Os professores das escolas particulares de Belo Horizonte e região decidiram manter a greve por tempo indeterminado. A decisão foi tomada em assembleia nesta sexta-feira (18), que reuniu mais de 700 docentes de dezenas de instituições de ensino. A categoria voltou a rejeitar a proposta patronal de dividir a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) entre educação básica e ensino superior.
A CCT reúne direitos dos professores, como salários e benefícios, e atualmente é um documento único para docentes de todas as etapas de ensino. Os professores defendem a renovação da convenção sem alterações, com reajuste salarial de 3,77%, correspondente ao INPC. Já os donos de escolas condicionam o acordo à divisão da CCT.
Segundo o Sindicato dos Professores de Minas Gerais (Sinpro Minas), a separação poderia enfraquecer a negociação coletiva e colocar em risco direitos conquistados pela categoria, como bolsas de estudos, férias coletivas, adicional extraclasse e isonomia salarial.
“Desde o início a categoria tem se mostrado aberta ao diálogo. Mas o patronal não quer negociar. Eles querem impor essa condição, que é extremamente prejudicial à categoria”, afirmou a presidenta do Sinpro Minas, Valéria Morato.
Greve dos professores
No início da campanha salarial, os professores apresentaram uma pauta com mais de dez reivindicações, incluindo ganho real nos salários. Segundo o sindicato, diante do impasse, a categoria reduziu as exigências e passou a defender apenas a renovação da CCT atual e o reajuste pela inflação.
A falta de uma nova convenção, segundo o Sinpro Minas, já tem provocado mudanças em algumas escolas. O sindicato afirma que instituições deixaram de aplicar direitos previstos na CCT, entre eles as bolsas de estudos.
“Estamos diante de uma tentativa de dividir uma categoria que historicamente construiu sua força por meio da unidade. E como estamos sem Convenção assinada, há escolas que já não estão aplicando nossos direitos, entre eles as bolsas de estudos”, disse Valéria.
Próximos passos
O impasse será discutido em uma audiência de mediação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT-MG) na segunda-feira (21), às 14h30. Professores também programaram uma manifestação em frente ao Tribunal durante a audiência.
Na terça-feira (22), às 9h30, uma nova assembleia será realizada para avaliar o andamento da greve e os próximos passos da categoria.
O Sinpro Minas afirma ainda que a discussão envolve toda a comunidade escolar, incluindo pais, responsáveis e estudantes, por considerar que as condições de trabalho dos professores também estão relacionadas à qualidade do ensino.













