Motoboy viraliza no Twitter com guia do bom cliente

Matheus Fillipe fez vídeo com as “coisas que os clientes falam que deixam os motoboys completamente derretidos” (Reprodução/Instagram)

Simples gestos de educação como um “boa noite” ou um “bom dia” podem fazer toda diferença no dia de entregadores de aplicativo. Pelo menos é o que garante o motoboy Matheus Fillipe, de Uberlândia, no Triângulo Mineiro. Ele é autor de um vídeo que viralizou no Twitter com as “coisas que os clientes falam que deixam os motoboys completamente derretidos”.

Na gravação, que já acumula 64 mil curtidas e 12 mil compartilhamentos, “Motonego Fantasma” cita os cumprimentos, o gesto da pessoa descer as escadas para buscar as entregas, além das gorjetas como as alegrias de um entregador. “Ah, cara… Quando você fala que vai dar R$ 20 de gorjeta, você incentiva aquele motoboy todo dia a fazer entrega, a chegar na sua casa e estar sempre com a comida quente”, diz.

Ao BHAZ, Matheus, que tem 26 anos, conta que, embora um “bom dia” ou um “boa noite”, sejam gestos simples, deixam o dia dos trabalhadores mais colorido. “Fazem, sim, um dia de entrega ser melhor que o outro. Eu chego e cumprimento, pergunto como foi o dia. Eu escolhi ser motoboy, e também faço porque preciso. Então não tem porquê eu fazer o trabalho com má vontade”, conta. “Mas tem gente que sequer dá um boa noite e ainda quer que a gente praticamente coloque a comida na mesa”, acrescenta.

Repercussão do vídeo

Quanto ao vídeo, ele diz que ficou “surpreso com toda repercussão”. Matheus trabalha com entregas há pelo menos 4 anos, e há um ano tem um perfil no Instagram [@motonegofantasma] onde compartilha conteúdos sobre a rotina de um entregador. “Eu conto sobre o nosso dia a dia, o lado que ninguém vê. Busco tirar tudo de ruim e mostrar de uma forma boa, engraçada”, explica.

Desafios e grosserias

Matheus conta que os desafios da profissão são muitos. “Sou pai, minha esposa está grávida do segundo filho, e hoje, eu tenho as entregas como minha única fonte de renda”, revela. Apesar de gostar da profissão, o jovem diz que a realidade de um entregador é não saber se vai voltar para casa vivo após o trabalho. “As pessoas não se respeitam no trânsito, não dão seta, avançam em cima da gente e nos colocam em risco”, explica.

Além dos perigos do trânsito e o risco de contaminação pela Covid-19, muitos profissionais têm que enfrentar a estupidez de alguns clientes. Nessa semana, viralizou um vídeo em que um entregador de 19 anos é humilhado por um morador de um condomínio de luxo em Valinhos, no interior de São Paulo.

O “Motonego Fantasma” explica que, felizmente, não passou por nada semelhante. “Fora essas coisas simples de cumprimento e algumas reclamações de demora, graças à Deus eu não passei por nenhuma situação grave como aquele motoboy”, revela.

“Mas acontece de o pedido ir errado ou atrasar, não por nossa causa, e as pessoas querem descontar toda a grosseria em nós”, conta. “Às vezes, as pessoas têm uma visão de que nós [motoboys] somos inferiores e querem nos rebaixar. Eu não entendo essa discriminação. Quando surgiu o Covid-19, o mundo ficou praticamente nas costas dos motoboys”, pondera Matheus.

Apelo

Matheus finaliza com um apelo. “Queria dizer para todos os motoristas que abram o corredor, que deem um pouco mais de carinho para os motoboys. A gente tá no dia a dia levando o alimento para os clientes. Nós somos trabalhadores, a nossa alegria é fazer com que os clientes fiquem de barriga cheia. E um ‘bom dia’ e ‘boa noite’ faz, sim, um dia de entrega ser melhor que o outro”, finaliza.

Moisés Teodoro
Moisés Teodoromoises.santos@bhaz.com.br

Fotógrafo e Analista de Mídias Digitais no BHAZ desde abril de 2019. Formado em Publicidade e Propaganda no Centro Universitário UNA. Escreve no portal com foco nas editorias de Cidades e Variedades, além de fotografar em coberturas de grandes eventos.