O governador de Minas Gerais, Mateus Simões, afirmou que o decreto estadual que proíbe a veiculação de publicidade de casas de apostas esportivas em bens públicos não vai prejudicar o Cruzeiro nem provocar mudança no mando de campo do clube no Mineirão. A declaração foi dada em entrevista no Mercado Central após a repercussão da medida, que colocou em xeque a realização de jogos do time no estádio.
O decreto, assinado pelo governo estadual, proíbe a exibição de publicidade e patrocínios de empresas de apostas esportivas em bens públicos administrados pelo estado, o que inclui o Mineirão. A norma esbarra em acordos comerciais da CBF, que detém os direitos de patrocínio do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil e mantém contratos com casas de apostas que preveem a exibição de marcas durante as partidas.
Diante do impasse, Julio Avellar, diretor de competições da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), enviou ofício de alerta afirmando que a proibição atinge placas, painéis de LED, telões, totens e a exploração de camarotes no estádio. Segundo o comunicado da entidade, é o clube mandante o responsável por garantir o cumprimento das exigências regulatórias.
Com a possibilidade de sanções ou desconforto contratual, o departamento jurídico do Cruzeiro foi acionado para avaliar as medidas necessárias diante do decreto, com o objetivo de evitar qualquer mudança no mando de campo do clube. Já a Minas Arena, concessionária que administra o Mineirão, sinalizou que vai cumprir integralmente a determinação do governo estadual.
A situação ganha urgência com o calendário do clube. O Cruzeiro enfrenta o Flamengo neste sábado (22) e o Atlético, pela Copa do Brasil, na próxima terça-feira (25), ambos no Mineirão.
Simões tranquiliza Pedro Lourenço
Diante da repercussão, o governador afirmou ter entrado em contato diretamente com o presidente do Cruzeiro, Pedro Lourenço, para garantir que o clube não seria afetado pela medida.
“Fiz questão de amanhecer o dia mandando mensagem para o Pedrinho para dizer para ele: ‘fique tranquilo que nós não vamos prejudicar de forma alguma nenhum mando de campo do Cruzeiro, no Mineirão’. A regra não se aplica ao clube, a regra se aplica ao estádio. E nós vamos ter o trabalho de transição para que a gente possa, com o tempo, convencer entidades a não se vincular a bets pelo dano que elas causam às famílias”, declarou Simões.
Proteção de crianças e famílias endividadas
O governador reforçou que a decisão de vetar a publicidade de bets em espaços públicos tem motivação na proteção de mineiros, especialmente crianças, jovens e famílias que se veem em situação de endividamento por conta das apostas.
“Quero voltar aqui a dizer que a decisão sobre a proibição de bets tem a ver com a proteção dos mineiros, a proteção das crianças, dos jovens que estão aprendendo a jogar, das famílias que estão se perdendo em dívidas. Um dinheiro que está deixando de cuidar da alimentação e da moradia das pessoas para ir parar nas mãos de plataformas que abusam de pessoas que muitas vezes já estão numa situação financeira difícil. Vamos continuar muito firmes na luta contra as bets, mas não vamos de forma nenhuma causar prejuízo ao Cruzeiro nos mandos de campo que ele tem no Mineirão”, afirmou.
Venda do Mineirão ao Cruzeiro não está descartada
Questionado sobre pedidos para que o governo venda o Mineirão ao Cruzeiro, Simões afirmou que o tema pode ser discutido no futuro, embora não seja uma prioridade do governo estadual no momento. Ele lembrou que Atlético e América já possuem estádios próprios.
“Eles falaram: ‘vende o Mineirão pra gente’. É claro! O Mineirão não é um bem que não pode ser vendido. É claro que, se em algum momento fizer sentido para o Cruzeiro, a gente pode discutir isso. O Atlético já tem o estádio dele, o América já tem o próprio estádio. Não haveria nenhum problema do Mineirão ser comprado pelo Cruzeiro. Não está dentro das nossas prioridades, mas, havendo interesse, a gente pode discutir isso em algum momento”, disse o governador.







