Pacientes foram acomodados sobre mantas estendidas no chão da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Centro-Sul, em Belo Horizonte, por falta de macas e leitos. Imagens enviadas à reportagem mostram diferentes pessoas deitadas no piso da unidade, em meio à superlotação registrada nesta quarta-feira (4).
Uma das pessoas afetadas é um homem de 64 anos, que está na unidade desde segunda-feira (2) para tratar uma queda nos níveis de potássio no organismo. De acordo com a nora dele, a própria equipe da UPA pediu que a família levasse um cobertor para que o paciente pudesse se deitar no chão enquanto aguardava atendimento e uma maca. Veja:
“Desde ontem não tinha maca. Eles pediram minha sogra para levar um cobertor para ele deitar no chão. Só que, fora ele, tem mais pessoas lá que estão deitadas”, relatou a nora. O homem conseguiu uma maca posteriormente para receber medicação, mas, segundo a familiar, ainda não havia previsão de transferência para um hospital.
A medicação precisa ser administrada e acompanhada ao longo do tempo, já que os níveis de potássio precisam ser monitorados. A familiar também afirma que outros pacientes estavam na mesma situação e que alguns aguardavam havia mais de dois dias por atendimento em condições adequadas.
A mulher conta que a superlotação na UPA Central é frequente, mas que nunca havia visto pacientes deitados no chão. Ela também relatou que, quando uma equipe de reportagem chegou à unidade, funcionários teriam pedido que as mantas fossem escondidas e que as pessoas deitadas no piso se acomodassem em cadeiras.
Prefeitura se manifesta
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde (SMSA) afirmou que a UPA Centro-Sul registrou alta demanda nesta quarta-feira (4), com 154 pacientes atendidos ao longo do dia. Desse total, 127 foram classificados como casos verdes, considerados não urgentes.
A Secretaria informou que a unidade conta com escala médica completa, com 10 profissionais no plantão, e que dispõe de cadeiras para acomodar os usuários e macas destinadas aos pacientes que precisam de observação.
Segundo a SMSA, alguns pacientes, acompanhantes e pessoas em situação de rua optam por ficar no chão, mesmo após orientações da equipe de enfermagem para que permaneçam nas cadeiras.
A Secretaria explicou ainda que as UPAs seguem o Protocolo de Manchester, que estabelece prioridades de atendimento conforme a gravidade dos casos. Com isso, pacientes classificados como verdes podem enfrentar maior tempo de espera.
A Prefeitura também destacou a oferta de teleconsultas, de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h, para pessoas com sintomas leves, como gripe, diarreia, vômitos, suspeita de infecção urinária e dores articulares.










