O jogador Gustavo Scarpa, do Atlético, entregou a estatueta do Prêmio Jabuti 2026 ao influenciador literário Pedro Pacífico, conhecido pelo perfil Bookster, vencedor da categoria Incentivo à Leitura – Cultura Digital. A cerimônia foi realizada na terça-feira (27), e marcou a estreia da categoria na premiação organizada pela Câmara Brasileira do Livro (CBL).
O jogador ficou conhecido por publicar resenhas de livros que lia desde 2018. Neste ano, começou a postar vídeos em suas redes sociais que viralizaram e chegarem a bater mais de 4 milhões de visualizações. No dia 22 de outubro, ele anunciou por meio das suas redes sociais, que teria sido convidado para realizar a entrega do prêmio.
No vídeo em que anuncia o convite da Câmara Brasileira do Livro (CBL), Scarpa diz “Olha que resenha, estou feliz demais.”.
Neste mesmo dia, o influenciador literário Pedro Pacífico, publicou um vídeo em seu canal do YouTube com Gustavo Scarpa, particiapando do quadro “Na Livraria com o Bookster”.
A nova categoria foi criada para reconhecer pessoas e iniciativas que promovem livros e incentivam a formação de leitores em ambientes digitais. A avaliação considera a qualidade dos conteúdos, o engajamento e o impacto cultural das iniciativas.
Categoria recebeu 402 indicações
A categoria Incentivo à Leitura – Cultura Digital recebeu 402 indicações válidas. Um colegiado de 12 jurados selecionou dez semifinalistas, que seguiram para votação popular. Ao final do processo, foram definidos cinco finalistas. Além de Pedro Pacífico, o eixo Inovação premiou o projeto Cartovivências nas Periferias da Cidade e o livro Os Substitutos, de Bernardo Carvalho.
Nas outras 22 categorias, o Prêmio Jabuti recebeu 4.675 inscrições de obras e projetos. A premiação é dividida em quatro eixos: Literatura, Não Ficção, Produção Editorial e Inovação. Os vencedores de cada categoria recebem uma estatueta e R$ 5 mil.
O Prêmio Jabuti é o mais tradicional e importante prêmio literário do Brasil. Ele foi criado em 1959 pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) e tem como objetivo reconhecer o trabalho não apenas de autores, mas também de editores, ilustradores, tradutores, capistas e profissionais gráficos que participam da criação de livros.
Prêmio busca ampliar circulação de obras brasileiras
As obras premiadas serão promovidas pela CBL em eventos nacionais e internacionais, incluindo bienais e feiras do livro. A iniciativa busca ampliar a circulação dos trabalhos e aproximá-los de leitores e profissionais de outros mercados. O curador do prêmio, Hubert Alquéres, também destacou a criação da categoria de Cultura Digital e a ampliação da disputa pelo Livro do Ano, que passou a incluir vencedores das categorias de escritores estreantes em Poesia e Romance.
“A estreia de Cultura Digital reconhece o trabalho de quem conquista leitores e cria comunidades em torno dos livros. Também ampliamos a disputa pelo Livro do Ano para incluir os vencedores das categorias de escritores estreantes em Poesia e Romance. São mudanças que abrem espaço a novas trajetórias e ampliam o alcance do prêmio”, declarou.
Gustavo Scarpa, resenhas, Tolstói e Galeitura
Em setembro deste ano, vídeos e fotos do jogador do Atlético-MG, Gustavo Scarpa, começaram a viralizar nas redes sociais, impulsionando o interesse dos torcedores por suas recomendações literárias. O meio-campista publica resenhas de livros desde 2018, mas, neste ano, passou a compartilhar vídeos que ultrapassaram 4 milhões de visualizações.
Desde os tempos de Palmeiras, o atleta já recomendava leituras no Instagram e no YouTube, onde mantém uma lista de obras que leu, como Carta ao Pai, de Franz Kafka; Rei Lear, de William Shakespeare; O Homem que Ri, de Victor Hugo; e Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley.
A movimentação ganhou ainda mais força após o jogador recomendar A Morte de Ivan Ilitch, do escritor russo Liev Tolstói. Depois da indicação, o clássico do século 19 chegou ao primeiro lugar do ranking de livros mais vendidos da Amazon no Brasil, superando títulos de autores como Raphael Montes e a mineira Carla Madeira.
Scarpa falou sobre a obra após a vitória do Atlético contra o Santos, na Arena MRV, na noite de quarta-feira (16). Na ocasião, o jogador, que marcou um dos gols na disputa de pênaltis que garantiu a classificação do Galo, disse estar impressionado com o livro. Com a adesão de outros atletas às leituras, a torcida também passou a acompanhar o movimento, e surgiu entre os atleticanos a brincadeira de que Scarpa estaria “alfabetizando” o elenco.
A iniciativa também inspirou a criação do Galeitura, clube do livro organizado pela torcedora Carolina Marques, de 22 anos, para reunir atleticanos interessados em ler e conversar sobre as obras compartilhadas pelo jogador. Estudante de Letras na Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Carolina conta que a literatura faz parte de sua vida desde a infância e que é torcedora do Atlético desde que nasceu.
A ideia surgiu quando ela pensou em criar um espaço para que a torcida acompanhasse a movimentação literária do elenco. “Eu pensei: nossa, seria muito legal um clube do livro pra gente ler os livros que o Scarpo posta, porque está tendo uma movimentação gigante dentro da torcida”, contou.










