O genocida e sua polícia política

ciro gomes e felipe neto
Ciro Gomes e Felipe Neto (Reprodução/TV Brasil + Reprodução/@felipeneto/Instagram)
coluna colunista

Antes de mais nada, é importante deixar claro que está coluna não está chamando Bolsonaro de genocida e nem afirmando que a Polícia Federal se transformou em uma polícia política, nos moldes da antiga Stasi, da extinta Alemanha Oriental.

Em tempos de perseguição política, em que o ministério da justiça resolve emular o modus operandi do Ministério para a Segurança do Estado – também da Alemanha Oriental – perseguindo Felipe Neto, indiciando Ciro Gomes, prendendo jovens que brincam nas redes sociais e manifestantes que portam faixas de protesto, é sempre bom deixar claro que o genocida mencionado no título não é o presidente e a Polícia Federal não é uma polícia política.

Para que a Polícia Federal pudesse ser considerada uma polícia política, ela deveria, por exemplo, perseguir e tentar silenciar os opositores do regime. Ops…

E, para que o presidente pudesse ser chamado de genocida, seria necessário que ele estivesse à frente de um plano macabro que levaria milhares de pessoas à morte. Deveria, por exemplo, em meio a uma pandemia, refutar as evidências científicas, promover aglomerações, criticar o uso da máscara, recusar-se a comprar vacinas e equipamentos médicos. Ops de novo!

Os ataques à liberdade de expressão

Quando a névoa da repressão e da censura começa a ficar mais espessa, turvando a visão e deixando mais difícil entrever as liberdades democráticas, é prudente ressaltar que você não está cometendo crimes contra a segurança nacional, chamando o presidente da nação de genocida, por exemplo.

Afinal, em países autoritários, como, hum…, a Venezuela, não se pode criticar o governante. Vai que ele resolve colocar o “seu” exército nas ruas… ou, então, que o ministério da justiça resolve que deve investigar, processar e prender todo indivíduo com posição contrária ao governo…

A resposta da sociedade civil

Por enquanto, no Brasil, as instituições ainda tem sido capazes de reprimir os arroubos autoritários do tiranete do Alvorada.

Muito embora ele afirme que seria fácil dar um golpe de estado, já deve ter constatado que não tem apoio para tanto. Nem da população, nem do Congresso, nem dos empresários e nem das forças armadas.

E o pouco apoio que teria para uma aventura antidemocrática diminui juntamente com sua popularidade, corroída por sua incapacidade de lidar com a mais grave crise sanitária da história do país.

O que lhe resta, então, é utilizar o ministério da justiça – e a polícia federal – para perseguir seus detratores.

Isso não é exatamente uma surpresa. A ditadura que ele tanto elogia não apenas perseguia seus opositores como também os torturava, matava e ainda sumia com os corpos.

Felizmente, nos dias de hoje, a sociedade ainda é capaz de se organizar para dizer que cala a boca já morreu!

Rodolpho Barreto Sampaio Júnior
Rodolpho Barreto Sampaio Júniorrodolpho.sampaiojr@gmail.com

Rodolpho Barreto Sampaio Júnior é doutor em direito civil, professor universitário, Diretor Científico da ABDC – Academia Brasileira de Direito Civil e associado ao IAMG – Instituto dos Advogados de Minas Gerais. Foi presidente da Comissão de Direito Civil da OAB/MG. Apresentador do podcast “O direito ao Avesso”.

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