Hoje eu vim dar destaque a um movimento que fico muito feliz em ver crescer em Belo Horizonte: o dos bares feitos e comandados por mulheres.
Como mulher que ama um bar, acho bonito ver cada vez mais mulheres ocupando esses espaços, não só como clientes, mas também atrás do balcão, na cozinha, na administração e no comando dos negócios.
E uma coisa que sempre me chama atenção nesses bares são os detalhes. O jeito de pensar o ambiente, o conforto, a iluminação, o atendimento e, principalmente, a segurança.
Não porque todo bar comandado por mulheres seja automaticamente mais seguro, mas porque existe um olhar de quem conhece, na própria pele, algumas situações que nós mulheres enfrentamos quando saímos para beber.
Uma mulher que está sozinha, por exemplo, pode querer apenas sentar, tomar um drink e ir embora. Mas também pode precisar de ajuda se passar por uma situação de assédio, se ficar vulnerável depois de beber ou simplesmente se sentir desconfortável com alguma abordagem.
E quando existe uma equipe feminina, muitas vezes existe também aquela sensação de: “se eu precisar, alguém aqui vai entender”.
Foi pensando nisso que eu separei alguns bares de Belo Horizonte que representam esse movimento e onde as donas e a equipe são mulheres.
O primeiro é o Pavu, no Horto, comandado por três mulheres. O bar abriu recentemente e já nasceu pensando em alguns desses detalhes. Na ocasião da abertura, elas conseguiram iluminar um cruzamento que era bastante escuro, trazendo mais segurança para quem circula por ali.
É um detalhe que pode parecer pequeno, mas que, para uma mulher saindo de um bar à noite e esperando um carro de aplicativo, faz toda a diferença.
Outro lugar que merece estar nessa lista é o Dona Ninguém, em Santa Tereza. O bar assume de forma muito clara a proposta de ser um espaço para sapatão, levantando uma bandeira importante de acolhimento e respeito às mulheres que se relacionam com outras mulheres.
E isso não impede que qualquer pessoa possa aproveitar o lugar. Tem cerveja gelada, comida gostosa e um ambiente que vale a visita. Mas é especialmente bonito ver um espaço que deixa tão claro que ali as mulheres podem simplesmente estar, se divertir e se relacionar sem precisar lidar com o olhar ou o desrespeito que muitas vezes aparecem em outros ambientes.
Temos ainda o Madureira, um bar mais animado, com música e programação variada. Às sextas-feiras, a trilha sonora passa por ritmos caribenhos e latinos, enquanto aos sábados e domingos a programação reveza entre samba e chorinho. E por lá, a equipe também é formada somente por mulheres.
O Boca do Mundo é outro bar feito por mulheres. Elas, inclusive, já compartilharam nas redes sociais um pouco de como foi o começo do negócio e a reforma do espaço, colocando literalmente a mão na massa para construir o próprio bar.
Eu ainda estou devendo uma visita, mas já ouvi muitos elogios sobre o atendimento e a comida. Então, obviamente, entrou para a minha lista.
E tem ainda o Bar da Criola, que talvez seja o exemplo mais literal de “um bar feito por uma mulher”. Ela cozinha, faz as compras, atende, administra e cuida de tudo. É ela e mais ninguém. Um boteco com quase 30 anos de história.
Eu sei que essa lista poderia ser muito maior. Belo Horizonte tem outros bares comandados por mulheres e, certamente, ainda vamos falar sobre eles por aqui.
Mas eu quis trazer alguns exemplos para celebrar esse movimento que está crescendo e mostrar como o olhar feminino também pode transformar um negócio.
No fim, não é só sobre quem está atrás do balcão. É sobre quem está pensando naquele espaço e em como outras pessoas vão se sentir dentro dele.
E que bom que cada vez mais mulheres estão ocupando esses lugares.
Afinal, lugar de mulher também é no bar. E, de preferência, fazendo o bar acontecer.











