Home Colunas Orion Teixeira [Coluna do Orion] De belo monumento a hospital de Primeiro Mundo

[Coluna do Orion] De belo monumento a hospital de Primeiro Mundo

Do prefeito, funcionários ao usuário formou-se um consenso: não apenas por ser um belo monumento, mas pela vontade política, por sua gestão, alta tecnologia e profissionais vocacionados, o Hospital Metropolitano Dr. Célio de Castro (HMDCC), ou simplesmente, Hospital do Barreiro, em Belo Horizonte, virou serviço de Primeiro Mundo, ou como disse um de seus pacientes, “parece hospital particular”. E o mais importante é que é 100% financiado por recursos públicos, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

Localizado no bairro de mesmo nome, na região oeste da capital, é o primeiro do estado construído e gerenciado por meio da Parceria Público-Privada (PPP) numa área construída de 46 mil metros quadrados. Possui 13 andares e um heliponto, e funciona como um hospital geral de retaguarda para urgência e emergência em especialidades clínicas, cirúrgicas e acidente vascular cerebral (AVC), além de cirurgias eletivas e exames especializados. Será referência para atendimento de alta complexidade na rede SUS-BH e do Estado nas seguintes especialidades: clínica médica, ortopedia, cirurgia geral, cirurgia vascular, neurocirurgia, neurologia e urologia.

Sem a necessidade de recorrer a “tapa e pescoção”, como postou, com seu estilo desabrido, em rede social, o prefeito Alexandre Kalil (PHS) conseguiu, por meio de determinação e priorização, colocar ‘pra funcionar’, conforme seu slogan de campanha que virou institucional também, o Hospital do Barreiro com 100 % de sua capacidade.

Leitos de decisão clínica: segurança e qualidade no atendimento (Reprodução/Olavo Maneira)

O belo monumento criado pelo antecessor Marcio Lacerda (PSB), que o entregou funcionando com 20% de sua capacidade, foi suficiente para emocionar e entusiasmar Alexandre Kalil a exibir um grande feito em apenas um ano de governo, por meio de esforço adicional e foco numa área bastante sensível.

“Fazer monumento que não funciona é muito fácil, botar para funcionar é muito difícil e muito sacrificante. Parabéns ao povo de Belo Horizonte que teve, em seis meses, a capacidade do hospital dobrada, a de cirurgia triplicada, dobrada a capacidade de CTIs. É um marco que me emociona. Isso aqui não é enfeite para politicagem. Agora, é o monumento da saúde, que, através de muito sacrifício, vai ser colocado em funcionamento”, disse Kalil em 30 de agosto, quando inaugurou mais 100 leitos, dos quais 20 de CTI, 15 de AVC, 10 de decisão clínica, 25 cirúrgicos, 15 de hospital dia e l5 de clínica médica, além de quatro novas salas de cirurgias.

A vontade política aqui foi viabilizada pela economia com a máquina pública. “Fruto do nosso trabalho de redução de custos e otimização de nossa capacidade assistencial”, afirmou o secretário municipal de Saúde, Jackson Machado Pinto.

O lanterneiro Éber da Silva Abreu precisou de um dos novos leitos em agosto deste ano. Diabético, passou mal e ficou dois dias em uma Unidade de Pronto-Atendimento (UPA), esperando vaga em algum hospital. “Parece hospital particular, né!? Todo mundo que vem me visitar fala: você está no hospital particular? Não, eu disse, aqui é do SUS mesmo. Aqui tá bom, mas tem que melhorar em outros cantos”, observou Abreu.

Os CTIs do Hospital do Barreiro são altamente equipados (Divulgação/PBH)

A partir de agora, pacientes que estão esperando para fazer alguma cirurgia irão sofrer menos tempo na fila. “O mais importante para nós é conseguir aumentar o acesso da população a cirurgias, internações clínicas e exames dos quais ela precisa tanto”, afirmou a diretora-executiva do Hospital do Barreiro, Maria do Carmo, referindo-se à ampliação da capacidade de produção na cirurgia geral, na ortopedia e na urologia.

O mecânico Cristiano Antônio Barbosa também foi chamado para a realização de uma cirurgia há cerca de três meses. Ele rompeu o ligamento do polegar da mão esquerda e estava sem trabalhar, à espera de uma vaga. “A abertura desses leitos foi muito importante. Um excelente hospital. A estrutura é muito boa mesmo e o atendimento é ótimo”, comentou o mecânico.

Outro valor do hospital é a humanização, que pode ser confirmada na ambiência com todas as suas enfermarias com dois leitos, salas da família, ambiente de convívio entre usuários e acompanhantes. A visita ao CTI é ampliada e não tem horário marcado, prática comum de muitos hospitais. Das 11h às 20h30, o paciente internado pode receber visita.

O sistema de saúde atua no sentido de evitar internações e de encurtar, cada vez mais, a permanência de pacientes em hospitais. Ainda assim, segundo o mestre em saúde pública Francisco Campos Braga Neto e outros, no livro ‘Políticas e Sistema de Saúde no Brasil’, ao focar a importância social dos hospitais, “é nessas instituições que a maior parte das pessoas continua a nascer, a receber assistência em situações mais graves e também a morrer”.

As enfermarias possuem apenas dois leitos em ambiente de humanização (Reprodução/Olavo Maneira)

Tudo somado, Belo Horizonte vai ganhar, nas comemorações de seus 120 anos, um hospital moderno funcionando em sua plenitude. Dois dias após o aniversário da capital, no dia 14 de dezembro, o Hospital do Barreiro alcançará, oficialmente, os 100% de sua capacidade, com a abertura de mais 270 leitos, totalizando 460, dois anos após sua inauguração em 15 de dezembro de 2015.

Prevista para março do ano que vem, a ampliação foi antecipada pelo avanço na parceria firmada entre a Prefeitura de BH e os governos estadual e federal (sistema tripartite). Para funcionar plenamente, o hospital consumirá cerca de R$ 22 milhões, dos quais 50% são de responsabilidade do Governo federal; 25% do estadual e os 25% restantes da Prefeitura.

No último dia 7, o governo estadual, por meio de ato do secretário Sávio Souza Cruz, publicou resolução 5.991, destinando R$ 4.973.257,00 mensais em dezembro e em janeiro e, a partir de fevereiro de 2018, R$ 5.319.587,00, totalizando, anualmente, R$ 68,4 milhões até dezembro do ano que vem.

Estrutura

Além dos 460 leitos (220 leitos de clínica médica, 100 cirúrgicos, 80 de CTI, 35 de AVC, 10 de decisão clínica e 15 de hospital dia), o HMDCC terá 16 salas de cirurgia. Com isso, sua capacidade de atendimento mensal passará a ser de 2.000 internações, sendo cerca de 1.000 cirúrgicas, além de 3.400 consultas de pré e pós-operatório e 20.000 exames. Para se ter uma ideia do salto no atendimento, em julho de 2017, eram 113 cirurgias, 2.155 exames e 342 internações.

O hospital conta ainda com moderna e completa estrutura para exames de média e alta complexidade como tomografia, biópsia guiada por imagem, endoscopia, colonoscopia, gastrotomia, CPRE (colangiopancreatografia retrógrada endoscópica), ecocardiografia, raio X e ultrassonografia.  Em 2018, também serão oferecidos novos exames como arteriografia e ressonância nuclear magnética.

Todos os atendimentos são regulados pela Central de Internação, atendendo pacientes vindos das nove Unidades de Pronto-Atendimento (UPA) e sete hospitais públicos de Belo Horizonte, com prontos-socorros, além de outros municípios. Da mesma forma, a oferta de exames de imagens para pacientes externos é regulada pela Central de Marcação de Consultas e Exames da Secretaria Municipal de Saúde de BH.

Alta tecnologia

É o primeiro hospital da Rede SUS de Belo Horizonte a ter prontuário eletrônico totalmente sem papel. Além da sustentabilidade, essa tecnologia garante mais segurança ao paciente, como, por exemplo, a capacidade de o sistema cruzar informações. O médico é informado, – no momento da prescrição de um medicamento –, se a droga que ele está receitando interage com outro remédio já prescrito para o paciente. Se isso ocorrer, ele é alertado imediatamente que a medicação não terá o efeito desejado.

O transporte de medicamentos e insumos para o CTI é feito via sistema pneumático, que confere agilidade ao atendimento. O sistema funciona como um elevador propulsionado por ar comprimido e é capaz de entregar, em qualquer área assistencial da unidade, material para exames e medicação.

Toda essa capacitação tecnológica faz do HMDCC o único hospital 100% SUS de Belo Horizonte com a Certificação HIMSS Nível 6 (classificação elevada, segundo padrão internacional).

História

O Hospital Metropolitano Dr. Célio de Castro foi construído por iniciativa de prefeitura, a partir da necessidade de ampliação do acesso a serviços hospitalares em Belo Horizonte e região metropolitana.

Foi viabilizado e equipado através de parceria público-privada entre a Prefeitura de Belo Horizonte e a Sociedade de Propósito Específico (SPE) Novo Metropolitano S.A. A iniciativa é regida pela Lei 11.079 de 30 de dezembro de 2004, que institui normas gerais para licitação e contratação de parceria público-privada no âmbito da administração pública.

Para o funcionamento cotidiano do hospital, o HMDCC é responsável pelas atividades assistenciais e a SPE Novo Metropolitano S.A. realiza serviços de apoio não assistencial e manutenção pelo prazo de 20 anos.

O Hospital do Barreiro iniciou seu funcionamento em dezembro de 2015 com 47 leitos. A primeira expansão de leitos e serviços ocorreu em setembro de 2016, quando o Hospital atingiu 90 leitos em funcionamento. Em agosto de 2017, foram abertos mais 100 leitos e, em dezembro deste ano, alcança sua plena capacidade com 460 leitos.

Nota de Marcio Lacerda

Em nota enviada a este colunista, a assessoria de comunicação do ex-prefeito Marcio Lacerda informou que, ao final de 2016, o hospital foi entregue para a atual gestão com as obras concluídas, totalmente equipado e mobiliado, com serviço de hotelaria completo, com concurso realizado para médicos e demais profissionais, além de 90 leitos em funcionamento.

“O pleno funcionamento do hospital somente não ocorreu devido à falta de repasses de recursos dos governos federal e estadual. A Prefeitura fez a parte dela, e deu início ao funcionamento do hospital. Mas o governo estadual não entrou com recursos, e o federal somente passou a repassar verbas a partir de outubro de 2016, sendo RS 1,25 milhão mensal, bem abaixo do previsto”, concluiu a nota.

Atenção! Este colunista visitou o Hospital Metropolitano Dr. Célio de Castro para conhecer, pessoalmente, essa grandiosa obra de nossa capital e não ficar refém de discursos políticos. Parabéns à população de BH.

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Orion Teixeira

Orion Teixeira

*Jornalista político, Orion Teixeira recorre a sua experiência, que inclui seis eleições presidenciais, seis estaduais e seis eleições municipais, e à cobertura do dia a dia para contar o que pensam e fazem os políticos, como agem, por que e pra quem. É também autor do blog que leva seu nome (www.blogdoorion.com.br), comentarista político da TV Band Minas e da rádio Band News BH e apresentador do programa Pensamento Jurídico das TVs Justiça e Comunitária.

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