Estufas, copos lagoinha, porções com miúdos, uma dose de cachaça e a simplicidade de uma mesa amarela ganham destaques.
A cada esquina, um bar: assim se faz BH, e não é de hoje. Há muitos bares em bairros mais distantes do centro da capital, estabelecimentos como o Bar do Zé Correia e o Bar do Atenir, que por muitos anos dividiam a mesma rua. Com suas paredes gastas, dividiam o balcão com a estufa que recebia os clientes, e fardos de cervejas empilhados ao fundo que guardavam risadas, histórias e segredos compartilhados, na sua maioria, por homens.
Entre o vidro embaçado das estufas repletas de torresmo e o aroma tentador das coxinhas de frango feitas pelo próprio dono do bar ou por sua esposa, oferecia-se um momento de prazer e refúgio após longos dias de trabalho para muitos que ali davam a sagrada passadinha antes de chegar em casa. Ali, a cachaça trazida do interior de Minas e a comida caseira e afetiva ofereciam uma satisfação acolhedora para quem frequentava esses locais regularmente.

Ao longo dos anos, esses valores e costumes retornaram, agora vividos por uma geração que influencia e vem conseguindo, entre um gole e outro, novos seguidores e likes, entre o passado e o presente, dando destaque àquele que muito foi julgado por sua estufa e sua simplicidade.
Em muitos desses bares, olhares de reprovação eram comuns, como se suas paredes fossem testemunhas silenciosas de um lugar mal frequentado pelos “cachaceiros” tradicionais, rotulados pelos mais conservadores. Esses frequentadores ocuparam as mesas com suas histórias e brindes, e hoje, esses brindes, encontram-se um reflexo da sociedade e das aspirações coletivas.

Uma revolução silenciosa começou a borbulhar nesses ambientes familiares e mais distantes do óbvio. Os jovens, que antes observavam seus pais sendo julgados por frequentarem bares após o trabalho exaustivo, reuniram-se à origem. O que antes era visto como uma decadência moral, transformou-se em símbolo de resistência, de valorização das raízes, da história que se desenrolava entre copos de cerveja e porções de petiscos.Bares raízes, estufas, copos lagoinha, porções com miúdos, uma dose de cachaça e a blusa suja do balcão, e a simplicidade de uma mesa amarela na calçada da rua onde eu morei, se tornaram grandes estrelas da capital oficial dos bares segundo o levantamento da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), com base no Censo 2022 do IBGE.
Conheça alguns bares em Belo Horizonte na nossa página: @umbarporsemanabh

Sobre o título de capital oficial dos bares: A capital mineira tem a maior concentração de botecos por pessoa e por km² entre todas as capitais do Brasil. Belo Horizonte ganhou o título de capital oficial dos bares por conta da média de 12,5 bares por km², número muito superior aos de todas as outras capitais, como São Paulo, em segundo, com 5,9 estabelecimentos por km², e Rio de Janeiro, em terceiro, com 5,1.










