Cachorrinha é levada da porta de casa e família pede ajuda para achá-la

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Tita desapareceu há um mês e família luta para reencontrá-la (Arquivo Pessoal/Christina Ayres)

Uma família de Guarapari, no Espírito Santo, viajou para Belo Horizonte para cumprir alguns compromissos, mas acabou precisando estender a viagem depois de uma triste reviravolta. É que a cachorrinha da família, que vivia com eles há dois anos e embarcou junto na viagem, foi levada da porta de casa há cerca de um mês. Desde então, a mãe e duas filhas começaram uma saga incansável para encontrar a bichinha de estimação – e agora contam com a ajuda do público para reunir a família.

Christina Ayres é consultora de imóveis e contou ao BHAZ que tudo aconteceu no dia 8 de novembro. Ela estava com as filhas e Tita, a cachorrinha, na casa da mãe, no bairro Jaraguá, na Pampulha. “Eu abri o portão para a minha mãe entrar e poucos minutos depois, a gente percebeu que ela [Tita] tinha sumido. Imediatamente a gente saiu e começou a circular pelo bairro, mostrar fotos delas paras as pessoas que estavam passando”, lembra.

Em pouco tempo, elas conseguiram reunir um grupo de pessoas que estavam passando pela região e se solidarizaram. “Todas se colocaram à disposição”, conta Christina. Ainda no mesmo dia, ela recebeu uma ligação de uma moradora contando que a vizinha havia visto Tita depois do desaparecimento. Quando Christina chegou ao local, a mulher contou que o pet havia sido levado por um homem. “Ela falou que o rapaz passou com a Tita numa mochila, abriu e colocou a cabecinha dela para fora para perguntar se era minha”, explica a dona.

A partir daí, Christina, as duas filhas, vizinhos e outros familiares se lançaram em uma nova empreitada para tentar localizar o rapaz. E conseguiram. O homem é um morador da região e, quando procurado pela família de Tita, contou que havia encontrado ela na rua e a levou para casa. “Ele disse que a moça da casa onde ele mora não deixou ele ficar com a cachorra, então ele se desfez dela. Mas não quis passar telefone, não quis se identificar, nada”, lembra Christina.

Caso de polícia

Depois do primeiro contato, Christina e as filhas ainda se encontraram com o homem pelo menos outras cinco vezes. Em todas elas, ele repetia a mesma história, mas dava versões diferentes sobre o fim dado a Tita. “Minha filha foi até a casa dele e a mulher confirmou que não deixou ele ficar com o cachorro, confirmou tudo”, conta Christina. Ela lembra ainda que, neste momento, decidiu recorrer a outros recursos: “Eu falei ‘não tem jeito, vou ter que fazer um B.O. [boletim de ocorrência]”.

O registro junto à Polícia Militar foi feito em menos de 24 horas do desaparecimento de Tita, mas também não gerou nenhum resultado. De acordo com Christina, ela foi informada que teria que aguardar, pois os oficiais que a atenderiam não estavam disponíveis na ocasião. Com a promessa de voltar uma semana mais tarde, ela não desistiu e partiu para o contato direto com os moradores.

“Tentei procurar outra delegacia, mas só poderia ser aquela. Então, nesse período todo, eu fiquei muito focada nos cartazes, em me comunicar com a região. Cuidei das redes sociais, comecei a me envolver com grupos de resgate, de proteção de animais”, lembra. Christina conta que ela tentou novos contatos com o rapaz que teria levado Tita, mas sem sucesso. “Aí eu procurei o pai dele, que se apresentou muito solícito e solidário”, afirma.

“Ele queria ajudar. Ele garantiu que ia ajudar a encontrar a cachorrinha”, conta Christina. No entanto, segundo a tutora de Tita, tudo mudou alguns dias depois: “O pai dele me ligou e falou que era para as minhas filhas escolherem uma cachorrinha parecida com ela [Tita] num site, que ele compraria a cachorra para as minhas filhas. Aí eu falei que nem tudo é sobre dinheiro, que as minhas filhas têm uma história com a Tita”.

Parte da família

E essa história da família com a cachorrinha passa pelo capítulo mais triste desde que Tita foi adotada pela mãe e as duas filhas, há dois anos. “Foram dois anos morando com a gente, fazendo parte da família mesmo”, lembra Christina, que conta ainda que Tita sempre foi dócil e quieta, muito em função de sua origem. É que a cachorrinha foi adotada pela família logo após ser resgatada de uma casa onde sofria maus tratos: “Ela tinha medo até da sombra. Nem lá na Praia do Morro, quando a gente soltava a guia, ela saía de perto da gente”.

No último mês, a relação de amor desenvolvida com Tita acabou se transformando em um pesadelo. “Isso abalou muito a gente. A minha filha mais nova é que mais está sofrendo, mas até a minha mãe, que não é muito fã de cachorro, chegou a chorar, pedir ajuda nas redes sociais para devolverem a cachorrinha da neta”, conta Christina.

A família, que ainda enfrenta outro grande desafio – um parente internado com Covid-19 – acredita que Tita possa estar sendo bem cuidada por outras pessoas, mas torce para que ela seja devolvida. “Eu tenho fé que ela está na casa de uma pessoa que está cuidando bem dela. Se ela está com uma família, eu tenho certeza que eles criaram amor por ela”, pontua Christina. “Só que eles precisam entender o que a gente está passando”, continua.

Apesar de todas as reviravoltas da história, a família continua tendo como única prioridade reencontrar Tita, conforme explica Christina: “Em momento nenhum a gente quer que a pessoa que está com ela, que pegou da mão do rapaz, seja punida ou sofra qualquer dano. O nosso objetivo único e exclusivo é tê-la de volta. Só isso, mais nada”.

Como ajudar?

Quem tiver qualquer informação sobre o paradeiro de Tita pode entrar em contato com a família pelo telefone (31) 98478-1373 ou pelo Instagram @tita.doguinha.

Edição: Vitor Fernandes
Giovanna Fávero
Giovanna Fáverogiovanna.favero@bhaz.com.br

Repórter no BHAZ desde outubro de 2019. Jornalista graduada pela PUC Minas (Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais) e com atuação focada nas editorias de Cidades, Guia e Cultura.

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