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Colunas

Um belo fórum que se transformou numa exuberante escola

04/12/2025 às 11h27 - Atualizado em 04/12/2025 às 18h02
A Escola Normal nos anos 1910, antigo Fórum e Tribunal da Relação. (Crédito: Cartão-postal / Reprodução).

Nas primeiras décadas de sua existência, Belo Horizonte assistiu a peculiares trocas de funções em algumas das suas mais exuberantes edificações públicas. Lembremos do Colégio Arnaldo, que foi projetado para ser a Feira Permanente de Amostras, e do Grupo Escolar Afonso Pena, que surgiu da junção de dois palacetes residenciais. Contudo, tais alterações mantiveram o alto nível das propostas arquitetônicas originais.

Além dos casos mencionados, temos ainda aquele que é um dos exemplos mais emblemáticos desse titubear na destinação dos edifícios oficiais: o atual Instituto de Educação de Minas Gerais, cujas instalações foram inicialmente utilizadas pelo Fórum e Tribunal da Relação e, posteriormente, acolheram uma escola de admirável arquitetura.

Essa edificação — localizada na Rua Pernambuco, n. 47, Bairro Funcionários — originalmente foi projetada pelo arquiteto Edgard Nascentes Coelho em estilo eclético de influência neoclássica, e as obras tiveram início em 1897. O imóvel foi erguido pelo governo estadual para abrigar o Ginásio Mineiro. No entanto, ao ser inaugurado em 1898, suas dependências foram ocupadas pelo Fórum e pelo Tribunal da Relação — instituições do poder judiciário.

O edifício do Tribunal da Relação e Fórum em seus primórdios, obra inaugurada em 1898 com projeto do arquiteto Edgard Nascentes Coelho. (Crédito: Cartão-postal / Reprodução).

Posteriormente, em 1909, o edifício, sem maiores transformações, passou a abrigar a Escola Normal — instituição de ensino correspondente ao atual ensino médio, que formava professores do ensino primário (atual ensino fundamental). Entre 1926 e 1930, com projeto do arquiteto Carlos Santos, a construção passou por ampliação e remodelação para abrigar o atual Instituto de Educação de Minas Gerais, mantendo a elegância do estilo eclético em sua arquitetura, porém com ornamentação menos efusiva.

O Instituto de Educação de Minas Gerais em 1966, cuja feição foi definida no projeto de reforma e ampliação elaborado pelo arquiteto Carlos Santos, com obras realizadas entre 1926 e 1930. (Crédito: Cartão-postal / Reprodução).

A grande reforma concebida por Carlos Santos teve como um dos seus destaques a presença da chamada Ordem Colossal na fachada frontal, criada no Renascimento e muito utilizada em edifícios grandiosos de várias épocas. Ela é caracterizada por imensas colunas de feição greco-romana, cuja altura é igual ou superior a dois pavimentos, como as que marcam a entrada principal do Instituto de Educação.

As colunas jônicas que definem a Ordem Colossal na entrada principal do Instituto de Educação. (Crédito: Ivan Capdeville Júnior, 2024).

Outro destaque da escola encontra-se no seu interior. O hall da entrada principal da edificação recebeu dois expressivos painéis em baixo-relevo da escultora belga Jeanne Louise Milde, que representam o ensino das artes e das ciências. Milde foi uma das precursoras da arte moderna na cidade, que veio para Minas Gerais em 1929 como integrante da Missão Pedagógica Europeia, cuja finalidade foi a reforma do ensino no estado.

Os painéis da escultora Jeanne Milde instalados no hall de entrada do Instituto de Educação em 1930: Alegoria do Ensino das Ciências, à esquerda, e Alegoria do Ensino das Artes, à direita. (Crédito: Ulisses Morato / Iepha-MG).

Numa cidade estigmatizada por constantes metamorfoses ao longo da sua história, o Instituto de Educação é uma prova viva de que, mesmo diante da necessidade de alterações arquitetônicas radicais, os imóveis podem e devem manter seu encantamento. Trata-se de um caso exemplar de reforma e ampliação que preservou a qualidade arquitetônica percebida na edificação original e ofereceu à capital mineira um espaço escolar excepcional, que hoje integra o nosso patrimônio cultural.

Editado por: Ulisses Morato

Ulisses Morato

Ulisses Morato é doutor em arquitetura pela Universidade de Lisboa, especialista em construção civil pela UFMG e arquiteto pelo Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix. Atuou na diretoria do Instituto de Arquitetos do Brasil e no Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural de Belo Horizonte. É professor de pós-graduação na PUC Minas, editor da página Arquitetos de Belo Horizonte e gestor da Cultura Arquitetônica, dedicada a serviços e eventos na área do patrimônio edificado.
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Ulisses Morato

Email: ulisses.phd@gmail.com

Ulisses Morato é doutor em arquitetura pela Universidade de Lisboa, especialista em construção civil pela UFMG e arquiteto pelo Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix. Atuou na diretoria do Instituto de Arquitetos do Brasil e no Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural de Belo Horizonte. É professor de pós-graduação na PUC Minas, editor da página Arquitetos de Belo Horizonte e gestor da Cultura Arquitetônica, dedicada a serviços e eventos na área do patrimônio edificado.

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