Pub dedicado à cultura negra pede ajuda para manter as portas abertas

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Espaço foi inaugurado há menos de um ano e é um dos inúmeros afetados pela pandemia (Divulgação/Back to Black + Amanda Dias/BHAZ)

“A gente não é só um pub. Tem todo um contexto, um lugar, uma ideologia… É uma casa que foi criada pra exaltar a cultura negra”. É assim que Warley Barros, um dos sócios do Back to Black Afro Pub, descreve o espaço que ele inaugurou junto com dois sócios no fim de 2019 e que hoje luta para manter de portas abertas. O estabelecimento é mais um dos negócios que foram diretamente impactados pela pandemia e agora conta com a contribuição do público em uma vaquinha online para sobreviver (ajude aqui).

O espaço abriu as portas pela primeira vez em setembro de 2019, com a proposta de ser um espaço dedicado a valorizar a cultura negra. “A Back to Black partiu do sonho de que o negro tenha um espaço onde ele não sinta olhares de que ele não pertence àquele lugar. Nasceu do sonho de ter um lugar onde a gente possa ser tratado como a gente merece”, conta Warley ao BHAZ.

Em poucos meses, o espaço, que fica no bairro Floresta, na região Leste de BH, conseguiu não só atingir o objetivo inicial, mas se tornar uma referência na proposta. “Antes do carnaval, três fins de semana antes da pandemia eu estava recebendo de 800 a mil pessoas por final de semana. Eu cheguei a ter picos de 1200 pessoas em dias de eventos”, lembra o fundador do negócio.

‘Prejuízo de 125%’

Mas infelizmente, a realidade dos três empreendedores mudou drasticamente e agora o espaço quase soma mais tempo enfrentando dificuldades do que colhendo os frutos do esforço. Com funcionários no grupo de risco e em respeito aos clientes, o Back to Black fechou as portas poucos dias antes do primeiro decreto de suspensão das atividades do comércio e até hoje não voltou integralmente.

“Nós ficamos três meses parados absolutamente, porque, a princípio, a gente imaginava que ia passar mais rápido. Aí foi se alongando esse tempo, com aluguel vencendo, fornecedores sem pagamento, funcionários, contas e coisas pessoais dos três sócios e aí a gente viu a necessidade de colocar o delivery”.

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No bairro Floresta, pub recebia centenas de pessoas todos os fins de semana
(Amanda Dias/BHAZ)

Contudo, trabalhar com o esquema de entrega não tem sido suficiente para manter as contas, já que o principal lucro do espaço nunca foi com alimentos, mas sim com bebidas: “Eu não tive uma queda de 90%, eu tive uma queda de 125%. Eu comecei a ter prejuízo mesmo, as coisas não se pagam sozinhas. Eu paguei três meses de salário pra funcionário sem eles trabalharem e sem nenhum incentivo do governo”.

Agora, com a situação ainda mais grave em razão do tempo que se passou, Warley e os sócios precisaram dispensar os funcionários e já começaram a “correr por fora”, buscando alternativas para a manutenção do pub que não dependam diretamente das vendas do estabelecimento.

‘Black money’

Foi daí que surgiu a ideia de criar uma vaquinha online e pedir ajuda do público para manter o espaço, que representa muito para muita gente. O valor definido como meta do financiamento coletivo inclui as dívidas dos últimos meses e uma quantia que seja suficiente para manter a casa, que, além de apenas um bar, é um espaço que se dedica por inteiro a popularizar o trabalho de artistas e empreendedores negros.

“A gente tem atrações culturais, festas… A gente exalta o empoderamento negro e é referência como um lugar onde o negro esteja em evidência. Nós temos, espalhados nas paredes, quase todos os artistas e personalidades negras de relevância e não é só pra ostentar, é pra inserir na cultura negra, porque muita gente não conhece. Eu tenho um ponto que é o espaço do artista: é uma moldura que eu mandei fazer na parede e o artista que quiser vai colocar a arte dele lá e deixar por um mês. A ideia é realmente fomentar o black money e exaltar a cultura negra”, explica Warley.

Todas essas inciativas foram afetadas pelo avanço do coronavírus e vão precisar se readaptar à nova realidade. De centenas de pessoas por final de semana, quando tiver autorização para reabrir, o espaço só vai conseguir receber 34 de cada vez.

Mesmo com esses futuros desafios em mente, agora a única esperança do dono é que o pub consiga sobreviver até o dia em que elas poderão ser retomadas: “Nós ficamos com três meses de dívidas, então decidimos fazer essa campanha para pagar aluguel, pagar parte das dívidas e comprar insumos pra tentar sobreviver até passar a pandemia… Se não, a gente vai ter que fechar”.

Como ajudar?

Quem quiser contribuir com a manutenção do Back to Black Afro Pub pode fazer uma doação pelo site da vaquinha (acesse aqui). Também é possível fortalecer o negócio consumindo: o cardápio de lanches do pub está disponível nos principais aplicativos de delivery.

Giovanna Fávero
Giovanna Fáverogiovanna.favero@bhaz.com.br

Estudante de Jornalismo na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG). Escreve com foco na área de Guia e Cultura no BHAZ.