Home NotíciasBHEm cima da hora, Polícia Militar impede ‘1ª Parada LGBT do Aglomerado da Serra’

Em cima da hora, Polícia Militar impede ‘1ª Parada LGBT do Aglomerado da Serra’

De Sinara Peixoto, Maria Eduarda Faria e Moisés Teodoro

A Polícia Militar embargou, no início da tarde deste sábado (7) a “I Parada LGBTQ+ do Aglomerado da Serra”. O evento estava previsto para ocorrer das 12h às 20h e já começava a reunir pessoas, quando os policiais argumentaram que, por falta de autorização, não seria possível a realização da parada.

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Embora os organizadores tenham apresentado documentos com liberações assinadas pela BHTrans e pelo Batalhão de Trânsito da própria PM, o tenente Antônio Vieira, que comandou a intervenção na comunidade, disse ao BHAZ que a manifestação não poderia ser realizada. “O Batalhão de Trânsito autorizou, o da Serra, não”, concluiu.

No local, a advogada, professora de direito e assessora jurídica do Observatório das Quebradas Maíra Neiva Gomes lamentou a proibição e cravou: “Mais uma vez, é a demonstração de que existe uma segregação racial no brasil e ela é institucional e estrutural”, disse.

Maira Neiva, Advogada, Professora de Direito e Assessora Jurídica do Observatório das Quebradas (Moisés Santos/BHAZ)

“Foi embargado, sem negociação, embora a gente tenha feita o pedido, como determina a Constituição Federal, para realizar a reunião, desde seja pacífica e que não haja veículo parado”, afirma a advogada.

E finaliza: “as autoridades interpretam como se os sujeitos de favela não fossem cidadãos no Brasil. Como se não fossem seres humanos, pessoas, portanto não são portadores de direitos”, conclui Maíra.

A terapeuta Isabel Lima aguardava o início do evento, quando foi surpreendida pelo veto. “Eu vim para apoiar o movimento. Estou surpresa com essa repressão policial. Não há uma justificativa, essas pessoas podem se manifestar com liberdade, já é um direito adquirido” afirmou.

Isabel Lima, Terapeuta (Moisés Santos/BHAZ)

Jonathan Monteiro, estudante e morador do aglomerado, lamenta, mas diz que o ocorrido não é uma surpresa. “Reflete tudo o que a gente vem passando na atual conjuntura do nosso país, com ações do nosso próprio presidente da República cerceando os direitos LGBTQ+ no Brasil”. E declara: “Nós, da periferia, não temos direito ao lazer, à cultura e, quando tentamos trazer esse acesso, a gente tem como resposta do braço armado do estado, que é a Polícia Militar, a proibição de realizar uma expressão cultural”, finaliza.

Jonathan Monteiro, Estudante (Moisés Santos/BHAZ)

Organizadores e pessoas que foram ao evento seguiram para a Associação de Moradores do Cafezal, na rua Bela Vista, 56, onde pretendem se reunir com música e outras manifestações artísticas, como meio de resistência ao que consideram uma forma de repressão por parte da PM.

O evento

A ‘I Parada LGBTQI+ do Aglomerado da Serra’, seria realizada das 12h às 20 deste sábado (7), tendo como homenageada a dançarina de funk Lacraia. Artistas de vários estilos se apresentariam ao longo do dia em um trio elétrico.

Os coletivos @bsurdaBaile Funk da Serra e Observatório das Quebradas também participariam do evento, com o objetivo de “manifestar o amor e o respeito dentro do próprio aglomerado”, que é marcado por diversos fatores excludentes.

O ponto de partida seria a praça Central, Cardoso, e ponto final, a praça do Cafezal.

Segundo os organizadores, o evento havia sido licenciado pelo Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, e liberação do Batalhão de Trânsito e da BHTrans.

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