O Sistema Fecomércio MG lançou, na última sexta-feira (14), os primeiros trabalhos do Selo Sesc Minas Musical, inciativa que busca valorizar, registrar e difundir a produção artística do estado. O novo projeto conta com sete lançamentos, sendo dois álbuns e cinco singles de artistas de diferentes gerações, gêneros e regiões de Minas Gerais. Entre os artistas estão Fabinho do Terreiro, Varanda, Pelos, Letícia Leal, EZKIEL, Deh Muss e Guarda de Moçambique Nossa Senhora do Rosário e Santa Efigênia de Ouro Preto.
De acordo a Gerente de Cultura do Sesc em Minas, Manuella Abdanur, ao contrário dos selos comerciais tradicionais que costumam focar em mercados específicos ou na gestão direta de carreiras, o projeto tem objetivo essencialmente social. “O selo do Sesc, primeiro, não é um selo nichado. Ele não é um selo que vai olhar só para um segmento da música; pelo contrário, ele quer mostrar a diversidade, a pluralidade da música mineira, a música que é produzida no nosso estado”, comentou.
Segundo ela, a instituição atua como facilitadora, financiando integralmente os custos de gravação, finalização, mixagem, masterização, arte das capas e distribuição digital. Conforme explicou Manuella, o projeto não visa retorno financeiro, nem pretende possuir direitos sobre as carreiras dos artistas. Pelo contrário, a intenção é “registrar a memória” e a cultura mineira.
“O Sesc quer apoiar a criação, a circulação e a difusão dessa produção e também registrar a memória. Em um cenário em que a música se tornou amplamente digitalizada e a visibilidade dos artistas é cada vez mais medida por número de seguidores, é importante que existam instituições que apoiem a circulação, a difusão e a produção da música, ampliando a oportunidade para artistas que nem sempre vão dispor dessa estrutura de mercado”, defendeu.
Curadoria
Conforme Manuella, o processo de seleção dos artistas levou cerca de dois meses e contou com a participação de uma equipe curatorial de peso, com ampla atuação no mercado da música. Entre eles estão agentes da Gerência de Cultura do Sesc em Minas, como Carol Fescina, Roger Deff e Débora Silva, em parceria com Barral Lima, Bia Nogueira e Carol de Amar, referências na cena cultural mineira.
De acordo com o Sesc, a equipe analisou critérios fundamentais como a qualidade artística, a originalidade, a consistência conceitual e o caráter autoral das obras. Segundo Manuella, o objetivo foi ir além do óbvio e encontrar produções que carregassem a alma mineira. Os artistas foram escolhidos, também, levando em consideração a descentralização geográfica e a valorização das diferentes riquezas do estado.
“O próprio estado de Minas é um celeiro musical de vários artistas com uma diversidade enorme. Então, quando fomos lançar o selo, tivemos essa preocupação de representar essa diversidade musical mineira dentro do projeto”, comentou. “Fomos buscar esses artistas que estão espalhados no território para ter essa representação, seja de estilo, de geração e também de diversidade territorial. Porque, inclusive pensando em termos de oportunidade, às vezes esses artistas que não estão na capital têm mais dificuldade ainda de acesso”, completou.
Artistas e projetos
Entre os projetos selecionados para os dois álbuns de estreia estão o sambista de BH Fabinho do Terreiro, compositor renomado com canções gravadas por Zeca Pagodinho e Neguinho da Beija-Flor, mas que ainda não possuía trabalho nas plataformas digitais, e a banda de indie pop Varanda, de Juiz de Fora, que desponta no cenário nacional com participação confirmada no festival Lollapalooza.
Já os cinco singles inéditos trazem uma amostra da pluralidade de Minas: a tradicional Guarda de Moçambique de Ouro Preto gravando uma obra de Maurício Tizumba; a fusão de rap e afrobeat de EZKIEL, de Itabirito; as texturas acústicas de Deh Muss, de BH; a mistura potente de rock, soul e blues da banda Pelos, que surgiu no Aglomerado da Serra; e a versatilidade da viola caipira contemporânea de Letícia Leal, natural de Teófilo Otoni.












