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Lula alerta sobre riscos do aborto clandestino e defende legalização como questão de saúde: ‘Madame pode fazer’

06/04/2022 às 14h36 - Atualizado em 06/04/2022 às 15h55
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Após ameaças, comício de Lula em BH terá aparato de segurança da PF (Antonio Cruz/Agência Brasil)

Pré-candidato à presidência, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu a legalização do aborto como uma “questão de saúde pública”. O ex-presidente acredita que o procedimento deveria ser um direito para todas as mulheres. Em evento nessa terça-feira (5), o petista destacou os riscos envolvidos em abortos clandestinos.

Lula estava em um debate com ex-integrantes do parlamento europeu e durante sua fala criticou a desigualdade no país e discordou da forma como o tema aborto tem sido conduzido no Brasil. “Mulheres pobres morrem tentando fazer aborto, porque o aborto é proibido, é ilegal. A madame pode ir fazer um aborto em Paris, escolher ir para Berlim procurar uma clínica boa. Deveria ser transformado em uma questão de saúde pública e todo mundo ter direito e não ter vergonha”, disse.

O ex-presidente argumentou que a pauta de família e valores deveria ser discutida de forma a “fazer a sociedade evoluir e não compartilhando do retrocesso”. O petista criticou ainda a forma como Jair Bolsonaro (PL) trata as mulheres, sem citar o nome do presidente. “O comportamento dele com relação às mulheres não lhe dá o direito desses valores. Ele não respeita, ele acha que a mulher é um objeto, sabe? Então, é esse cidadão que tenta pregar valores para um grupo”, acrescentou.

Repercussão

Nas redes sociais, alguns repudiaram o que consideraram uma “defesa do aborto”, enquanto outros concordavam com Lula. De um lado, os críticos levantaram a ideia de que a legalização do aborto seria um ataque à vida. Do outro lado, alguns reforçaram a importância do procedimento seguro, já que 500 mil mulheres fazem aborto clandestinamente por ano no Brasil.

Pesquisa Nacional do Aborto

A segunda edição da Pesquisa Nacional de Aborto (PNA), realizada em 2016 pelo Anis Instituto de Bioética e pela Universidade de Brasília (UnB), aponta que 20% das mulheres terão feito ao menos um aborto ilegal ao final da vida reprodutiva, ou seja, uma em cada cinco mulheres aos 40 anos terá abortado ao menos uma vez. De acordo com os dados, em 2015, 417 mil mulheres nas áreas urbanas do Brasil interromperam a gravidez, número que sobe para 503 mil se for incluída a zona rural.

Segundo a pesquisa, a mulher que aborta tem entre 18 e 39 anos, é alfabetizada, de área urbana e de todas as classes socioeconômicas, sendo que a maior parte (48%) completou o ensino fundamental e 26% tinham ensino superior. Do total, 67% já tinha filhos. A pesquisa aponta ainda que a religião professada não é impeditivo para o ato, pois 56% dos casos registrados foram praticados por católicas e 25% por protestantes ou evangélicas.

“Há tanto aborto no Brasil que é possível dizer que em praticamente todas as famílias do país alguém já fez um aborto – uma avó, tia, prima, mãe, irmã ou filha, ainda que em segredo. Todos conhecemos uma mulher que já fez aborto”, conclui o levantamento, que trata o tema como saúde pública.

Editado por: Roberth R Costa

Guilherme Gurgel

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Escreve com foco nas editorias de Cidades e Variedades no BHAZ.

Guilherme Gurgel

Email: guilherme.gurgel@bhaz.com.br

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Escreve com foco nas editorias de Cidades e Variedades no BHAZ.

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