TikTok
Youtube
X (Twitter)
Instagram
Facebook
Whatsapp
Logomarca BHAZ

Colunas

Articulação política falha e Assembleia aprova pauta bomba para Zema

19/02/2020 às 22h45 - Atualizado em 12/10/2021 às 21h50
Deputados aprovam reajuste para servidores (Luiz Santana/ALMG)

Mais uma vez, falhou a articulação política do governador Romeu Zema (Novo), provocando uma de suas maiores derrotas na Assembleia Legislativa. Após a base política do governo encolher de 22 para 16 deputados, o Legislativo aprovou reajuste para todas as 14 categorias de servidores públicos. Se efetivado, o impacto da medida será de R$ 20 bilhões (pauta bomba), segundo cálculos preliminares do governo mineiro.

Do ponto de vista técnico, o reajuste é inconstitucional porque deputados não podem criar despesas para o estado. Do ponto de vista político, no entanto, se o governador confirmar (sancionar), a medida deixará de ser ilegal. Mas isso não deve acontecer. Seja como for, o que começa errado tende a continuar assim.

Erro começou com governo

O governador errou ao passar o ano de 2019 inteiro dizendo que não tinha dinheiro, que o estado está quebrado. Ainda assim, cedeu às pressões de uma só categoria, no caso, a dos policiais, e concedeu reposição de 41,7% nos salários em três anos. O custo final será de R$ 9 bilhões, aumentando, ao final, o déficit do estado em R$ 5 bilhões, de R$ 13 bilhões para R$ 18 bilhões.

Falta de isonomia impôs efeito cascata

Diante da pressão de outras categorias, e contra a falta de isonomia, os deputados estenderam o reajuste. Assim, devolveram o problema do reajuste dos servidores para Zema. É essa pauta bomba que a área política ignorou e que o governo de Minas terá de desarmar.

Como adiantou o líder do bloco governista na Assembleia, Gustavo Valadares, o governador recorrerá ao seu poder de veto, assumindo o desgaste político. O que acontece em seguida? O veto vai para a Assembleia, onde os deputados deverão derrubá-lo. O que restará ao governador? Recorrer ao Judiciário para que obter liminar que barre a obrigatoriedade do reajuste geral.

Tudo somado, a extensão do reajuste poderá representar ato inútil do ponto de vista prático. Pelo menos, terá o mérito de levar o governo a negociar com todas as categorias e discutir caso a caso a possibilidade de melhorias.

Novo fica contra projeto de Zema

A situação política do governo foi tão bipolar que dois dos três deputados do Novo, partido do governador, ficaram e votaram contra o projeto. E o fizeram com críticas a Zema. Guilherme da Cunha, que é vice-líder do governo, apontou tibieza do governador ao curvar-se às pressões e até ameaças de policiais.

Em setembro do ano passado, o governador teria recorrido ao presidente Bolsonaro para ter o auxílio da Força Nacional em caso de greve de policiais. Bolsonaro teria recusado; daí a opção de Zema pelo reajuste. O governo mineiro não confirma essa versão, mas também não a contesta.

Ainda nesta semana, policiais ameaçaram cruzar os braços no Carnaval caso o reajuste não fosse aprovado antes do feriadão. O segundo deputado do Novo a votar contra foi Bartô, que apelou para a crise fiscal, afirmando que o governo não fez o dever de casa. Pediu o voto contra, mas não foi seguido. O placar final foi 60 votos a favor e dois (do Novo) contra.

Resultado fragiliza Bilac

O resultado da votação deixou ainda mais fragilizada a posição do secretário de Governo de Zema, Bilac Pinto (DEM), responsável pela articulação política. Em janeiro, o governador chegou a se aconselhar com políticos experientes, como Adalclever Lopes, ex-presidente da Assembleia. Ouviu também o ex-governador Alberto Pinto Coelho. Foi aconselhado a não trocar o secretário, mas reforçar a área. O ex-deputado federal Jaime Martins (PSD) foi convidado a integrar o time.

Na área da comunicação, Bilac perdeu o comando. As decisões da área voltaram para as mãos do secretário geral de Estado e homem de confiança de Zema, o empresário Igor Eto.

R$ 128 milhões para os municípios

O repasse do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) para o mês de fevereiro será de mais de R$ 102 milhões. Isso sem levar em consideração a retenção do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação. O valor bruto é de R$ 128 milhões. O repasse chegará aos cofres municipais nesta quinta-feira, 20 de fevereiro. Com base nos dados da Secretaria do Tesouro Nacional (STN), o repasse será 64,66% maior do que a estimativa.

+ Reajuste de R$ 9 bi a policiais opõe Zema a aliados e atiça ‘fogo amigo’

Orion Teixeira

Jornalista político, Orion Teixeira recorre à sua experiência, que inclui seis eleições presidenciais, seis estaduais e seis eleições municipais, e à cobertura do dia a dia para contar o que pensam e fazem os políticos, como agem, por que e pra quem. É também autor do blog que leva seu nome (www.blogdoorion.com.br), comentarista político da TV Band Minas e da rádio Band News BH e apresentador do programa Pensamento Jurídico das TVs Justiça e Comunitária.

Orion Teixeira

Email: orionteixeira.orionteixeira@gmail.com

Jornalista político, Orion Teixeira recorre à sua experiência, que inclui seis eleições presidenciais, seis estaduais e seis eleições municipais, e à cobertura do dia a dia para contar o que pensam e fazem os políticos, como agem, por que e pra quem. É também autor do blog que leva seu nome (www.blogdoorion.com.br), comentarista político da TV Band Minas e da rádio Band News BH e apresentador do programa Pensamento Jurídico das TVs Justiça e Comunitária.

Mais lidas do dia

Adolescente morre em incêndio após briga familiar no Piratininga, em BH

foto do local onde houve um incêndio que deixou uma pessoa morta no piratininga, bh

Os 50 bairros com mais furtos e roubos de carros em BH

Pesquisa Quaest Senado Minas Gerais: quatro candidatos disputam duas vagas

datafolha senado minas gerais

Veja lista com todos os candidatos a deputado estadual em Minas Gerais

VÍDEO: Mulher é agredida com ‘voadora’ no Centro de BH

Leia mais

Siga o BHAZ nas redes sociais

TikTok
YouTube
X (Twitter)
Instagram
Facebook
Whatsapp
Logo BHAZ