Um homem de 49 anos viajou mais de dois mil quilômetros, de Imperatriz, no Maranhão, até Belo Horizonte, para encontrar uma mulher que conheceu através das redes sociais. No entanto, o que Edimar Rocha não sabia era que a mulher não era real e havia sido gerada por inteligência artificial. “Ela falava que morava no interior de Minas Gerais e que estava interessada em mim, então eu vim atrás dela”, contou em entrevista ao BHAZ.
A personagem fala diretamente com a câmera, em um formato que dá a sensação de que ela está, de fato, conversando com o telespectador. Nas gravações, ela faz promessas de amor e chega a dizer que pode sustentar o homem financeiramente.
“Não tem coisa pior do que uma solidão e eu vim atrás dela pra ver se encontrava a felicidade”, desabafou.
Edimar chegou à capital mineira na última sexta-feira (10) e passou a percorrer a cidade em busca da mulher, perguntando por ela a quem encontrava pelo caminho. Nessa segunda-feira (12), o dinheiro que trouxe para a viagem acabou, e ele precisou buscar apoio da Unidade de Atendimento e Acolhimento ao Migrante, da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH).
Agora, Edimar deixa um alerta para outras pessoas: “Não venham. Você vai confiando nas propostas que as pessoas fazem, mas não vá, pra nenhum lugar. Qualquer um pode cair nessa conversa, então prestem atenção, às vezes uma palavra machuca muito mais do que uma pancada”.
Unidade de Atendimento e Acolhimento ao Migrante
Através da unidade de atendimento, Edimar vai conseguir voltar para Imperatriz nesta terça-feira (13). André Luiz Rigueira da Silva, técnico social que trabalha no local, diz que o espaço foi criado para atender pessoas em trânsito, vindas de outros estados, municípios e até de outros países. “A proposta é que a gente consiga dar esse suporte para que eles, nessa escolha de permanecer ou de seguir, tenham uma mínima condição dessa continuidade”, explica.
Além do acolhimento temporário e do auxílio para retorno às cidades de origem, a unidade também presta apoio social aos migrantes que desejam permanecer em Belo Horizonte. De acordo com André, os profissionais realizam encaminhamentos para outros serviços da rede socioassistencial e auxiliam na reconstrução da autonomia dessas pessoas. Um dos acolhidos, inclusive, conseguiu uma oportunidade de emprego após receber o suporte da equipe e decidiu permanecer na capital mineira.
Segundo caso acolhido na unidade
Em julho deste ano, Walter Rodrigues da Silva, de 73 anos, viveu uma história parecida com a de Edimar. O idoso viajou de Roraima até Belo Horizonte para encontrar uma mulher com quem acreditava manter um relacionamento virtual.
Ao chegar na capital mineira, Walter teve os pertences roubados e precisou ficar na rua, até que encontrou ajuda na Unidade de Atendimento e Acolhimento ao Migrante da cidade.
Em conversa com o BHAZ, Walter contou sobre a mulher que passou a acompanhar na internet e afirma ainda ter esperança de encontrá-la. A mulher posta vídeos falando diretamente para a câmera, em um formato que dá a sensação de que ela está, de fato, conversando com o telespectador. O caso de Walter se soma a diversos relatos de idosos publicados nas redes sociais que interpretam esse tipo de conteúdo como uma interação pessoal.
“Eu conheci uma senhora pelo celular. Aí ela me convidou para vir aqui, pra conhecer ela”, afirma o idoso.
Mesmo sem ter tido contato direto com a mulher, Walter veio para BH acreditando que iria encontrá-la. No entanto, ao chegar à rodoviária da capital, ele teve os pertences roubados. “Eu deixei um cara olhando a minha mala enquanto eu procurava um lugar pra ficar, mas, quando eu voltei, ele não me deu mais a mala. Me deu foi umas pancadas”, relata ele.
Vulnerável e acreditando no melhor das pessoas, Walter explica que, após ter sido roubado, também foi enganado por um “falso advogado” que roubou os dados da conta bancária dele. “Fui obrigado a fechar a conta porque se não ele estava tirando todo o meu dinheiro. É falso advogado, porque advogado certo não faz isso”.










