Secretaria de Saúde diz que não há previsão de lockdown em Minas

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Secretário adjunto de Saúde garantiu que tudo está ‘bem monitorado’ e descartou isolamento mais severo (Moisés Teodoro/BHAZ)

O secretário adjunto de Saúde de Minas Gerais, Marcelo Cabral, descartou a possibilidade de lockdown – uma versão mais intensa do isolamento social -no estado ao longo das próximas semanas. Em entrevista coletiva concedida junto com o governador Romeu Zema (Novo) nesta segunda (10), o secretário explicou que a equipe de saúde tem feito um monitoramento constante do avanço da Covid-19 e que, por enquanto, não há necessidade de uma medida mais severa.

“Não há previsão de lockdown. A Secretaria de Saúde e o governo se prepararam desde o começo, mencionamos o que fizemos no planejamento e temos tudo bem monitorado em relação ao que se refere à pandemia”, afirmou Marcelo Cabral, que ainda tranquilizou moradores de todos os pontos do estado: “Não tem indicativo de lockdown em nenhuma região de Minas Gerais”.

De acordo com o boletim epidemiológico divulgado hoje pela SES-MG (Sceretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais), Minas contabiliza 155.075 casos confirmados de Covid-19 e 3.597 óbitos causados pela doença. Desses números, 1.148 novos casos e 60 mortes foram registrados apenas nas últimas 24 horas.

Afinal, o que é lockdown?

À medida em que a Covid-19 avança nos estados brasileiros, cresce também o uso de termos que muitos cidadãos, mesmo já acostumados a ouvir, ainda não entendem bem o que significa. Em junho, o BHAZ conversou com especialistas para entender o que é o lockdown e se ele de fato é uma possibilidade no cenário de Minas Gerais (veja aqui).

À época, o médico sanitarista e ex-Ministro da Saúde (2014-2015), Arthur Chioro, explicou que o lockdown seria uma graduação mais intensiva do processo de isolamento: “É quando você toma, dada a gravidade da situação por alguma doença fora de controle, uma medida rígida para buscar o maior grau de isolamento social possível. Dessa forma, somente os serviços essenciais são preservados. Todo o resto é fechado, e restringe-se também a circulação de pessoas”.

O especialista ainda explicou que o lockdown dura, geralmente, um mês. “É preciso que as pessoas fiquem em casa por um período suficiente para se interromper a cadeia de transmissão”. O infectologista Leandro Curi também pontuou que, em menos de um mês, o isolamento mais rígido não atinge a eficácia necessária, já que, desde o diagnóstico, a pessoa passa por um período de incubação de 2 a 14 dias e depois pode transmitir por mais 14.

Ainda em junho, os dois especialistas avaliaram que um lockdown em algumas regiões de Minas seria questão de tempo. “Do jeito que tudo está caminhando, com piora da lotação de UTIs, ausência de profissionais da Saúde em alguns municípios, eu diria que estamos próximos ao lockdown em Minas, é questão de tempo. Não tenho visto mais as pessoas respeitarem a magnitude dessa pandemia, estão menosprezando a doença”, explica Leandro.

Giovanna Fávero
Giovanna Fáverogiovanna.favero@bhaz.com.br

Estudante de Jornalismo na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG). Escreve com foco na área de Guia e Cultura no BHAZ.