lo, conviver com ele da melhor maneira possível.

No palco, a pausa existe para o público absorver e entender o que já aconteceu e assim estar preparado para o que vai acontecer a seguir na apresentação. Ela acontece por exemplo, entre as partes de uma piada ou entre uma piada e outra.

O intervalo entres as apresentações também funciona assim. É o tempo necessário para o comediante refletir sobre seus erros e procurar acertar mais da próxima vez. Apenas com esta pausa é possível avaliar o que deve ser mudado para uma piada ou texto funcionar melhor. Em nossas vidas, nem sempre temos o privilégio de poder tentar algo de novo com uma abordagem diferente, daí a importância de valorizar essas oportunidades.

A pausa é o tempo que a gente precisa pra prestar atenção, pra aprender. Para finalmente notar de verdade certas coisas fundamentais que poderiam passar (e muitas vezes passam) despercebidas.

Só assim, a piada – ou a vida – pode fazer sentido e ter graça.

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