Familiares das dez pessoas que morreram no acidente em Petrópolis, na região Serrana do Rio de Janeiro, realizaram um protesto em frente à Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) neste sábado (22). A tragédia ocorreu no último domingo (16), quando um ônibus de turismo que havia partido da capital mineira tombou na BR-040. Durante a manifestação, parentes das vítimas cobraram respostas das autoridades e pediram punição aos responsáveis.
Entre as manifestantes está Maria Luiza Pereira de Souza, de 27 anos, mãe de Lavínia Eduarda Souza Dias, de 7 anos, e irmã de Priscilla de Souza Braz, de 33 anos, que morreram no acidente. Durante o protesto, ela revelou que nenhum representante da empresa responsável pela viagem, a Estrela Guia, ainda havia procurado pela família delas.
“Eu perdi minha filha, perdi minha irmã. Até hoje eles não vieram atrás de nós para perguntar nada. Minha filha está aqui com o rosto machucado. Até hoje eles não entraram em contato com a gente. Eu quero Justiça!”, desabafou.
Após a fala de Maria Luiza, outros manifestantes bradaram pedindo por Justiça enquanto empunhavam uma faixa com os dizeres: “Justiça e Respeito às vítimas do acidente do ônibus. A dor de uma comunidade não pode ser esquecida”. Além de Lavínia e Priscilla, outras duas mulheres que morreram na tragédia eram moradoras da Vila Acaba Mundo, na Região Centro-Sul de BH.
Além disso, eles relembraram os nomes das vítimas e cobraram a empresa responsável pela viagem em cartazes. “Nossa manifestação é pela memória de quem não pode mais falar”, disse um cartaz. “Quatro vidas perdidas. Quatro famílias destruídas e até agora nenhuma resposta”, denunciou outro.
Veja o vídeo:
Em vídeo divulgado pela TMC, o prefeito Álvaro Damião (União) aparece em diálogo com os manifestantes e afirma que vai designar um representante da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) para acompanhar e auxiliar os familiares das vítimas da tragédia. Ele destacou que, embora o caso não seja de competência direta do Executivo municipal, pretende oferecer suporte, inclusive em trâmites jurídicos junto a advogados.
O BHAZ tenta contato com a Estrela Guia para um posicionamento. O espaço segue aberto.
O acidente
O acidente aconteceu na madrugada do último domingo (16), na BR-040, em Petrópolis, na região Serrana do Rio de Janeiro, quando um ônibus de turismo que saiu de Belo Horizonte com destino ao Rio de Janeiro tombou.
O veículo levava 47 passageiros. Dez pessoas morreram, entre elas uma criança de 7 anos e uma jovem de 19 anos que estava grávida de quatro meses. Dezenas de passageiros ficaram feridos e foram encaminhados para hospitais de Petrópolis, Duque de Caxias, da capital fluminense e também para o Hospital João XXIII, em Belo Horizonte.
Entre as vítimas, quatro eram moradoras da Vila Acaba Mundo, na Região Centro-Sul de BH: Lavínia Eduarda Souza Dias, de 7 anos, e Jhennifer Ferreira Carvalho, Luciana Ferreira Carvalho e Priscilla de Souza Braz. Outras duas moradoras da comunidade também estavam no ônibus e permanecem internadas, uma delas tia da pequena Lavínia. A viagem havia sido organizada no formato “bate-volta”, com saída de Belo Horizonte na noite de sábado (15), com destino a Copacabana.
Após o acidente, passageiros relataram que o ônibus trafegava em alta velocidade e que havia problemas em alguns cintos de segurança. Uma sobrevivente contou ao BHAZ que chegou a pedir ao guia da viagem que orientasse o motorista a reduzir a velocidade. Um caminhoneiro também afirmou ter visto o veículo em alta velocidade em um trecho de pista simples e com obras.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) informou que o ônibus operava de forma clandestina. O veículo ainda apresentava um adesivo da agência em nome de outra empresa, que também estava inapta para realizar viagens interestaduais.
Equipes do Corpo de Bombeiros e do Samu atuaram no resgate, e a rodovia precisou ser parcialmente interditada. A Polícia Civil do Rio de Janeiro, por meio da 105ª DP (Petrópolis), investiga as circunstâncias do acidente e busca esclarecer as causas do tombamento.












