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Gabriel Martins revela origens de ‘Vicentina Pede Desculpas’ antes da estreia pela Netflix e se declara a BH e Contagem: ‘sou visualmente inspirado por elas’

27/08/2026 às 15h00
Vicentina Pede Desculpas

Quatro anos depois de “Marte Um”, Gabriel Martins volta às telas com seu novo longa-metragem. A Netflix anunciou nesta quinta-feira o pôster e as datas de estreia de “Vicentina Pede Desculpas”, que chega aos cinemas selecionados em 5 de novembro e à Netflix em 20 de novembro, com lançamento simultâneo em mais de 190 países.

Selecionado para a 51ª edição do Festival Internacional de Cinema de Toronto (TIFF), em setembro, o longa terá sua première internacional na seção Plataforma, mostra competitiva dedicada a obras de destaque da cinematografia contemporânea, e o vencedor da seção se qualifica diretamente para a disputa do Oscar de Melhor Filme Internacional, o que reforça o peso da seleção na trajetória internacional do longa.

No centro da trama está Rejane Faria, que interpreta Vicentina, professora aposentada de 75 anos que, após a morte do filho Wesley, motorista de um ônibus que despenca de um viaduto em Belo Horizonte, matando todos a bordo exceto um passageiro, decide procurar as famílias das vítimas para pedir desculpas. As câmeras de segurança do acidente levantam suspeitas de que o motorista teria agido intencionalmente, e é atrás de respostas, nem sempre as que imaginava encontrar, que a personagem de Rejane Faria conduz o filme.

Produzido pela Filmes de Plástico, “Vicentina Pede Desculpas” conta ainda com Flávio Bauraqui, Giovanna Heliodoro, Giovanni Venturini, Grace Passô, Karine Teles, Maíra Azevedo, Renato Novaes e Thalma de Freitas no elenco principal. Gabriel Martins assina a direção, o roteiro e a história original.

Às vésperas da temporada de festivais, o diretor conversou com o BHAZ e abriu, com exclusividade, a gênese do projeto, sua relação com as paisagens de Belo Horizonte e Contagem e as diferenças de estrutura entre este lançamento e o de “Marte Um”.

Da tragédia real ao roteiro

Assim como outras produções da Filmes de Plástico, Vicentina Pede Desculpas retrata o cotidiano de Belo Horizonte e Contagem, cidades da qual Gabriel e os demais integrantes da produtora moram. Mas isso não impede a busca por uma linguagem universal.

Um dia antes da entrevista, a produtora havia compartilhado nas redes sociais a fala final de “Marte Um” sobre o “jeitinho brasileiro”, trecho que resume bem como ele pensa a relação entre o específico e o universal em seu cinema.

“Acredito muito na premissa de que ‘para ser universal, seja local’. Abraçar as nossas especificidades é o que torna as coisas universais”, afirmou. Para ilustrar, ele recorreu a uma comparação com o próprio imaginário que absorveu quando criança: “Nós crescemos com a imagem de escolas americanas com ônibus amarelos como se fossem o padrão ‘universal’, mas aquilo na verdade é um símbolo muito específico da cultura deles que se tornou atraente”, afirma. Na visão do diretor, “os filmes mineiros da minha geração abraçam a identidade do interior de Minas e da região industrial de Contagem de forma muito fiel”, e é justamente esse compromisso com o local que, segundo ele, abre as portas internacionais que “Vicentina Pede Desculpas” agora atravessa, de Toronto a San Sebastián.

A relação de Gabriel Martins com a cidade onde mora ultrapassa o simples cenário. Ele descreve Belo Horizonte e sua região metropolitana como fonte inesgotável de imagens, ainda que o público local não esteja acostumado a ver produções de grande porte pelas próprias ruas, como a sequência em que a equipe fechou um viaduto para filmar a queda do ônibus que dispara a tragédia de “Vicentina”.

“Eu me sinto muito feliz por poder trabalhar e contar histórias na cidade onde moro, pois sou muito inspirado visualmente por ela”, disse. Para o diretor, a diversidade de paisagens dentro da própria região metropolitana é parte do que alimenta seus roteiros: “Belo Horizonte e sua região metropolitana possuem características muito diversas. O bairro Concórdia tem morros muito específicos, o Santo Antônio também tem morros, mas é totalmente diferente, a Pampulha e o Barreiro são mundos distintos”.

E resumiu o que o mantém voltando a esses cenários: “Como me interesso por personagens da classe trabalhadora que ocupam as periferias e os subúrbios, a cidade vira um elemento criativo inesgotável. Eu amo vivenciar o cotidiano daqui, andar a pé pelo centro e comer no Café Palhares”, afirma

Com a pré-lista do Oscar, os festivais de Toronto e San Sebastián e a parceria com a Netflix, a rotina de Gabriel Martins ganhou uma dimensão internacional que contrasta com o cotidiano mineiro que ele descreve com tanto carinho. Questionado sobre como consegue manter essa conexão viva em meio às viagens, o diretor foi direto: “As viagens são a exceção e não a regra.” Segundo ele, o dia a dia continua ancorado em Contagem e Belo Horizonte: “No meu dia a dia, eu levo minha filha na escola, vou assistir ao Cruzeiro no Mineirão e, todo fim de semana, visito a casa da minha mãe em Contagem, onde minha família mora. Minhas raízes estão profundamente fincadas aqui.”

Perguntado sobre de onde vêm seus personagens e histórias, Gabriel Martins diz que parte sempre de uma imagem ou de um evento específico, ainda que essa imagem original acabe não aparecendo no filme final.

“As histórias surgem a partir de imagens ou eventos específicos que me inspiram, mesmo que essa imagem inicial acabe não aparecendo no filme”, disse o diretor. No caso de “Vicentina”, revelou, o ponto de partida foi um episódio real e distante do enredo que o público vai ver nas telas: “A inspiração veio de um acidente aéreo contra as montanhas, onde a caixa-preta revelou ter sido um suicídio do piloto, gerando a ideia de acompanhar uma personagem vivendo um luto coletivo.” Já “Marte Um” nasceu de outra imagem, mais simples: “um menino com a perna quebrada em um campo de várzea olhando para as estrelas”.

De “Marte Um” a “Vicentina”: o que muda com a Netflix

Em participação no podcast Arreda Pra Cá, produção do BHAZ, Gabriel Martins já havia relatado as dificuldades financeiras e de distribuição enfrentadas na campanha de “Marte Um”. Agora, com “Vicentina Pede Desculpas” na pré-lista do Oscar e com a Netflix como parceira de lançamento, o diretor traça uma diferença clara entre os dois momentos: a estrutura.

“A resposta é justamente a estrutura. No lançamento de Vicentina, contamos com uma equipe muito forte e experiente que colabora com ideias, além do peso e da estrutura óbvia que a própria Netflix oferece”, disse. Ele lembra que a realidade de “Marte Um” era bem diferente. “Em Marte Um, nós estávamos muito isolados e sem esse suporte, o que tornava cada pequeno passo um trabalho muito mais árduo.”

Ficha técnica

Sinopse: Numa manhã ensolarada em Belo Horizonte, um ônibus lotado segue para o centro da cidade. Ao cruzar um viaduto, o veículo desvia repentinamente, sai da pista e cai na avenida abaixo. Um passageiro fica gravemente ferido, enquanto todos os outros — incluindo Wesley, o motorista — morrem. A tragédia domina os noticiários de televisão e as manchetes dos jornais em todo o país. As câmeras de segurança do ônibus e da via registram o momento do acidente e, após a análise das imagens, começam a circular especulações de que o motorista poderia ter agido intencionalmente. Vicentina, uma professora aposentada de 75 anos e mãe de Wesley, fica devastada com a tragédia e sem saber como seguir em frente. Ela decide procurar as famílias das vítimas e pedir desculpas. O caminho à sua frente se mostra difícil, e as respostas que Vicentina tanto busca nem sempre são as que ela encontra.

Direção: Gabriel Martins
Produção: Thiago Macêdo Correia
História Original: Gabriel Martins
Roteiro: Gabriel Martins
Trilha Sonora: Tiganá Santana
Fotografia: Leonardo Feliciano
Edição: Gabriel Martins, Thiago Ricarte
Som: Tiago Bello (Edição e Mixagem); Gustavo Fioravante (Gravação)
Design de Produção: Rimenna Procópio
Figurino: Diana Moreira
Efeitos Especiais: Rodrigo Jinks, Marcelo Cabral, Cajamanga, Quanta
Produtora: Filmes de Plástico

Elenco: Rejane Faria (Vicentina); Maíra Azevedo (Joana); Renato Novaes (Wesley/Bruno); Giovanni Venturini (Fred); Giovanna Heliodoro (Gisele); Grace Passô (Isabel); Marisa Revert (Vera); Fernanda Vianna (Marta); Clébia Sousa (Solange); Fábio Leal (Victor); Docy Moreira (Marluce); Carlos Francisco (Antônio); Thalma de Freitas (Cleide); Flavio Bauraqui (Luiz); Bárbara Colen (Amélia); apresentando Miguelzinho do Cavaco (Ele Mesmo)

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Classificação etária: Livre
Entrada: Gratuita

Pedro Rocha Franco

pedro.rocha@bhaz.com.br

Pedro Rocha Franco é jornalista desde 2007 e bacharel em ciências sociais. Foi repórter do jornal Estado de Minas, editor do portal O Tempo e head do departamento de jornalismo digital da Itatiaia. Hoje é gerente executivo do BHAZ. Além disso, colaborou com UOL e Repórter Brasil.

Pedro Rocha Franco

Email: pedro.rocha@bhaz.com.br

Pedro Rocha Franco é jornalista desde 2007 e bacharel em ciências sociais. Foi repórter do jornal Estado de Minas, editor do portal O Tempo e head do departamento de jornalismo digital da Itatiaia. Hoje é gerente executivo do BHAZ. Além disso, colaborou com UOL e Repórter Brasil.

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