Home NotíciasEsportesMascote do Atlético tem atitude machista em apresentação de jogadoras, e é criticado: ‘Dá uma voltinha’

Mascote do Atlético tem atitude machista em apresentação de jogadoras, e é criticado: ‘Dá uma voltinha’

O mascote do Atlético protagonizou uma cena lamentável antes da partida contra a Caldense, nesse domingo (16), pelo Campeonato Mineiro. Ao apresentar a zagueira Vitória Calhau, do time feminino, o Galo Doido fez a atleta dar uma “voltinha” para olhá-la e ainda esfregou as mãos, em uma atitude machista. Nas redes sociais, torcedores condenaram a atitude do mascote. O Atlético afastou o funcionário e lamentou o ocorrido.

A cena aconteceu antes da partida realizada no Mineirão. O jogador Diego Tardelli e as atletas do time feminino estavam sendo apresentadas para o público. No momento em que o mascote chegou perto da zagueira alvinegra Vitória Calhau, ele cometeu o ato. As outras jogadoras e Tardelli aparecem rindo, porém eles estavam perceptivelmente incomodados com o momento constrangedor.

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A namorada da jogadora, Lorraynne Macedo, lamentou a situação vivida pela companheira. “A reação dele esfregando as mãos e passando a mão na boca me dá nojo, já me incomodaria sendo uma pessoa que não conheço, mas me incomoda mais ainda sendo minha namorada. São atletas profissionais, estão ali pela profissão, serem reconhecidas como jogadoras, e não por corpo ou beleza!”.

O apresentador André Rizek, do SporTV, mostrou a cena após o jogo e definiu o momento como “uma vergonha”. “O mascote adotou algo que é tudo o que uma jogadora não quer. É o ‘dar uma voltinha’, o ‘vem cá’. Sério, que cena, que vergonha alheia. Que vergonha. Tudo o que uma mulher não quer hoje tem nessa cena”, começou o jornalista.

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“A mulher quer ser reconhecida por ser uma boa jogadora e não por ser bonita ou ter uma curva assim ou assado. O Galo já tinha colocado as jogadoras como gandulas, o que foi infeliz. Foi uma péssima decisão. Falta de noção total”, finalizou o apresentador.

Por meio de nota, o Atlético repudiou o ocorrido e disse que afastou o funcionário. “Pedimos desculpas à atleta, às demais jogadoras e a todas as torcedoras e torcedores pelo lamentável ato”.

Repercussão

Nas redes sociais, o comentário do jornalista foi endossado por torcedores do Atlético e de outros times. “Não interessa o babaca que tem ali dentro da roupa. Uma vez Galo Doido, o cara se institucionaliza. Não relativizem, não diminuam. Ele está ali pra ser uma figura do clube e foi completamente desrespeitoso”, reforçou a jornalista Isabelly Morais

Outras polêmicas

No início de 2016, o Atlético fez o lançamento do uniforme de jogo. Durante o desfile, algumas modelos desfilaram de trajes de banho, enquanto os homens, desfilavam de camisa e bermuda. A polêmica foi grande na época, com muita repercussão negativa para o clube.

Bruno Cantini/Clube Atlético Mineiro/Divulgação

Na vitória por 5 a 0 contra o Tupynambás, também pelo Campeonato Mineiro, seis jogadoras do time feminino do Galo trabalharam como gandulas. Nas redes sociais, mais uma vez, as pessoas se mostraram inconformadas com a situação, e debateram sobre igualdade.

Na data, a jornalista Renata Mendonça iniciou uma discussão durante o programa Redação SporTV. “Não estamos falando que as jogadoras devem ganhar o mesmo que os jogadores. Nesse momento não dá para falar nesse tipo de igualdade, são mercados diferentes. Mas a desigualdade tem que ser tanta a ponto de a jogadora trabalhar como gandula porque precisa dos R$ 90 que são pagos? Isso lança uma discussão sobre realidade. É plausível uma diferença desse tamanho?”, questionou.

Vitor Fernandes

Vitor Fernandes

Repórter do BHAZ desde fevereiro de 2017. Jornalista graduado pela PUC Minas, com experiência em redações de veículos de comunicação. Trabalhou na gestão de redes do interior da Rede Minas e na parte esportiva da UOL.

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