A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) lançou, nesta quinta-feira (27), o Plano Estratégico de Reúso de Água e Disposição Controlada de Efluentes no Solo. Desenvolvido em parceria com um consórcio de instituições especializadas, o projeto inédito no país vai realizar um diagnóstico completo da oferta e da demanda de efluentes tratados no estado. A intenção é, futuramente, transformar o esgoto em uma alternativa viável para usos em indústrias, setor agrícola e outras funções.
O lançamento ocorreu durante o 1º Seminário Reúso de Águas em Minas Gerais, na sede da Companhia. Na ocasião, especialistas debateram como as pressões das mudanças climáticas e o crescimento populacional exigem uma mudança na gestão dos recursos hídricos.
Água de reúso
A água de reúso é um dos produtos que resultam do processo de limpeza nas Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs). Em vez de ser devolvida aos rios, ela recebe um tratamento adequado para que possa ser utilizada com segurança em atividades que não exigem água potável. Os usos podem contemplar atividades urbanas, como limpezas de locais públicos; agrícolas, como irrigação; e industriais, como resfriamento de equipamentos.
“Quando falamos de reúso, estamos falando de sustentabilidade, de economia circular e também de uma nova oportunidade de negócios”, destacou a presidente da Copasa, Marília Carvalho de Melo. “É um instrumento importante de segurança hídrica, especialmente diante de um cenário de crescimento populacional”, completou.
Segundo a Companhia, o recurso poderá ser utilizado para garantir segurança hídrica no estado, especialmente com o avanço das mudanças climáticas. Na prática, mais água potável ficará disponível para o consumo prioritário da população.
Reúso em Minas Gerais
O reúso da água proveniente do tratamento de esgoto da Copasa já ocorre em Minas Gerais. Em Betim, na Grande BH, e em Itamarandiba, no Vale do Jequitinhonha, siderúrgicas utilizam o líquido nas atividades industriais.
Já em Pirajuba, no Triângulo Mineiro, agricultores usam a água de reúso para irrigar plantações, protegendo as lavouras nos períodos mais secos do ano. Em Montes Claros, no Norte de Minas, o recurso é utilizado para a limpeza urbana, como a lavagem de praças e ruas públicas. Além disso, a própria companhia reutiliza a água nas operações internas.
Desafios
Um dos grandes desafios que o novo plano quer resolver é a falta de comunicação entre quem trata o esgoto e quem precisa de água. Segundo o engenheiro ambiental Lucas Chamhum, o plano vai criar um ‘Atlas de Oportunidades’, unindo dados de onde há oferta de água tratada com os locais onde indústrias e produtores rurais necessitam.
O plano estratégico é desenvolvido em parceria com o Centro de Referência em ET Sustentáveis (CR Etes), o Instituto Reuso de Água (IRdA) e a consultoria Go Associados.












