Ainda no ano passado, aceitei o convite para narrar um episódio da série Vozes do Carnaval, produzida pela Teia de Criadores. Ao topar narrar um pouco da história de como o Carnaval chegou até aqui, ficou ainda mais evidente para mim que narrar o carnaval é também narrar um pouco da história da Gabinetona e da forma como escolhemos fazer política na cidade.
Defender o Carnaval de BH sempre foi, para mim, uma escolha política e afetiva, e que combina com a cara do nosso mandato, que sempre está ao lado da cidade viva, diversa e popular que se constrói nas ruas. Desde que cheguei à Câmara Municipal, em 2017, caminhamos junto com quem faz o carnaval acontecer, com trabalho, criatividade, organização coletiva e um compromisso profundo com a cidade.
O carnaval que hoje é um dos mais famosos do Brasil não nasceu ontem, nem em 2010. A tradição do festejo caminha junto com a história da cidade, com a fundação dos blocos caricatos, passando pela fundação de escolas de samba, da Banda Mole, e dos blocos de rua. Espalhados pelos territórios, esses coletivos vem redesenhando a relação das pessoas com a cidade há décadas. E meu papel enquanto vereadora é reconhecer essa força que vem das ruas e trabalhar para que ela seja potencializada e preservada pelas políticas
públicas.
Ter o carnaval como pauta do nosso mandato exigiu enfrentamentos ao longo dos anos. Estive na linha de frente contra o monopólio de megaempresas sobre a festa, uma tentativa de controlar o carnaval e definir suas regras. Em 2020, estive ao lado dos blocos na luta contra o bloqueio imposto pelo governo estadual, que barrou os trios elétricos de desfilarem na cidade. Em todos os momentos, defendemos a autonomia cultural de Belo Horizonte e o direito de a cidade decidir seus próprios caminhos.
Ao longo desses anos, nosso compromisso também se materializou em leis que ajudam a garantir que o carnaval siga sendo popular, diverso e democrático. Conseguimos aprovar por unanimidade, em 2025, a Lei Geral do Carnaval, que estabelece princípios e diretrizes para a festa e que foi construída em diálogo com quem faz a festa. Também já aprovamos a Lei dos Blocos Caricatos, que protege uma tradição única da cidade, e a Lei da Dignidade Ambulante, que reconhece o direito ao trabalho de quem sustenta o carnaval todos os dias. Em 2025, também atuamos para garantir recursos ao projeto Recicla Belô, fortalecendo o trabalho de catadores e catadoras e tornando a festa mais justa e sustentável.
Hoje, essa trajetória precisa seguir com ainda mais firmeza diante de uma investida conservadora na Câmara Municipal. Projetos como o PL 11/2025, que quer proibir a presença de crianças no carnaval e na Parada LGBT, e o PL 298/2025, que quer impedir os blocos e eventos de acontecerem próximos a templos religiosos, hospitais e casas de repouso, atacam diretamente a liberdade de expressão, a diversidade cultural e o direito à
cidade.
Belo Horizonte pode contar comigo para seguir defendendo o carnaval. Em um contexto de tentativas de censura e restrição, defender o carnaval é defender trabalho, cultura e democracia, e a possibilidade concreta de construir uma cidade viva, plural e profundamente popular, onde a liberdade de expressão não seja negociável.









