Na esquina da Avenida Amazonas com a Rua Espírito Santo, a poucos metros da Praça Sete, ergue-se o expressivo Edifício Hércules, com uma elegante volumetria de dezenove pavimentos. Projetado pelo arquiteto Sandoval Santos de Azevedo Filho em 1964, é uma das joias modernistas do Centro de Belo Horizonte e merece ser reverenciado, embora muitas vezes passe despercebido no corre-corre diário de quem circula pela região central da capital.

Essa imponente construção — que abriga lojas e escritórios e cuja composição dialoga com as formas curvilíneas de outros icônicos edifícios modernistas da Praça Sete, como o P7 Criativo, o Helena Passig e o Joaquim de Paula — segue uma tradição formal da arquitetura de Belo Horizonte, em que elegantes volumetrias “aerodinâmicas” suavizam esquinas pontiagudas. A edificação apresenta duas soluções distintas de fachada: a voltada para a Avenida Amazonas é marcada por placas verticais; a orientada para a Rua Espírito Santo destaca-se pelas lâminas horizontais duplas entre os pavimentos.

Antes da construção do Edifício Hércules, no mesmo terreno existiu uma edificação de feição eclética com quatro pavimentos que abrigou uma das antigas agências do Banco de Crédito Real de Minas Gerais. Fundado em Juiz de Fora, em 1889, o Credireal tornou-se um dos mais importantes bancos do Brasil até ser incorporado pelo Bradesco em 1997.

O arquiteto Azevedo Filho, formado pela Escola de Arquitetura da UFMG em 1949, projetou também, em 1959, outra emblemática obra do modernismo belo-horizontino: o Edifício Trianon, situado na Rua da Bahia, n. 910, cuja fachada de 18 andares se distingue pelos brises metálicos verticais.











