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Palácio das Artes vai passar pela maior reforma em quase 30 anos; obras começam pelo Grande Teatro

30/09/2026 às 19h32
Solenidade no Palácio das Artes nesta quarta-feira (30). (Laís Marques/BHAZ)

O Palácio das Artes vai passar pela maior reforma dos últimos quase 30 anos. A primeira etapa será no Grande Teatro Cemig, principal espaço de espetáculos do complexo. A obra vai modernizar a infraestrutura, melhorar a acessibilidade e a segurança e preservar as características arquitetônicas do teatro. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) vai direcionar cerca de R$ 10 milhões para essa fase, por meio da Plataforma Semente.

O Termo de Compromisso foi assinado nesta quarta-feira (30), no Espaço Oscar Niemeyer, foyer do Grande Teatro. A parceria reúne o Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult-MG) e da Fundação Clóvis Salgado (FCS), e o MPMG.

A obra ainda não tem data para começar. Antes, é preciso concluir a licitação que vai escolher a empresa responsável pelos trabalhos. Depois disso, a previsão é de cinco a sete meses de obra.

O que muda no Grande Teatro

O plano inclui:

  • Troca das cadeiras;
  • Restauro do piso do palco e das plateias;
  • Substituição dos carpetes;
  • Renovação da infraestrutura elétrica.

Essa é a primeira etapa de um projeto maior, que prevê a restauração e a requalificação de todo o complexo cultural.

O projeto foi aprovado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG) e pela Diretoria de Patrimônio Cultural da Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte. O Palácio das Artes é tombado pelo Iepha-MG, como parte do Conjunto Paisagístico do Parque Municipal Américo Renné Giannetti, e também pelo município.

Du Leal é diretora da BELARQ Arquitetura e Urbanismo, escritório responsável pelo projeto. Segundo ela, o trabalho no piso faz da intervenção um restauro, e não apenas uma reforma. “Tivemos que avaliar o estado e, a partir daí, pensar em como requalificar e preservar, voltando a cor natural, em um processo minucioso, realizado por profissionais da área”, explica.

A arquiteta também citou as cadeiras, que foram feitas sob medida, e a preocupação com a acústica, “já que a música, popular e erudita, está sempre muito presente no Grande Teatro”. “São 18 mil metros quadrados construídos, cerca de 24 mil metros quadrados de área total. Trata-se, portanto, de um projeto complexo, exigente, que pede técnica, sensibilidade e respeito”, afirma.

Presente de 55 anos

A reforma coincide com os 55 anos do Palácio das Artes, inaugurado em 14 de março de 1971. “Esta obra é um grande presente aos 55 anos do Palácio das Artes. […] Restaurá-lo é muito mais do que realizar uma obra física: é cuidar de uma memória viva e, ao mesmo tempo, preparar esta casa para as próximas gerações”, diz o secretário de Estado de Cultura e Turismo, Leônidas Oliveira.

Para o presidente da FCS, Yuri Mello Mesquita, o anúncio talvez seja o maior legado das comemorações. “Vamos iniciar pelo Grande Teatro, garantindo um espaço moderno, confortável e acessível. Essa grande obra é um sonho que se torna realidade”, afirma.

O procurador-geral de Justiça de Minas Gerais, Paulo de Tarso Morais Filho, disse que a parceria transforma valores recuperados pela atuação do Ministério Público “em benefícios concretos para os cidadãos”. “A preservação do patrimônio cultural é também uma forma de proteger a memória, a identidade e os direitos da sociedade”, afirmou.

O secretário-geral do Estado, Luiz Otávio Gonçalves, destacou que a Secretaria-Geral fez a ponte entre o Governo de Minas e o MPMG para viabilizar os recursos.

Incêndio de 1997

Com 1.707 lugares, o Grande Teatro é um dos maiores espaços de espetáculos do Brasil. O palco italiano tem 20 metros de profundidade e boca de cena de 18 metros de largura por sete de altura. O teatro também tem fosso para até 80 músicos e elevadores que permitem diferentes configurações de palco.

A última grande obra no espaço aconteceu depois de um incêndio em abril de 1997. O fogo destruiu cadeiras, cortinas, teto e equipamentos de luz e som da plateia. Artistas, população, empresas e a própria FCS se mobilizaram para arrecadar recursos, e a reconstrução foi concluída em julho de 1998. Desde então, o Grande Teatro não passou por nenhuma reforma de grande porte.

A história do Palácio das Artes começou nos anos 1940. O então prefeito Juscelino Kubitschek reservou uma área do Parque Municipal para a principal casa das artes de Minas e convidou Oscar Niemeyer para fazer o projeto inicial. As obras foram paralisadas e só recomeçaram no fim dos anos 1960, com uma proposta adaptada pelo arquiteto Hélio Ferreira Pinto. Hoje, o complexo tem 18 mil metros quadrados de área construída e recebe artes visuais, música, dança, teatro, ópera e cinema.

Laís Marques

Jornalista formada pela PUC Minas. Acumula passagens anteriores pela equipe de jornalismo da Rede 98 e assessorias de comunicação da PMMG e da UEMG

Laís Marques

Repórter do BHAZ

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