O Centro de Belo Horizonte é um vasto repositório de construções que preservam significativo valor histórico e representam a diversidade de expressões estilísticas produzidas ao longo da história da cidade. Na Rua São Paulo, n. 401, quase na esquina com a Avenida Afonso Pena, encontra-se um dos exemplares mais notáveis da nossa arquitetura art déco: o Edifício Thibau, projetado em 1943 pelo arquiteto Hermínio Gauzzi, por encomenda do Coronel Eugênio Thibau.
O edifício, tombado como patrimônio cultural do município, apresenta uma fachada de raro apuro formal, marcada por varandas arredondadas e salientes, ancoradas por paredes curvilíneas que conformam o volume central e acentuam a verticalidade do conjunto. O coroamento, também delineado por linhas curvas, reforça a plasticidade da fachada e evoca traços presentes nas igrejas mineiras de feição barroca.

O arquiteto Hermínio Gauzzi, de ascendência italiana, autor de mais de setenta projetos na cidade ao longo dos anos 1940, formou-se pela Escola de Arquitetura de Belo Horizonte em 1941. Ainda estudante, em 1936, recebeu o prêmio de arquitetura, com um projeto para a Casa do Jornaleiro, na primeira exposição coletiva de arte moderna da capital, evento histórico conhecido como Salão do Bar Brasil, realizado no edifício do Cine Brasil.
Destacado empresário e um dos pioneiros de Belo Horizonte, o Coronel Eugênio Thibau foi proprietário de uma suntuosa chácara na Rua Itapecerica, erguida no bairro Lagoinha em fins do século XIX, e residiu no Palacete Thibau, que existiu até os anos 1950 na esquina da Avenida Afonso Pena com a Rua Espírito Santo — ambas as edificações projetadas pelo renomado arquiteto italiano Luiz Olivieri. Em sua homenagem, em 1968, a Prefeitura Municipal de Belo Horizonte batizou uma rua do bairro São Gabriel com seu nome.












