O ex-marido de Ketlyn Oliveira, morta brutalmente em junho de 2023, na Grande BH, queria cegá-la. A represália foi planejada porque ela vinha fazendo denúncias públicas contra ele e outros envolvidos após ele ter ordenado a morte do então namorado dela. Antes de arquitetar essa retaliação, o mesmo ex-marido, pai de Evellyn Jasmin Machado Acacio, já havia determinado que Ketlyn fosse sequestrada e tivesse as duas pernas quebradas. Agora, mais de três anos depois, a Polícia Civil de Minas Gerais confirmou que a filha do casal, sequestrada em junho de 2023, foi morta.
O caso é tratado pelos investigadores como um crime brutal cometido sob mando do pai da criança. Além da morte de Evellyn, o episódio envolveu os assassinatos de Ketlyn Oliveira e da cabeleireira Ana Raquel.
Origem da violência
Segundo a investigação da Polícia Civil, Ketlyn havia iniciado um novo relacionamento quando seu ex-marido, pai de Evellyn, não se conformou com o término da relação anterior entre eles. Ele foi apontado como envolvido no homicídio do então namorado de Ketlyn. Diante disso, ela passou a fazer denúncias públicas contra o ex e contra outros envolvidos no crime.
Como retaliação às denúncias, o ex-marido determinou que Ketlyn fosse sequestrada e tivesse as duas pernas quebradas. Posteriormente, chegou a planejar “cegá-la” por causa das revelações que ela vinha tornando públicas.
Antes de ser morta, a mãe publicou um vídeo nas redes sociais ao lado da filha, pedindo ajuda por meio de uma “vaquinha virtual” para que as duas pudessem se mudar para o Rio de Janeiro, alegando não aguentar mais as ameaças que vinha recebendo.
Como o crime foi executado
De acordo com a investigação, um dispositivo de rastreamento foi instalado no carro de Ketlyn. Os criminosos passaram a segui-la e a localizaram em um salão de beleza em Sabará. Ana Raquel, a cabeleireira, tentou impedir a ação e levou uma marretada na cabeça.
Os três criminosos colocaram Ketlyn, Evellyn e Ana Raquel dentro do veículo. Durante o trajeto, Ketlyn conseguiu abrir a porta e pulou do carro em movimento. Os criminosos retornaram ao local, dispararam contra ela e a deixaram morta na rua. Ana Raquel foi assassinada quilômetros adiante. O veículo usado no crime foi posteriormente abandonado na BR-040, em Contagem.
A morte de Evellyn
Os criminosos levaram Evellyn para um sítio alugado no distrito de Ravena, em Caeté, onde a mantiveram por um período limitado. Como a criança conhecia os três autores do crime, chegando a chamar um deles de “tia”,, eles decidiram executá-la. No dia seguinte, segundo os investigadores, Evellyn foi morta e seu corpo jogado em uma área de mata na região. Depois disso, os criminosos retornaram a Belo Horizonte, lavaram o veículo utilizado no crime e o devolveram à locadora.
A investigação
Ao longo dos últimos três anos, os investigadores percorreram mais de 200 mil quilômetros por cinco estados (São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás, Bahia e Minas Gerais) em busca de respostas para o caso. As buscas pelo corpo de Evellyn na região indicada foram dificultadas pelo tempo decorrido, superior a três anos, desde o crime.
Responsabilização
Três pessoas envolvidas no caso foram indiciadas, denunciadas e se tornaram réus. Uma outra morreu em setembro de 2024.










