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Caetano Defranco: centenas de projetos e múltiplas linguagens

01/11/2026 às 11h02
Casarão neocolonial na Av. Assis Chateaubriand, n. 291, projetado por Caetano Defranco em 1936. Imóvel tombado. (Crédito: Guia do Bem).

Pouco lembrado na historiografia especializada local, Caetano Defranco merece ter o seu nome resgatado e ser devidamente reconhecido como um dos mais destacados profissionais da arquitetura em Belo Horizonte na primeira metade do século XX, tendo legado à cidade um expressivo conjunto de obras. Este artigo é uma homenagem a esse arquiteto, que primou pelo apuro técnico e estético em suas composições.

Caetano Domingos Defranco, filho de italianos e nascido em São João del-Rei (MG), em 1902, foi um dos mestres da arquitetura residencial produzida em Belo Horizonte entre as décadas de 1920 e 1930, período em que elaborou mais de 400 projetos. Na capital mineira, há registros de que o arquiteto manteve escritório em dois endereços: na Rua dos Tupis, n. 26, e na Avenida Afonso Pena, n. 398, próximo ao antigo Cinema Avenida.

Fotografia de Caetano Defranco. (Acervo da família/Cedida por Denise de Ávila Defranco).

Assim como muitos dos seus contemporâneos que trabalhavam com projetos de edificações no Brasil, Caetano Defranco provavelmente aprendeu o seu ofício na prática. No entanto, suas obras refletem uma notável versatilidade arquitetônica, abrangendo criações nos estilos eclético tardio (neocolonial e normando), art déco e protomoderno, evidenciando o pleno domínio do arquiteto sobre essa gama de expressões estéticas.

Casarão que pertenceu a Sabino José Ferreira, em estilo eclético tardio de influência neoclássica. Obra projetada por Defranco em 1933 e erquida na Av. Álvares Cabral, n. 580. Imóvel tombado. (Crédito: Ulisses Morato)

Embora tenha falecido precocemente, aos 38 anos de idade, a sua produção foi profícua e deixou marcas importantes na cidade. Defranco não apenas contribuiu significativamente para a formação da paisagem urbana da jovem capital, mas também ajudou a moldar a identidade arquitetônica local. Muitos dos sobrados e casarões de sua autoria ainda podem ser admirados em Belo Horizonte e integram o patrimônio cultural do município.

Casarão neocolonial projetado por Defranco em 1933, a pedido de Domingos Malaco, e construído na Rua Marechal Deodoro, n. 294, no bairro Floresta. (Crédito: Dossiê de tombamento / APCBH).

Sabe-se que, a partir de 1939, o destacado arquiteto prestou serviços de projeto para outra nascente capital brasileira, Goiânia. Entretanto, em 16 de fevereiro de 1940, o jornal carioca A Noite publicou uma nota sobre seu assassinato, informando que Defranco havia chegado àquela cidade dois dias antes, a convite do interventor federal em Goiás, Pedro Ludovico, para elaborar projetos de numerosas residências. Esse trágico episódio interrompeu bruscamente a sua prodigiosa carreira.

Obras projetadas por Caetano Defranco

1. Casarão Avenida Assis Chateaubriand
Casarão neocolonial projetado em 1936 e construído na Avenida Assis Chateaubriand, n. 273, no bairro Floresta. Imóvel tombado. (Crédito: Guia do Bem).
2. Casarão Rua Espírito Santo
Casarão neocolonial projetado em 1935 e construído na Rua Espírito Santo, n. 1912, bairro Lourdes. Imóvel tombado. (Crédito: Ulisses Morato).
3. Sobrado Avenida Álvares Cabral
Sobrado art déco projetado em 1937 e construído na Avenida Álvares Cabral, n. 510. Imóvel tombado. (Crédito: Ulisses Morato).
4. Sobrado Avenida Bias Fortes
Sobrado art déco projetado em 1936 e construído na Avenida Bias Fortes, n. 1101. Imóvel tombado. (Crédito: Ulisses Morato).
5. Sobrado Avenida Afonso Pena
Sobrado em estilo normando, projetado em 1937 e atualmente sede do Museu dos Brinquedos, na Av. Afonso Pena, n. 2564. Imóvel tombado. (Crédito: Guia do Bem).
6. Casa Rua Padre Eustáquio
Casa em estilo eclético tardio, de influência neoclássica, projetada em 1937 e construída na R. Padre Eustáquio, n. 461. Imóvel tombado. (Crédito: Guia do Bem).
7. Sobrado Avenida Brasil
Sobrado art déco projetado em 1937 e construído na Avenida Brasil, n. 1103. Imóvel tombado. (Crédito: Guia do Bem).

Editado por: Ulisses Morato

Ulisses Morato

Ulisses Morato é doutor em arquitetura pela Universidade de Lisboa, especialista em construção civil pela UFMG e arquiteto pelo Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix. Atuou na diretoria do Instituto de Arquitetos do Brasil e no Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural de Belo Horizonte. É professor de pós-graduação na PUC Minas, editor da página Arquitetos de Belo Horizonte e gestor da Cultura Arquitetônica, dedicada a serviços e eventos na área do patrimônio edificado.
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Ulisses Morato

Email: ulisses.phd@gmail.com

Ulisses Morato é doutor em arquitetura pela Universidade de Lisboa, especialista em construção civil pela UFMG e arquiteto pelo Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix. Atuou na diretoria do Instituto de Arquitetos do Brasil e no Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural de Belo Horizonte. É professor de pós-graduação na PUC Minas, editor da página Arquitetos de Belo Horizonte e gestor da Cultura Arquitetônica, dedicada a serviços e eventos na área do patrimônio edificado.

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