O Governo de Minas Gerais avalia projetos para a implantação das futuras Linhas 3 e 4 do metrô da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), incluindo o trecho entre Contagem e Betim. O tema reapareceu durante a reunião de transição entre a equipe do governo Simões (Novo) e a equipe do governador eleito Cleitinho Azevedo (Republicanos), realizada na última segunda-feira (26).
Durante a reunião foram discutidas diferentes iniciativas de mobilidade urbana e integração entre os sistemas de transporte da região metropolitana de BH. Em coletiva, o governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), afirmou que considera possível destinar recursos previstos para a construção do Rodoanel à linha de metrô entre Contagem e Betim, caso uma decisão judicial impeça a execução da obra rodoviária.
Simões ponderou que os recursos destinados ao Rodoanel devem continuar sendo aplicados em iniciativas de transporte que beneficiem a região atingida pelo rompimento da barragem em Brumadinho.
Por isso, afirmou que não apoiaria transferir o dinheiro para a Linha 3, que ligaria a região da Lagoinha à Savassi, em Belo Horizonte. “Se a Justiça disser que a gente não pode fazer o Rodoanel, eu faria a opção pelo metrô Contagem-Betim, porque esse sim está na região atingida”, afirmou.
O representante também criticou a demora na análise judicial relacionada ao Rodoanel e disse ter orientado a comissão de transição a procurar a Justiça em busca de uma solução. Segundo ele, o processo está parado há mais de 120 dias.
“Mas eu não tô aqui para ficar batendo boca com o juiz. Se ele quer conversar com a comissão de transição, falei: ‘Comissão, procurem, que talvez haja algum caminho para ele sair de cima de um processo em que ele tá sentado já agora há mais de 120 dias’”, disse Simões.
Os recursos de cerca de R$ 5 bilhões seguem sem poder ser usados nas obras devido a um impasse judicial no número de comunidades quilombolas que seriam afetadas pelas obras e, por isso, devem ser ouvidas: enquanto o governo de Minas considera seis, a Federação das Comunidades Quilombolas e Povos Tradicionais de Minas Gerais defende que 137 sejam consultadas.
Em outubro de 2025, a Justiça Federal suspendeu a licença prévia do empreendimento e, embora o TRF6 tenha autorizado o avanço dos procedimentos preparatórios para a consulta em 2026, manteve a exigência de que ela seja concluída antes do início das obras.
Linhas 3 e 4 estão em avaliação técnica
Em resposta ao BHAZ, a Seinfra informou que os projetos das futuras Linhas 3 e 4 estão em fase de avaliação técnica, no âmbito de um acordo de cooperação firmado com o BID e a Codemge. A Linha 3 está prevista para ligar a Lagoinha à Savassi, em Belo Horizonte. Já a Linha 4 prevê a conexão entre Contagem e o Terminal Betim, com integração entre Trem Metropolitano e Veículo Leve sobre Trilhos (VLT).
Em nota enviada anteriormente, em setembro, a secretaria informou que o BID avaliava os estudos existentes para as duas linhas, com previsão de conclusão até o fim de 2026. O acordo de cooperação técnica, formalizado em março deste ano, viabilizou R$ 500 milhões para o aperfeiçoamento dos projetos, a definição de tecnologias e métodos construtivos e a elaboração dos termos de referência.
O projeto da Linha 3 prevê 4,23 quilômetros de extensão e seis estações, com investimento estimado em R$ 4,8 bilhões. A Linha 4, por sua vez, teria 22,6 quilômetros, 18 estações e um terminal, com investimento previsto de R$ 4,5 bilhões.
Governo apresenta avanços nas linhas atuais
Na reunião de transição, a Seinfra também apresentou o andamento da modernização da Linha 1 e das obras da Linha 2 do metrô da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Em fevereiro de 2026, foi inaugurada a Estação Novo Eldorado, em Contagem, primeira expansão do sistema em mais de duas décadas. O empreendimento recebeu investimento de R$ 179 milhões.
A Linha 2 terá 10,5 quilômetros e sete estações, conectando Nova Suíça ao Barreiro, em Belo Horizonte, com previsão de operação integral em 2028. O planejamento inclui ainda a aquisição de 24 novas composições, em investimento de aproximadamente R$ 700 milhões por parte da Seinfra, além da revitalização das estações da Linha 1.
A secretaria também informou que iniciou conversas com as prefeituras de Belo Horizonte, Betim, Contagem e Nova Lima, no âmbito do Pacto pela Mobilidade, para ampliar a integração entre metrô e ônibus municipais e metropolitanos, reduzir o tempo de deslocamento e melhorar a eficiência das linhas.








