O vice-governador eleito de Minas Gerais, Luís Eduardo Falcão (Republicanos), afirmou nesta sexta-feira (23) que a futura gestão de Cleitinho Azevedo (Republicanos) pretende manter políticas públicas que apresentam bons resultados. Durante a primeira reunião temática da transição, dedicada à Saúde, ele também reconheceu o desconforto causado pelo envio de projetos do atual governador, Mateus Simões (PSD), à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) sem alinhamento prévio com a equipe eleita.
“O que está dando certo será mantido. Não tem por que, por ser de um partido diferente ou um governo diferente, a gente descontinuar políticas públicas que estão funcionando”, declarou Falcão na Cidade Administrativa, em Belo Horizonte.
Segundo o coordenador da transição, a orientação é avaliar os programas com base nos resultados e na eficiência dos serviços. Ele citou a evolução das filas de cirurgias eletivas e a gestão de unidades de saúde por Organizações Sociais (OS), como o Hospital Regional Antônio Dias, entre as iniciativas que devem ser mantidas, com possíveis ajustes.
Projetos enviados por Simões geram desconforto
Durante coletiva, Falcão admitiu desconforto com o envio de projetos de lei por Simões à ALMG sem consulta prévia à equipe eleita. Entre as propostas estão a autorização para reduzir em até 75% as alíquotas do IPVA e a recomposição salarial automática para servidores da segurança pública, medidas que podem impactar as contas do Estado em 2027.
O vice-governador eleito lembrou que as duas medidas são compromissos de campanha de Cleitinho, mas ressaltou que a execução dependerá da disponibilidade de recursos da futura gestão. “Não vou ficar fazendo comentários aqui para piorar a situação que, de certa forma, ela é chata”, afirmou.
Questionado sobre a falta de alinhamento com a equipe eleita, Mateus Simões defendeu o direito de exercer as atribuições do cargo até o último dia do mandato. O governador afirmou que o envio de projetos à Assembleia faz parte de suas prerrogativas e não representa uma tentativa de confronto com a futura administração. “Eu continuo sendo um agente político e eu pretendo exercer as prerrogativas de governador do Estado até o último dia do meu mandato. Até lá, tudo que um governador pode fazer, eu analisarei se faço ou não”, declarou.
O atual governador afirmou ainda que pretende manter o caráter técnico do processo de transição.
Governo apresenta balanço da Saúde
Durante o encontro, a atual administração apresentou dados sobre os investimentos estaduais na área. Segundo o balanço do governo, Minas Gerais aplicou R$ 11,8 bilhões em Saúde em 2025, valor R$ 600 milhões acima do mínimo constitucional.
Para 2026, a previsão é de R$ 4,4 bilhões destinados ao custeio da política hospitalar por meio de programas como o Valora Minas e de recursos vinculados à Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig).
A equipe de Cleitinho deve usar as informações apresentadas durante a transição para avaliar a continuidade dos programas e definir prioridades para os primeiros meses do novo governo.








