Hoje ele é um dos destaques jovens do Atlético, mas a história de Vitão com o clube do coração quase terminou antes de começar. Atleticano, o zagueiro foi reprovado em um teste no Galo quando tinha 10 anos, defendeu o Cruzeiro nas categorias de base por um ano e meio e só voltou ao alvinegro graças ao trabalho de um olheiro. O pai do jogador contou a história em entrevista em ao canal Fala, Galo.
O “não” do Galo
Em 2018, Vitão fez um teste no Atlético. O clube estava montando a categoria 2008, e os garotos treinavam junto com a turma de 2007. Ele passou uma semana em observação, mas não foi aprovado. Só seis a oito meninos ficaram, e o grupo não disputaria nenhum campeonato entre julho e dezembro.
“Eu fiquei muito com raiva esse dia, porque eu fui lá nos testes, ele treinou muito bem, fez aquela coisa toda e o Vitão não ficou”, lembra o pai, Alexandre Luiz.
O telefone toca: é o rival
No mesmo dia, o telefone tocou. Do outro lado da linha estava o Cruzeiro. “‘O Vitão quer fazer um teste aqui, nós estamos com os números dele’. Falei: ‘Bacana, vamos lá'”, conta Alexandre.
O teste estava marcado para durar uma semana, mas o Cruzeiro decidiu logo no primeiro dia. “Acabou o treino, os caras já chegaram em mim e falaram assim: ‘Ó, ele não tem nada com o Atlético?’. Falei que não. ‘Então ele é nosso’.”
Vitão passou cerca de um ano e meio na base celeste. Nesse período, disputou o Campeonato Mineiro e outras competições, e viajou bastante.
O olheiro que mudou a rota
Foi justamente nesses campeonatos que o Atlético voltou a prestar atenção nele. Edgar, observador técnico das categorias de base do Galo, acompanhava as competições e seguia os números do zagueiro desde o sub-11.
“Ele ficava indo em todos os campeonatos, observando os meninos. O Edgar sempre acompanhando, tinha os números do Vitão, tudo. E já estava vendo: ‘Opa, esse aí vamos tentar trazer'”, relata o pai.
Uma circunstância ajudou. Vitão ainda não tinha contrato de formação com o Cruzeiro. Com a chegada da pandemia, em 2020, o caminho de volta ficou livre. O convite formal partiu do então diretor da base atleticana, Júnior Chávare. “Ele que me chamou lá para conversar e falou: ‘Ó, vem para cá’.”
Para a família, não há dúvida sobre quem merece o crédito. “Às vezes, não se fala, mas o Edgar é o maior responsável. Ele que achou o Vitão nesses campeonatos. Ele que levou, ele que foi o responsável de o Vitão estar no Galo”, recorda Alexandre Luiz.
Destaque do Galo nos jogos pós-Copa do Mundo, Vitão foi convocado para amistosos da seleção brasileira sub-20 na Europa, preparação para o Sul-Americano da categoria em janeiro de 2027.







