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‘Ele tentou dar um murro nela’: gerente afirma que policial tentou agredir funcionária em abordagem em BH

27/10/2026 às 12h58 - Atualizado em 27/10/2026 às 13h47
(Imagens cedidas ao BHAZ)

O gerente de uma padaria de Belo Horizonte afirma que um policial militar tentou dar um soco em uma funcionária do estabelecimento durante uma abordagem que terminou com três pessoas presas nesse sábado (24). Segundo Douglas Farias, o militar avançou contra a trabalhadora depois que ela o chamou de “covarde” ao presenciar a prisão de uma idosa, mãe de um jovem que era abordado pelos policiais.

“Eu tenho uma gravação no meu celular. Ele veio realmente com um soco nela, com um murro. Só que aí eu entrei na frente, não deixei aquilo”, relatou Douglas ao BHAZ.

Uma testemunha que trabalha na padaria e presenciou a ocorrência confirmou a versão do gerente. Segundo ela, a funcionária ficou assustada com a abordagem e chamou o policial de covarde ao ver a situação. Em seguida, conforme o relato, o militar teria avançado contra a trabalhadora e feito ameaças.

O caso aconteceu na avenida Contagem, na divisa entre Belo Horizonte e Sabará. Vídeos gravados por testemunhas e imagens do circuito de segurança mostram um policial acertando o braço da idosa com cotoveladas e, em outra gravação, a mulher sendo levada à força até uma viatura.

Gerente afirma que policial tentou dar soco em funcionária

Segundo Douglas, funcionários da padaria saíram do estabelecimento ao perceberem a abordagem da idosa, de 63 anos, e pediram que o policial parasse de agredi-la. O gerente afirma que a situação deixou os trabalhadores desesperados. “Todo mundo estava xingando ele, só que ele ouviu da boca dela chamando ele de covarde. Aí, nesse momento, ele veio agredir ela”, contou.

A testemunha ouvida pelo BHAZ também afirmou que a funcionária não teria chamado o policial de covarde com a intenção de insultá-lo, mas por estar assustada com o que presenciava. “Ele virou, começou a dar murro na minha colega e falou: ‘Eu vou pegar você, eu vou pegar você, vou atirar em você, não corra que você vai presa, eu não sou covarde’”, relatou.

Ainda segundo a testemunha, o policial entrou na padaria e subiu as escadas para procurar a funcionária. Douglas afirma que tentou impedir a entrada do militar no estabelecimento e pediu que ele não agredisse a trabalhadora.

A funcionária correu para o banheiro e se trancou. De acordo com o gerente, ela teve uma crise de ansiedade durante o episódio. Douglas afirma que o policial ameaçou prendê-lo caso a trabalhadora não abrisse a porta. Depois que outros militares chegaram ao local e conversaram com os envolvidos, a funcionária saiu do banheiro.

Três pessoas foram presas após a ocorrência

Conforme o boletim de ocorrência, a abordagem começou durante uma operação de patrulhamento preventivo no bairro Ana Lúcia. Os policiais avistaram um jovem de bicicleta e, posteriormente, o localizaram na avenida Contagem, próximo à padaria. Segundo o registro, nada ilícito foi encontrado com ele.

A mãe do rapaz chegou ao local e tentou se aproximar do filho. O boletim afirma que ela recebeu ordens para se afastar, mas voltou a se aproximar e ofendeu um dos militares. Ainda conforme a versão policial, a mulher resistiu à prisão, agarrando-se a um poste e a uma placa de sinalização.

O registro também relata que a funcionária foi presa por desacato depois de ofender os policiais e correr para o interior da padaria. Já Douglas foi detido sob a alegação de ter impedido a ação policial ao se colocar à frente de um militar.

O gerente afirma que foi algemado dentro do estabelecimento e permaneceu com as algemas durante a noite. Segundo ele, os envolvidos foram encaminhados inicialmente à sede de uma companhia da Polícia Militar e, depois, à Polícia Civil.

Douglas relata que ficou em uma cela por cerca de 40 minutos, já perto de 1h da manhã. Ele afirma que não chegou a conversar com o delegado e foi liberado após assinar um termo de compromisso de comparecimento à audiência.

O BHAZ entrou em contato com a Polícia Militar e solicitou um posicionamento sobre as denúncias relatadas pelo gerente e pela testemunha. A reportagem aguarda retorno.

Lavínia Fernandes

Jornalista formada pela PUC Minas. Publicou um artigo sobre alfabetização midiática pela Intercom. Foi estagiária de assessoria de comunicação na ALMG. Repórter no BHAZ desde novembro de 2024.
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Email: lavinia.barbosa@bhaz.com.br

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