Apesar da circulação mundial da MPOX ocorrer desde 2022, os novos casos em 2026 acenderam a preocupação em muitas pessoas. E, com essa preocupação, surgem informações erradas e imprecisas, que se espalham por todos os cantos.
Tecnicamente falando…
A doença MPOX, antes chamada varíola dos macacos, é causada pelo vírus MPXV, do gênero Orthopoxvirus, da família Poxviridae, que inclui os vírus da varíola bovina, da varíola humana e outros. Existem dois clados distintos do vírus: o clado I (com os subclados Ia e Ib) e o clado II (com os subclados IIa e IIb). O clado I é o mais letal e que se disseminado rapidamente, principalmente na África Central. Já o clado II é responsável pelo surto global que começou em 2022 e está sendo frequentemente associado à transmissão sexual.
Brasil
No Brasil, circulam tanto MPOX do clado I quanto do clado II, e ambos são monitorados pelo Ministério da Saúde. Temos um sistema de vigilância muito ativo, que registrou 1.079 casos em 2025. No primeiro trimestre de 2026, já temos 140 casos confirmados, com a maior concentração no estado de São Paulo.
Em Minas Gerais, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) confirmou, até o março de 2026, 19 casos da doença. Todos os infectados evoluíram para a cura. A maioria absoluta é do sexo masculino, com idades entre 25 e 56 anos. Belo Horizonte é o principal foco de atenção, onde ocorreram 12 dos 19 casos deste ano.
Verdades e mentiras
“A MPOX é uma doença exclusiva de um grupo específico.”
MENTIRA. Embora os dados mostrem predominância entre homens que fazem sexo com homens, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que qualquer pessoa, independentemente da orientação sexual, pode ser infectada por meio do contato próximo com secreções respiratórias ou objetos contaminados.
“Existe uma nova variante circulando em 2026.”
VERDADE. A OMS monitora o surgimento de variantes recombinantes (combinação dos clados Ib e IIb, e os métodos de diagnóstico atuais no SUS detectam estas variantes).
“A vacinação está disponível para toda a população.”
MENTIRA. No Brasil, a vacinação é estratégica e direcionada para os grupos de alto risco, como pessoas vivendo com imunossuprimidas, como os HIV positivos, e profissionais de laboratório que manipulam amostras potencialmente infectadas; e também pessoas que tiveram contato direto com casos confirmados de MPOX
“A MPOX é um efeito colateral da vacina contra a COVID-19.”
MENTIRA. Esta é uma das desinformações mais difundidas e perigosas. O vírus da MPOX foi identificado em humanos pela primeira vez em 1970, muito tempo antes do surgimento do SARS-CoV-2 que causa a COVID-19. Não há qualquer componente nas vacinas para a COVID que possam causar a MPOX, nem tampouco introduzir o vírus no corpo. São dois vírus muito diferentes com sintomas específicos.
“As feridas da MPOX são Herpes Zoster ou cobreiro.”
MENTIRA. Tanto MPOX quanto Herpes Zoster causam lesões na pele que podem ser dolorosas, mas também são vírus distintos e doenças diferentes
O Herpes Zoster é a reativação do vírus da catapora, o Varicela-Zoster. O diagnóstico diferencial por PCR é a única forma segura de distinguir as duas doenças. Confundir uma com a outra pode atrasar o tratamento correto e o isolamento necessário, facilitando a transmissão e o surgimento de caso graves.
“A imunidade da vacina da COVID protege contra a MPOX.”
MENTIRA. Como são vírus diferentes, a proteção de um não serve para o outro. A única vacina que protege contra a MPOX é a da Varíola Humana, uma doença que foi erradicada pela vacinação na década de 1980 (chamamos de proteção cruzada). Isso acontece porque este dois vírus são da mesma família, a Poxviridae. A vacina contra a COVID-19 treina nosso sistema imunológico para combater o SARS-CoV-2.
Fique atento!
Para variar, as redes sociais têm sido o palco para teorias que tentam ligar a MPOX a outras doenças, sem qualquer base científica. É preciso muito cuidado antes de compartilhar qualquer informação de saúde. Sempre consulte as fontes oficiais como a OMS, o Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Infectologia.
Não há nenhum motivo para pânico com relação à MPOX. Fique atento e procure atendimento de saúde se você apresentar lesões na pele com febre ou ínguas, se teve contato próximo com caso suspeito ou confirmado, e se pertence a um grupo com maior risco de complicações, como HIV/Aids, gestantes, transplantados, pacientes oncológicos, crianças e idosos.
Lembre–se: a prevenção é o melhor cuidado. Para MPOX evite contato direto com pessoas com suspeitas ou com confirmação da doença. E para evitar qualquer doença microbiana: não compartilhe objetos pessoais; lave as mãos com água e sabão ou higienize com álcool em gel; limpe e desinfete superfícies.
Se você quiser saber mais sobre a MPOX consulte o Ministério da Saúde neste link https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/m/mpox e nunca compartilhe informações das quais você não tem certeza ou não consultou nas fontes oficiais.









