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Rodízio de água: Moradores de BH reclamam de erros em calendário e serviço gera transtorno; entenda

10/03/2022 às 20h33
copasa bh
Desabastecimento prejudica além do rodízio (Henrique Coelho + Yuran Khan/Bhaz)

Moradores de Belo Horizonte e da região metropolitana têm sofrido com o transtorno provocado pelo rodízio realizado pela Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais) nesta semana. Em função de obras feitas pela companhia, diversas partes da Grande BH ficam sem água durante um dia, a cada três. A população, no entanto, denuncia diversas situações em que o serviço foi interrompido fora do horário previsto ou até mesmo em bairros que não estavam na lista. O BHAZ procurou a Copasa para entender a situação (veja abaixo).

Entre prejuízos financeiros e impactos na saúde, diversas pessoas ouvidas pela reportagem relataram a “dor de cabeça” de ficar sem água em horário estendido – e em situações inesperadas. A cabeleireira Marina Morais está sem água desde a terça-feira (8) em seu salão de beleza, no bairro Cruzeiro do Sul, em Betim. A região consta na lista do rodízio da Copasa, mas a previsão era de que o desligamento da água só acontecesse nesta sexta-feira (11).

“Lá não tem caixa d’água, então eu não estou tendo como funcionar. Estou tendo inúmeros prejuízos, isso está me afetando financeiramente. Acho uma falta de respeito com a população”, disse a cabeleireira. Segundo ela, no bairro Nossa Senhora de Fátima, onde ela reside, o fornecimento de água também está intermitente há três dias.

“A água vem intercalada e é fora dos horários que eles postam. Eu tenho quatro crianças, três são bebes, incluindo uma recém-nascida”, desabafa.

Diversas regiões afetadas

O professor Bruno Grossi também está passando por problemas ligados ao desabastecimento. Residente de Contagem, ele teve falta de água durante a maior parte dessa quarta-feira (9). Segundo a divulgação da Copasa, a região só deveria ficar sem água a partir da noite desta quinta-feira (10).

O morador ainda ressalta que o prédio possui uma caixa d’água grande, então, para que faltasse na quarta-feira, o fornecimento deve ter sido interrompido ao menos um dia antes. Bruno conta que conversou com os vizinhos e o problema afetou várias residências. “Por volta de 14h, voltou um pouco e depois parou de novo. Só 1h da manhã voltou a abastecer. Um técnico [da Copasa] veio para olhar e ele falou que ‘deve ser esse rodízio doido'”, relata.

“Eu estava com exames marcados, mas não pude sair para fazer. Como que eu voltaria para casa sem tomar um banho no meio da pandemia? Fomos pegos desprevenidos até para as coisas mais básicas, como lavar louça, utilizar banheiro. Gostaria que tivesse um esclarecimento sobre o que de fato aconteceu”, acrescenta. Ele chegou a abrir um chamado na concessionária, mas conta que o retorno demorou.

Segundo o professor, não é comum a falta de água no bairro em que ele vive. Este não é o caso da jornalista Ana Karolina Cipriano, que já está habituada aos problemas de abastecimento.

“A gente já sabe que essa situação é muito recorrente. Mantemos até alguns barris cheios de água, porque a gente sabe que uma hora isso vai acontecer. A gente meio que conseguiu estar preparado pra isso”, disse a moradora do bairro Jardim Alvorada, na região Noroeste de Belo Horizonte.

O que diz a Copasa?

O BHAZ entrou em contato com a Copasa para entender o que estaria intensificando o transtorno e a companhia ressaltou que, “apesar do rodízio adotado pela empresa, situações emergenciais continuam ocorrendo diariamente”. Segundo a concessionária, os problemas podem ser apurados com a informação de endereços específicos.

Os moradores da Grande BH também reclamaram que bairros que não constavam na lista do rodízio também tiveram o fornecimento interrompido. Inicialmente, na terça-feira (8), a Copasa divulgou um cronograma do rodízio que citava algumas dezenas de bairros na Grande BH. A informação foi divulgada na imprensa e nas redes sociais da companhia.

No entanto, a empresa fez uma retificação na lista, divulgando no site uma nova relação. Desta vez, a lista incluía dezenas de outros bairros, que não haviam sido citados em um primeiro momento. O cronograma atualizado pode ser consultado no site da Copasa (acesse aqui).

Questionada sobre o aumento no número de bairros citados entre uma divulgação e outra, a companhia garantiu que não houve uma ampliação na quantidade de bairros atingidos pelo rodízio. A Copasa explicou que a primeira relação citava somente regiões, que já englobavam os bairros detalhados na segunda relação.

“Anteriormente a empresa divulgou as regiões que seriam atingidas e, neste segundo momento, foi informada a lista de barros que pertencem as regiões”, reforçou.

O porquê do rodízio

A medida será necessária até 20 de março, até que a estrutura temporária de uma adutora que se rompeu seja construída no Sistema Serra Azul, para normalizar o abastecimento. O rompimento da adutora, localizada no limite entre Juatuba e Betim, no último dia 1º, impactou o abastecimento na região metropolitana de BH.

O anúncio do rodízio foi feito pelo diretor-presidente da Copasa, Carlos Eduardo Castro, que explicou que, apesar das diversas ações realizadas pela empresa desde o rompimento da adutora, o déficit de 15% da produção tem dificultado que a água chegue em partes mais altas e distantes do reservatório.

O presidente explicou ainda que cada uma das quatro regiões afetadas tem cerca de 500 mil pessoas. “Isso quer dizer que, em cada momento do rodízio, 500 mil pessoas serão impactadas por dia, o que representa menos de 10% da população da região metropolitana de BH”, destacou. Segundo a Copasa, após a atualização na lista dos bairros, essa estimativa permanece inalterada.

Editado por: Giovanna Fávero

Guilherme Gurgel

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Escreve com foco nas editorias de Cidades e Variedades no BHAZ.

Guilherme Gurgel

Email: guilherme.gurgel@bhaz.com.br

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Escreve com foco nas editorias de Cidades e Variedades no BHAZ.

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