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UFMG descarta cancelar semestre mesmo após mais de 2 meses de aulas suspensas e assusta estudantes

ufmg descarta cancelar semestre

Com UFMG

Após dois meses de incertezas com as aulas suspensas, o estudante da UFMG recebeu, enfim, alguma definição – mesmo que cercada de novas dúvidas – nesta quarta-feira (20): este semestre não será cancelado. A reitora da universidade mineira, Sandra Goulart Almeida, descartou essa possibilidade, mas não explicou como todo esse período com as atividades suspensas será recuperado.

“No momento, não é possível prever datas para o retorno de atividades presenciais, mas o Cepe (Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão) avaliou que é fundamental que a reflexão sobre as atividades acadêmicas e o planejamento de retomada, que exigirá uma construção conjunta, seja iniciada em amplo diálogo com a comunidade acadêmica e com os órgãos colegiados, com base nos critérios de qualidade e inclusão que sempre balizaram as ações da UFMG”, afirma a reitora Sandra Goulart Almeida, presidente do órgão.

As pró-reitorias acadêmicas e as câmaras do Cepe iniciaram essas discussões para adotar medidas de curto, médio e longo prazo justamente para definir como as atividades serão retomadas. O movimento cumpre deliberação feita na última reunião do Cepe, realizada por videoconferência na quinta-feira (14).

De acordo com a reitora, o retorno das atividades presenciais se dará “de forma planejada, organizada e coletiva”, segundo as diretrizes do próprio Cepe, a quem também caberá rever o calendário acadêmico de 2020 quando for recomendado pelas autoridades sanitárias. “O semestre não será cancelado”, sublinha Sandra Goulart Almeida.

Ela informa, ainda, que o comitê da UFMG de enfrentamento ao novo coronavírus também está trabalhando no estabelecimento de protocolos sanitários gerais que deverão ser discutidos pelas unidades e ambientes administrativos e acadêmicos (leia mais abaixo).

Revolta

Entre os alunos da universidade, a decisão de não adiar o semestre depois dos dois meses de aulas suspensas gerou revolta. Nas redes sociais, muitos comentaram que foi muito tempo perdido para tentar recuperar o período letivo agora. “UFMG soltou nota afirmando que não irão cancelar o semestre. Quase três meses em casa sem aula, como vão ajustar isso?”, questionou uma estudante.

Um segundo aluno comentou que também é tarde para aderir ao regime letivo remoto adotado pelas faculdades particulares. “Lançar um EAD vai ser tenso, ainda mais nessa altura do campeonato”, comentou, enquanto vários outros reclamavam de precisar correr atrás dos meses de aulas suspensas no pouco tempo que falta para o fim do semestre.

Muitos também reclamaram da falta de esclarecimentos da faculdade, que ainda não explicou como exatamente o semestre será recuperado ou estipulou datas. “UFMG virou esfinge, lançou enigmas e saiu correndo”, comentou uma aluna. “UFMG não satisfeita em lançar as aulas em EAD decidiu também lançar uma reposição de calendário acadêmico em EAD”, disse uma segunda.

Acesso à internet

A retomada certamente se dará em bases diferentes das que vigoravam antes da pandemia – o chamado “novo normal” –, e um dos aspectos que emergirá nessa nova configuração é a possível ampliação das atividades a distância.

Isso, no entanto, também será feito com muita parcimônia e diálogo com a comunidade e com os órgãos colegiados. “Além dos dados que a UFMG já levantou, haverá uma consulta à comunidade discente sobre as condições de acesso à internet e possibilidade de participação remota em atividades não presenciais”, diz a reitora Sandra Goulart.

A Diretoria de Tecnologia da Informação (DTI) tem trabalhado para aumentar a capacidade de acesso à internet pelos integrantes da comunidade, assim como de processamento dos sistemas Siga e Moodle por meio de investimento em infraestrutura.

“A UFMG também encaminhou à Secretaria de Educação Superior do MEC solicitação de recursos adicionais de capital para fazer frente às necessidades de melhoria de infraestrutura de Tecnologia da Informação em nossos campi”, informa a reitora.

Consultas

As primeiras orientações sobre esse planejamento constam de ofícios encaminhados pelas pró-reitorias a diferentes setores acadêmicos da UFMG. Por meio desses comunicados, a Administração Central busca se informar sobre a capacidade de oferta de atividades a distância (no caso da graduação, pós-graduação e extensão) e a infraestrutura de pesquisa (unidades). Esses setores terão até 1º de junho para responder às solicitações.

Em seu comunicado, a Pró-reitoria de Graduação faz uma detalhada consulta aos colegiados de graduação para identificar, por exemplo, a capacidade de oferta de atividades acadêmicas a distância e de acesso e domínio, pelos docentes e discentes, de ferramentas computacionais e práticas pedagógicas que se valem de tecnologias digitais.

Orientações semelhantes foram transmitidas pela Pró-reitoria de Pós-graduação, que solicitou aos colegiados dos programas de pós-graduação e cursos de especialização que encaminhem uma análise sobre as atividades que poderiam ser oferecidas a distância neste ano e quais só poderiam ser ministradas presencialmente.

A pró-reitoria de Extensão, por sua vez, recomenda que coordenadores e conselheiros dos centros de extensão reflitam sobre as especificidades de suas unidades, informando atividades passíveis de serem realizadas remotamente, considerando a acessibilidade e a anuência das pessoas envolvidas. Uma primeira avaliação nesse sentido será feita nesta quinta-feira, 21, em reunião entre a Pró-reitoria com os coordenadores dos centros de extensão.

Por fim, a pró-reitoria de Pesquisa pede que seja feito um levantamento sobre as especificidades de pesquisa, como infraestruturas dos espaços e laboratórios, rotinas, ocupação física (densidade), número de laboratórios e necessidades especiais de biossegurança. Essas informações vão subsidiar a elaboração de protocolos para o exercício de atividades presenciais nesses ambientes.

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