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Delegada esposa de empresário acusado de matar gari volta ao trabalho após mais de um ano afastada

15/10/2026 às 15h50
morte gari bh
Renê da Silva Nogueira Junior é casado com a delegada Ana Paula Balbino (Reprodução/redes sociais)

A delegada Ana Paula Lamego Balbino, esposa do empresário que assassinou o gari Laudemir Fernandes em BH, voltou às atividades na Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG). Segundo as investigações, a arma de fogo utilizada no crime pertencia a ela e estava sob uso do marido.

Segundo a PCMG, a delegada retornou às suas atividades na última quinta-feira (8), mais de um ano após o afastamento. Em edição do Diário Oficial de Minas Gerais desta quinta-feira (15) foi publicada uma concessão de ajustamento funcional da servidora pelo prazo de 90 dias, definida pela Diretoria de Perícias do órgão.

Um ajustamento funcional é adequação das atribuições e responsabilidades, compatíveis com a limitação que o servidor tenha sofrido, mediante avaliação pericial. A medida visa evitar o agravamento de sua condição e pode ser temporária ou permanente.

O BHAZ entrou em contato com a PCMG para saber sobre as alterações nas atividades da delegada. Em nota, o órgão, se limitou a dizer que “o ajustamento funcional consiste na adequação das atribuições, responsabilidades ou lotação do servidor público, de forma compatível com sua capacidade laboral”. Ainda segundo a PCMG, “a medida observa critérios técnicos definidos pelo setor competente”.

Relembre o caso

Conforme a ocorrência policial, o crime aconteceu na rua Modestina de Souza, no bairro Vista Alegre, região Oeste da capital, na manhã do dia 11 de agosto deste ano. Segundo testemunhas, um caminhão de lixo estava parado na rua, durante a coleta de resíduos, quando o gestor comercial Renê Junior exigiu para que fosse liberado espaço na via para passar com o veículo que dirigia, um BYD cinza.

Irritado, ele ameaçou a motorista do caminhão com uma arma. Os garis tentaram intervir e pediram que ele se acalmasse. Foi nesse momento que ele saiu do veículo e disparou contra os funcionários, acertando Laudemir Fernandes, que não estava envolvido na confusão. “E aí ele entrou do carro e foi embora. Não prestou socorro, nem olhou para trás, ele seguiu o caminho dele”, relatou ao BHAZ a motorista do caminhão, Eledias Aparecida.

Renê Junior é marido da delegada Ana Paula Balbino, da Polícia Civil de Minas Gerais. A PCMG confirmou que a arma usada no homicídio está registrada em nome da delegada Ana Paula Balbino, sendo de uso pessoal da policial. Renê alegou que pegou a pistola sem o consentimento da companheira e afirmou que ela não soube do crime. Mesmo assim, a servidora foi alvo de uma investigação da Corregedoria-Geral da Polícia Civil.

Indiciados pelo crime

A PCMG indiciou o empresário Renê Junior pelo homicídio do gari Laudemir Fernandes, de 44 anos, morto com um tiro no abdômen em 11 de agosto. Ele deve cumprir 35 anos de prisão pelo crime de homicídio duplamente qualificado por motivo fútil e por meios que impossibilitaram a defesa da vítima, além de ameaça e porte ilegal de arma de fogo.

A delegada também foi indiciada por porte ilegal de arma de fogo de uso permitido, uma vez que a lei proíbe ceder ou emprestar esse tipo de equipamento. De acordo com o delegado Evandro Radaelli, a delegada passou a ser investigada a partir do momento em que a PCMG identificou que ela tinha ciência de que ele fazia uso da arma de fogo de sua propriedade.

Isadora Poeiras

Estudante de jornalismo pela UFMG e estagiária do BHAZ desde agosto de 2026. Atuou na assessoria de imprensa de PBH e na revista Transite da UFMG

Isadora Poeiras

Email: isadora@bhaz.com.br

Estagiária de jornalismo

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