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A região da Praça da Estação e os hotéis históricos de BH

05/06/2026 às 17h14
Painel com hotéis históricos da região central de BH. (Crédito: Ulisses Morato / Montagem).

Partindo da Praça Rui Barbosa, mais conhecida como Praça da Estação, algumas das mais importantes vias da capital mineira, como a Avenida Santos Dumont, a Avenida Amazonas e as ruas da Bahia, dos Caetés e dos Guaicurus, tornaram-se locais preferenciais para empreendimentos do setor hoteleiro desde os primórdios da cidade, pontuando a nossa paisagem urbana com edificações que entraram para a história da arquitetura mineira.

Desenho feito pelo arquiteto Luiz Olivieri retratando a inauguração da estação ferroviária provisória de BH, na Praça Rui Barbosa, em 1895. (Crédito: Museu Histórico Abílio Barreto).

Por décadas, o mais moderno meio de transporte utilizado para que pessoas e materiais chegassem a Belo Horizonte foi o trem, que, desde 1895, já contava com um terminal provisório na Praça Rui Barbosa. Com a inauguração da primeira estação ferroviária no local, em 1898, a região consolidou-se como uma das principais portas de entrada da capital. De lá, as mercadorias eram distribuídas sobretudo no chamado Bairro do Comércio, cujo eixo era a própria Avenida do Comércio (atual Santos Dumont), enquanto grande parte dos viajantes buscava hospedagem em suas redondezas. Essa dinâmica urbana só veio a se alterar quando as redes ferroviárias no Brasil perderam relevância para o transporte rodoviário, a partir dos anos 1950.

O Hotel Sul-Americano, de arquitetura eclética, em anúncio publicado na revista O Cruzeiro, em maio de 1932. (Crédito: Biblioteca Nacional).
O Hotel Majestic, de arquitetura art déco, em anúncio publicado na revista Bello Horizonte, em junho de 1938. (Crédito: Arquivo Público da Cidade de Belo Horizonte).

Nesse contexto, sobretudo na primeira metade do século XX, muitos hotéis, em diversos estilos arquitetônicos, se instalaram em pontos estratégicos da região central da cidade, formando um qualificado patrimônio edificado, com a assinatura de notáveis arquitetos que atuaram na capital mineira, como Antônio da Costa Christino, Luiz Signorelli e Romeo de Paoli. Essas obras, além de apresentarem apurado valor estético, representam parte importante da memória econômica e social de Belo Horizonte nesse período — muitas delas hoje reconhecidas como patrimônio cultural do município.

Conheça hotéis históricos da região da Praça da Estação

1. Antigo Hotel Solar
Antigo Hotel Solar, na Rua dos Caetés, n. 253. Imóvel tombado. (Crédito: Guia do Bem, s.d.).

Esse belo exemplar do ecletismo de influência neoclássica foi construído em 1912, com projeto do arquiteto português Antônio da Costa Christino. A obra se destaca pela requintada ornamentação da fachada, onde notamos variados motivos vegetais, incluindo capitéis coríntios, bem como um elegante frontão de arco abatido e balcões com guarda-corpos em ferro rendilhado. Vale destacar que o pavimento térreo dessa edificação foi destinado ao uso comercial, configurando uso misto.

2. Hotel Sul-Americano

Hotel Sul-Americano, na Rua dos Caetés, esquina com a Av. Amazonas. Imóvel tombado. (Crédito: Guia do Bem, s.d.).

O Hotel Sul-Americano, projetado por Luiz Signorelli em 1928, é um expressivo exemplar da arquitetura hoteleira de Belo Horizonte no início do século XX. Implantado na esquina da Avenida Amazonas com a Rua dos Caetés, o edifício se destaca pela valorização da esquina, com seu arremate curvilíneo coroado por uma cúpula, solução que reforça sua presença urbana e confere monumentalidade à composição. O hotel permanece em uso até os dias atuais.

3. Hotel Imperial Palace
Hotel Imperial Palace, na Rua dos Guaicurus, esquina com a Rua Rio de Janeiro. (Crédito: Museu Histórico Abílio Barreto, 1940).

O Hotel Imperial, projetado por Romeo de Paoli em 1935, é um dos mais expressivos exemplares da arquitetura art déco de Belo Horizonte. O edifício valoriza sua volumetria por meio de linhas geométricas depuradas, superfícies pouco ornamentadas e marcantes elementos verticais que conduzem o olhar até a platibanda escalonada. A composição evidencia os princípios de modernidade e racionalidade característicos do estilo, tendo como um dos seus destaques o chanfro da esquina, solução que reforça a expressividade do conjunto. Nessa obra, o pavimento térreo também é usado para a instação de estabelecimentos comerciais.

4. Magnifico Hotel
Magnífico Hotel, na Rua dos Guaicurus, n. 601, esquina com a Rua São Paulo. Imóvel em processo de tombamento. (Crédito: Museu Histórico Abílio Barreto, 1940).

Essa obra, projetada por Romeo de Paoli em 1935, apresenta uma arrojada composição arquitetônica art déco de grande expressividade racionalista. Em suas fachadas, notamos a completa abolição dos ornamentos figurativos e a aplicação de uma grelha saliente de frisos retilíneos, com destaque para aqueles que marcam as arestas verticais da edificação. Naquela época, os edifícios construídos nesse estilo, em consonância com as aspirações progressistas da metrópole em crescimento, eram frequentemente chamados de cubistas, futuristas ou modernos.

5. Hotel Majestic
Hotel Majestic, na Rua dos Caetés, esquina com a Rua Espírito Santo. (Crédito: Ivan Capdeville Junior, 2024).

O Hotel Majestic, projetado por Romeo de Paoli em 1936 para o empresário libanês Aziz Abras, é outra obra emblemática da arquitetura art déco em Belo Horizonte. A edificação se destaca pelo tratamento dado à esquina, resolvida por meio do volume arredondado com balcões semicirculares sobrepostos, que conferem movimento e elegância à composição. As linhas horizontais das marquises, marquises e guarda-corpos metálicos contrastam com os elementos verticais da fachada, criando um equilíbrio característico do estilo. O hotel continua em pleno funcionamento.

6. Hotel Amazonas
Hotel Amazonas, na Avenida Amazonas, n. 120. Imóvel tombado. (Crédito: Ulisses Morato, 2025).

O Hotel Amazonas, projetado em 1947 pela firma Mazoni & Magalhães Engenharia e Arquitetura, é um expressivo marco do processo de verticalização de Belo Horizonte no pós-guerra, possibilitado pelos avanços construtivos associados ao uso do concreto armado. Trata-se de um autêntico exemplar da arquitetura protomoderna, caracterizada pela mescla de elementos art déco e modernistas. Sua composição é marcada pelas varandas assimétricas com bordas arredondadas, que conferem leveza e movimento à fachada, além de reforçarem a verticalidade do conjunto.

Editado por: Ulisses Morato

Ulisses Morato

Ulisses Morato é doutor em arquitetura pela Universidade de Lisboa, especialista em construção civil pela UFMG e arquiteto pelo Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix. Atuou na diretoria do Instituto de Arquitetos do Brasil e no Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural de Belo Horizonte. É professor de pós-graduação na PUC Minas, editor da página Arquitetos de Belo Horizonte e gestor da Cultura Arquitetônica, dedicada a serviços e eventos na área do patrimônio edificado.
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Ulisses Morato

Email: [email protected]

Ulisses Morato é doutor em arquitetura pela Universidade de Lisboa, especialista em construção civil pela UFMG e arquiteto pelo Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix. Atuou na diretoria do Instituto de Arquitetos do Brasil e no Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural de Belo Horizonte. É professor de pós-graduação na PUC Minas, editor da página Arquitetos de Belo Horizonte e gestor da Cultura Arquitetônica, dedicada a serviços e eventos na área do patrimônio edificado.

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