Lilia Schwarcz diz que Beyoncé ‘glamoriza negritude’ e web reage

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Texto fazia críticas ao novo projeto da cantora (Reprodução/Instagram)

Uma coluna da Folha de S. Paulo virou motivo de polêmica nas redes sociais esta semana: desta vez, foi uma crítica ao Black is King, novo álbum visual da cantora Beyoncé, que não agradou muita gente e dividiu opiniões na web. O texto foi escrito por Lilia Schwarcz, antropóloga, historiadora e professora da USP (Universidade de São Paulo), e alguns trechos incomodaram até mesmo celebridades brasileiras.

Na coluna, Lilia diz que o erro de Beyoncé é “glamorizar a negritude” e que a cantora “precisa aprender que a luta antirracista não se faz só com pompa, artifício hollywoodiano, brilho e cristal”. “Nesse contexto politizado e racializado do ‘Black Lives Matter’ e de movimentos como o ‘Decolonize This Place’, duvido que jovens se reconheçam no lado didático dessa história de retorno a um mundo encantado e glamorizado, com muito figurino de oncinha”, diz um trecho.

O novo trabalho de Beyoncé, classificado por muitos como “afrofuturista”, foi lançado na última sexta-feira (31) e procura exaltar a cultura negra a partir de uma releitura da história d’O Rei Leão. No entanto, apesar de alguns elogios, a colunista pontua no texto que os esforços não foram suficientes e pontua: “Quem sabe seja hora de Beyoncé sair um pouco da sua sala de jantar”.

‘Nos deixe em paz’

Não demorou para o texto repercutir entre os fãs da cantora estadunidense e virar pauta de discussões nas redes sociais. A cantora Iza foi uma das que se posicionaram contra a antropóloga. “Eu preciso entender que privilégio é esse que te faz pensar que você tem alguma autoridade para ensinar uma mulher negra como ela deve ou não falar sobre seu povo. Se eu fosse você estaria com vergonha agora”, disse a cantora, que ainda finalizou: “Melhore”.

O ator e cantor Ícaro Silva – que, assim como Iza, também é conhecido por levantar publicamente a bandeira da representatividade da população negra e da luta antirracista, também rebateu. “Nos deixe em paz. Nenhuma obra nossa estará sequer perto de sua reduzida compreensão”, disse.

Após a enxurrada de críticas, Lilia – que, em 2006, chegou a assinar um manifesto contra cotas raciais e a favor de “direitos iguais” – tentou se explicar. “Gostaria de esclarecer que gostei demais do trabalho da Beyoncé. Penso que faz parte da democracia discordar”, disse. Mas o esclarecimento não convenceu muito e as críticas, que se estenderam pelo fim de semana, continuam sendo frequentes e incisivas, chegando a deixar o nome de Lilia entre os assuntos mais comentados do Twitter nesta segunda.

Giovanna Fávero
Giovanna Fáverogiovanna.favero@bhaz.com.br

Estudante de Jornalismo na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG). Escreve com foco na área de Guia e Cultura no BHAZ.