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BID visita Belo Horizonte para avaliar estudos para as linhas 3 e 4 do metrô

24/06/2026 às 17h41 - Atualizado em 24/06/2026 às 17h43
metrô BH
(Divulgação/Metrô BH)

Uma comitiva do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) esteve em Belo Horizonte nesta terça e quarta-feira para uma visita técnica para avaliar projetos para a implantação de mais duas linhas do metrô. Paralelamente, a linha 2 — prometida há anos — começa a ganhar forma, com as primeiras estações previstas para julho.

Os técnicos do BID percorreram pontos da capital e da região metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) para dar início à avaliação dos estudos das futuras Linhas 3 e 4 do metrô. A visita é parte do acordo de cooperação técnica firmado em março deste ano entre o banco, a Secretaria de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias (Seinfra) e a Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge).

A equipe fez um pré-diagnóstico nos locais indicados para as linhas, validou informações de estudos já realizados e identificou possíveis ajustes de infraestrutura. Também entrevistou representantes das prefeituras de Betim, Contagem, Nova Lima e Belo Horizonte, além de membros do governo estadual. Os resultados vão embasar a contratação do estudo de concessão dos trechos.

“Os estudos realizados com apoio do BID ficam prontos ainda no segundo semestre deste ano, e vão permitir que possamos avançar em um projeto necessário para Minas Gerais”, disse o governador Mateus Simões.

Durante visita ao Viaduto Beatriz, em Contagem, o subsecretário de Concessões e Parcerias da Seinfra, Vitor Costa, explicou o que está em jogo para a linha 4: “Essa ferrovia poderá ser o corredor que chamamos de linha 4, uma continuação da linha 1, ligando Contagem ao centro de Betim.”

Para Leandro Rodrigues e Silva, gerente de Planejamento da Codemge, o trabalho de campo é essencial: “Isso nos ajuda a esclarecer dúvidas operacionais e a avaliar as possibilidades de integração entre os diferentes modais de transporte”, afirma.

As linhas

A linha 3 prevê 4,23 quilômetros de extensão com seis estações entre a Savassi e a Lagoinha — traçado em avaliação também pelo Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), elaborado pelo BNDES e pelo Ministério das Cidades no ano passado. O investimento estimado é de R$ 4,8 bilhões, com capacidade projetada para 93 mil passageiros por dia até 2035. O projeto contempla expansões para os bairros Sion, Morro do Papagaio, Belvedere, Caiçara e Avenida Pedro II.

A linha 4 terá 22,6 quilômetros ligando Contagem ao terminal Betim, integrando trem metropolitano e VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), com 18 estações e um terminal ao longo do trajeto. O investimento previsto é de R$ 4,5 bilhões, com demanda estimada de 28 mil passageiros na hora de pico em 2045. Juntas, as duas linhas devem gerar aproximadamente 200 mil empregos nas áreas de influência.

O acordo com o BID garante o aporte de R$ 500 mil para a contratação de consultores responsáveis por avaliar e consolidar os estudos técnicos existentes, definir tecnologias e métodos construtivos, e elaborar o termo de referência das linhas.

Novas estações em operação

Antes de qualquer linha entrar em operação, Belo Horizonte ainda aguarda a conclusão da linha 2, cuja construção é aguardada por anos. As primeiras estações — Nova Suíça e Amazonas — devem ser inauguradas em julho, com mais de 90% das obras concluídas, segundo o diretor-geral do Metrô BH, Júlio Freitas.

A conclusão da linha, com 10,5 km até o Barreiro, está prevista para 2028. Quando pronta, ela ampliará em 46% a rede metroviária da RMBH e conectará 90 bairros.

Hoje, a linha 1 — única em operação — conta com 20 estações entre o Vilarinho, em Venda Nova, e o Novo Eldorado, em Contagem, inaugurado em fevereiro deste ano.

O horizonte de expansão vai além das linhas 3 e 4. O ENMU prevê R$ 35,6 bilhões em investimentos para a RMBH até 2054, incluindo a extensão da linha 2 até Ibirité, a extensão da linha 1 até o bairro Beatriz, em Contagem, além de três linhas de VLT (92 quilômetros) e sete corredores de BRT (107 quilômetros).

Segundo o estudo, a execução de todos esses projetos pode reduzir em 840 o número de mortes no trânsito até 2054 e evitar a emissão de 398 mil toneladas de CO₂ por ano, com impacto econômico estimado em R$ 15,9 bilhões pela redução no tempo de deslocamento.

Pedro Rocha Franco

pedro.rocha@bhaz.com.br

Pedro Rocha Franco é jornalista desde 2007 e bacharel em ciências sociais. Foi repórter do jornal Estado de Minas, editor do portal O Tempo e head do departamento de jornalismo digital da Itatiaia. Hoje é gerente executivo do BHAZ. Além disso, colaborou com UOL e Repórter Brasil.

Redação BHAZ

Email: redacao@bhaz.com.br

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