O cinema mineiro conquistou três dos principais prêmios da Première Brasil no Festival do Rio 2026, com o filme Vicentina Pede Desculpas. O longa-metragem, dirigido por Gabriel Martins, levou o Troféu Redentor de Melhor Longa de Ficção pelo júri popular, além dos prêmios de Melhor Roteiro e Melhor Direção de Ficção. O festival terminou nesse domingo (11), no Rio de Janeiro.
Os reconhecimentos destacam diferentes aspectos da produção: a recepção do público, a construção da história e o trabalho de direção de Gabriel Martins, que também assina o roteiro do filme. A obra é uma produção da Filmes de Plástico, produtora mineira da qual o cineasta faz parte.
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Realizada entre 1º e 11 de outubro, a 28ª edição do Festival do Rio apresentou mais de 350 filmes brasileiros e internacionais. A programação incluiu pré-estreias, sessões especiais, debates e encontros com profissionais do audiovisual, distribuídos por 28 salas de cinema e espaços culturais do Rio de Janeiro e de Niterói.
Vicentina Pede DesculpasHistória se passa em BH
Estrelado por Rejane Faria, Vicentina Pede Desculpas acompanha uma professora aposentada de 75 anos que tenta lidar com a morte do filho, Wesley. Ele era motorista de um ônibus que despenca de um viaduto em Belo Horizonte, provocando a morte de todos os ocupantes, com exceção de um passageiro.
Diante das suspeitas de que o acidente possa ter sido intencional, levantadas por imagens de câmeras de segurança, Vicentina decide procurar as famílias das vítimas para pedir desculpas. A busca por respostas conduz a personagem por situações que colocam em questão a culpa, o luto e as consequências da tragédia.
O elenco conta ainda com Flávio Bauraqui, Giovanna Heliodoro, Giovanni Venturini, Grace Passô, Karine Teles, Maíra Azevedo, Renato Novaes e Thalma de Freitas.
Estreia de Vicentina Pede Desculpas nos cinemas e na Netflix
O filme mineiro premiado no Festival do Rio chega a cinemas selecionados em 5 de novembro e estreia na Netflix em 20 de novembro, com lançamento previsto para mais de 190 países. A plataforma de streaming também é uma das produtoras do filme.
A produção dá continuidade à trajetória internacional de Gabriel Martins, que dirigiu Marte Um, escolhido pela Academia Brasileira de Cinema para representar o país na disputa por uma indicação ao Oscar, embora não tenha chegado à lista de finalistas.
Vicentina Pede Desculpas também foi selecionado para a 51ª edição do Festival Internacional de Cinema de Toronto (TIFF), na seção competitiva Plataforma. O vencedor dessa mostra se qualifica diretamente para a disputa do Oscar de Melhor Filme Internacional.
Identidade mineira em histórias universais
Em entrevista ao BHAZ, Gabriel Martins destacou a importância de retratar Belo Horizonte e a região metropolitana em suas produções. Para o diretor, a identidade local não limita o alcance de uma história; ao contrário, pode aproximá-la de públicos de diferentes lugares.
O cineasta considera que as particularidades culturais e visuais de Minas Gerais são parte da força do cinema produzido por sua geração. Ele também ressaltou a inspiração que encontra nas paisagens da capital e de cidades vizinhas, com suas diferenças entre bairros e regiões.
Essa relação com o território aparece também na realização do longa. Uma das sequências exigiu o fechamento de um viaduto para filmar a queda do ônibus que dá início à tragédia central da narrativa.









