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Mara Telles é alvo de processo administrativo na UFMG após participar do BBB

A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) abriu um processo administrativo para apurar denúncias contra a cientista política Helcimara Souza Telles pela participação dela no reality show Big Brother Brasil (BBB) da TV Globo. Mara, que leciona há 13 anos na instituição, foi a primeira eliminada da 18ª  edição do programa, após passar apenas uma semana no confinamento.

A professora acredita que, apesar de as denúncias afirmarem que houve quebra de exclusividade, a motivação do processo teria cunho moral. Mara participou do programa enquanto estava de férias da UFMG e, segundo o advogado Lucas Tavares, que a representa, o contrato com a Globo foi de apenas cessão de uso de imagem e voz, e não contrato de trabalho, o que não configura quebra com a dedicação exclusiva. “Não há vedação legal. Ela não prestou um serviço à Globo e não foi remunerada por nada de natureza trabalhista”.

Tavares ainda destaca que “foram diversas reclamações de teor moral, julgando a postura de Mara no programa, mas que isso é julgamento pessoal e o aspecto moral não é levado em consideração agora que o processo foi aberto”.

Em uma de suas publicações no Facebook, a cientista política chegou a compartilhar trechos que ela afirma ser de denúncias contra ela na ouvidoria. “Sou professora universitária (…) e estou descredibilizada por meus alunos que estão questionando a seriedade dos professores universitários após a professora Mara Telles se exibir no ‘BBB’. O que dizer para os alunos após essa afronta?”, publicou a docente, o que seria parte de uma das denúncias.


No último domingo (3), Mara desabafou por meio de uma publicação em suas redes sociais. “Fui denunciada na Ouvidoria da UFMG por várias professores ditos de ‘esquerda’ por participar do BBB18. Alegam que é quebra da minha Dedicação Exclusiva, por ter recebido R$ 500 por minha participação e um valor ínfimo por cessão de Voz e Imagem durante seis meses para a Rede Globo, conforme contrato entregue à UFMG”, relata.

Reprodução/Facebook

Na postagem, Mara ainda lamenta a postura da universidade. “A UFMG não fez nada por mim, além de me condenar, me castigar, me punir, quando se sabe que mais da metade dos docentes não fazem metade do que eu faço e ganham uma grana babada por consultorias”, escreveu.

O Processo Administrativo Disciplinar pode resultar em multa, advertência, suspensão e, em casos gravíssimos, demissão do servidor público. Para Lucas Tavares, o processo é um equívoco, uma vez que Mara “está entre os docentes mais produtivos”. “Ela estava de férias durante a semana que esteve no programa e já voltou pegando pesado nas suas publicações e nas orientações de graduação, mestrado e doutorando. O histórico dela na universidade prova que trata-se de uma professora exemplar e isso é inquestionável”, finaliza o advogado.

Procurada pelo BHAZ, a assessoria da UFMG explicou que a ouvidoria da instituição recebeu denúncias sobre quebra de dedicação exclusiva da professora Mara Telles, por conta da participação dela no BBB. A UFMG diz ainda que as denúncias recebidas estão sendo apuradas e o processo ainda não foi encerrado.

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