Morreu nessa quinta-feira (17), em Belo Horizonte, José Maria Gomes, proprietário da JM Gomes, a Livraria Jomago, no Edifício Maletta, no Centro da capital. Ele era um dos mais antigos livreiros da cidade e marcou a história cultural de Belo Horizonte.
Conhecido como Zé ou Tio Zé, José Maria começou a trabalhar no ramo em 1959, na Livraria Científica. Em 1968, abriu a própria livraria, inicialmente com apoio de um livreiro que conheceu em São Paulo. No ano seguinte, passou a trabalhar com o irmão, William Gomes.
Instalada no sexto andar do Maletta, na rua da Bahia, a JM Gomes ficou conhecida pela venda de livros nacionais e importados, especialmente de literatura e ciências humanas. O espaço também se tornou ponto de encontro de estudantes, professores, pesquisadores e intelectuais.
Livros durante a ditadura
Durante a ditadura militar, a JM Gomes foi citada em documentos de vigilância política como uma das livrarias de Belo Horizonte especializadas em obras consideradas de esquerda.
Segundo relatos de pessoas próximas, José Maria chegou a esconder livros considerados “proibidos” trocando as capas por outras, para evitar que fossem identificados.
A livraria também mantinha uma relação próxima com estudantes. Era comum a venda de livros fiado, permitindo que universitários levassem obras mesmo sem conseguir pagar naquele momento.
Além dos livros, José Maria era figura conhecida na boemia do Maletta. Frequentava a Cantina do Lucas e era apaixonado por xadrez, hábito que manteve durante boa parte da vida.
Pela contribuição à cidade, recebeu o título de Cidadão Honorário de Belo Horizonte.
A trajetória de José Maria ficou marcada por uma época em que livrarias eram também espaços de encontro, formação e circulação de ideias. A JM Gomes se tornou parte dessa história em Belo Horizonte.













