Homem mata ex, se joga na frente de caminhão e deixa filhos órfãos

Mariane Ribeiro Correa
Mariane foi assassinada pelo ex (Arquivo pessoal/Mariane Correa)

Mais um feminicídio é registrado em Minas Gerais: nem mesmo uma medida protetiva foi capaz de evitar o crime, que deixou dois filhos órfãos. Um homem de 24 anos assassinou a ex-companheira, de 22, e depois se matou ao pular na frente de um caminhão na BR-116, em Além Paraíba, município com 35 mil habitantes da Zona da Mata mineira. O caso ocorreu nessa segunda-feira (21).

O enredo do crime, ocorrido em plena luz do dia, é conhecido: após um relacionamento longo – de cerca de nove anos -, o rapaz não aceitou o término. Igor Ferreira Tacio e Mariane Ribeiro Correa possuíam dois filhos, de 2 e 4 anos, e encerraram a união há aproximadamente um mês. Violento, o homem já havia agredido e ameaçado a ex de morte – e, por isso, era proibido pela Justiça de se aproximar de Mariane.

No entanto, segundo testemunhas informaram às autoridades, eram constantes as idas de Igor à residência de Mariane para ver os filhos pelo portão. Ontem, por volta das 10h, ele invadiu a casa dela. E a assassinou com ao menos cinco facadas – o corpo da jovem de 22 anos foi encontrado com cinco perfurações no tórax e a arma branca com cerca de 20 cm de lâmina ao lado.

Órfãos

Vizinhos contaram à Polícia Militar que flagraram quando Igor pulou o muro da residência de Mariane e seguiu em direção à BR-116. Ele pulou na frente de um caminhão e colocou fim, também, à vida dele. Os militares desconfiam que ele já tinha tentando se matar momentos antes, já que o pescoço dele apresentava ferimentos e foi encontrada uma forca no quintal da casa de Mariane.

O crime deixa órfãos os dois filhos – que estavam na casa da avó paterna no momento do assassinato. Mariane tinha dois trabalhos para sustentar a casa e as crianças: em um restaurante e como manicure. No início de agosto, foi constrangida por Igor no trabalho, que chegou ao restaurante gritando que a mataria caso ela não reatasse o relacionamento. Aos PMs, à época, relatou que temia perder o emprego por causa do episódio.

Dor

No perfil da vítima em uma rede social, amigos e familiares lamentaram e se revoltaram com a morte trágica da jovem. “Você era incrível, Mariane, vai deixar muitas saudades sim… Que o senhor de forças pra sua mãe. E seus filhos”, disse um dos comentários.

“Difícil acreditar!!! Como o ser humano tem tanta maldade no coração meus sentimentos a todos os familiares”, comentou outra pessoa.

Denuncie!

Especialistas ouvidas pelo BHAZ são unânimes ao afirmar que é essencial que a mulher procure ajuda quando sofre algum tipo de violência. Na capital mineira, além da Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher, existem ao menos outras três instituições que atendem esse público: Nudem (Núcleo de Defesa da Mulher), da Defensoria Pública; Casa Benvinda, da Prefeitura de Belo Horizonte; e Casa de Referência Tina Martins, do chamado terceiro setor, sem vínculo governamental (veja mais informações abaixo).

“É muito importante que a vítima procure o profissional de sua confiança: advogado ou defensoria pública, órgãos de proteção… Para que aquilo não exploda de vez. Vai sofrendo, vai sofrendo ameaça, pressão psicológica, são agredidas moral e psicologicamente dentro de casa. Vai aguentando por causa dos filhos… Na hora que algo explode, pode até mesmo ser fatal”, orienta a conselheira seccional da OAB Minas, Camila Félix, também professora de Direito Penal e advogada.

Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher: av. Barbacena, 288, Barro Preto | Telefones: 181 ou 197 ou 190
Casa de Referência Tina Martins: r. Paraíba, 641, Santa Efigênia | 3658-9221
Nudem (Núcleo de Defesa da Mulher): r. Araguari, 210, 5º Andar, Barro Preto | 2010-3171
Casa Benvinda – Centro de Apoio à Mulher: r. Hermilo Alves, 34, Santa Tereza | 3277-4380

Edição: Thiago Ricci
Camila Saraiva
Camila Saraivacamila.saraiva@bhaz.com.br

Jornalista formada pela PUC-Minas em 2015. Pós-graduada em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo Centro Universitário UniBH em 2019.

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