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Churrasqueira, Parrilla e Pitsmoker: Três das principais tradições churrasqueiras mundiais se encontram em BH

Churrasqueira, Parrilla e Pitsmoker: Três das principais tradições churrasqueiras mundiais se encontram em BH

04/10/2024 às 09h32 - Atualizado em 04/10/2024 às 09h50
Lindos e ótimos cortes assados na parrilla pelo Valença, em BH.
Lindos e ótimos cortes assados na parrilla pelo Valença, em BH.

Muitos países irão reclamar para si o título de melhor carne na brasa do mundo. Ou o que eu chamo de maior tradição churrasqueira mundial. É compreensível que muitos o façam, porque se reunir em volta do fogo para preparar um carne de caça é coisa mais antiga que andar pra frente.

A variedade existe. Preparos asiáticos conhecidos como Yakiniku consistem na experiência do cliente fazer sua própria carne, servida em finas fatias e grelhadas à mesa. A tradição russa (chachlik) preza por marinar as carnes na véspera, garantindo pujança no sabor e maciez após grelhada. Mas na minha opinião, as três melhores e mais influentes tradições churrasqueiras no mundo são a brasileira, americana e argentina.

É natural que haja alguma similaridade entre Brasil e Argentina, pela aproximação geográfica. Embora haja um valorização de cortes diferentes, estas tradições compartilham mais semelhanças do que diferenças, na minha opinião. Já a americana é bem diferente. O objetivo dessa coluna é, de maneira simplória, falar um pouco sobre as diferenças nessas tradições, o sincretismo delas para ganhar o paladar brasileiro e onde comer boas carnes assadas na cidade.

Argentina

A mudança já está no instrumento. A Parrilla se difere da churrasqueira brasileira por ter grelhas em formato V, para escorrer a gordura, e caixa de carvão ao lado, para que haja a queima do mesmo e somente a brasa seja transferida para abaixo das carnes. Além disso, utilizam lenha, que garante uma queima mais longeva e homogênea.

Entre os cortes mais comuns estão a entraña, ojo de bife, mollejas e bife de chorizo. Entre os acompanhamentos, o mais comum é encontrar pães e batatas fritas, além do tradicional chimichurri.

Em Belo Horizonte contamos com boas parrillas:

Valença: Nova na cena butequira, a casa fica no Gutierrez e serve bons cortes na parrilla com acompanhamentos mais abrasileirados, como arroz de costela, farofa de ovos, bolinhos e coxinha. No fogo vão cortes mais argentinos como chorizo, vazio e assado de tira e até mesmo peixe, porco e cordeiro. A casa também tem uma bela carta de drinks, entre R$ 25 e R$ 35. Na Avenida Marquês de Valença 24 – Gutierrez.

Azougue: Em funcionamento há mais de 6 anos na Serra, o Azougue tem como carro chefe as parrilladas. Nela você garante cortes de boi, frango, linguiça e acompanhamentos de primeira. Adoramos os legumes na brasa, que vem temperados com pesto, mel e até creme azedo. No fogo uma proposta mais abrasileirada, com picanha, baby beef, chorizo, tilápia e peito de frango. Na Rua do ouro, 835 – Serra.

Parrillada no Azougue: Ancho, Chorizo, linguiça defumada na casa e legumes na brasa.
Parrillada no Azougue: Ancho, Chorizo, linguiça defumada na casa e legumes na brasa.

Parrilla del Mercado: Talvez a parrilla mais tradicional da cidade. Em operação há muitos anos no Mercado do Cruzeiro, tem como carro chefe o bife parrillero, que é um chorizo aberto ao molho de vinho. Além deste, saem cortes como costeletas suínas, assado de tira, picanha e salmão. Na Rua Ouro Fino, 452 – Loja 14 Mercado Distrital do Cruzeiro.

Dorival: Um dos lugares onde melhor se come uma carne em Belo Horizonte. O lugar explora cortes pouco vendidos na cidade como vazio, flat iron e galeto. Vale a pena também experimentar o ótimo denver e a linguiça parrillera. Entre os acompanhamentos, croquetes, pastéis, steak tartare e até ceviche. Na Alameda da Serra, 841, Vila da Serra

Bife de vazio no Dorival
Bife de vazio no Dorival

Americana

Apesar de ser comum ter uma grelha no quintal para o preparo de hamburgueres e steaks, a tradição churrasqueira americana está muito baseada em preparos lentos no pitsmoker (defumador). Eles usam bastante temperos secos (dry rubs) e lenhas frutíferas. Não é incomum que os preparos demorem até dois dias, com o objetivo de obter bons anéis de defumação e maciez.

Entre os cortes mais comuns estão a costela suína, o peito bovino (brisket), coxa de frango e o T-Bone. Entre os acompanhamentos, milho cozido (sweet corn), salada de repolho (coleslaw) e até mesmo o famoso Mac’n’cheese.

Casas especializadas na tradição americana são mais recentes que as parrillas. Acredito que a casa mais longeva, ainda em atividade, seja a primeira da lista:

Coal BBQ: Fundado em 2017, são especializados em carne no pitsmoker. Entre os carros chefe estão o brisket e o pulled pork. Possuem duas unidades, a primeira em Nova Lima (Avenida Canadá 179 – Jardim Canada) e também no terceiro andar do Mercado Novo. O milho cozido deles é excelente, acompanha super bem as carnes.

Na Tora: Não é bem uma casa americana, mas fazem cortes defumados de primeira. No almoço, misturam referências brasileiras e até asiáticas com os preparos no pitsmoker. Além de feijoada, trabalham com frango na lenha de laranjeira, brisket, costela e pulled pork. Nos acompanhamentos, destaque para o creme de milho e o feijão, sempre novinho. Na Rua Tombos, 14 – Prado.

Almoço de peito bovino defumado (brisket) no Na Tora.
Almoço de peito bovino defumado (brisket) no Na Tora.

Fillys: Além das carnes deliciosas, tem uma bela variedade de cervejas artesanais autorais. Do fogo saem cortes Brasil/EUA como costelão bovino, cupim, pulled pork e brisket. Para acompanhar, propostas bem brasileiras, como arroz branco e mandioca na manteiga. Entre os petiscos, boas propostas americanas, como pastrami e buffalo wings. Na Rua Castelo de Lisboa, 410 – Castelo.

Brasileira

É engraçado definir com poucas palavras algo tão relevante para a nossa cultura. Faço churrasco para 2, 20 ou 200 pessoas. Há muito deixou de ser um evento para se tornar algo corriqueiro na minha rotina. Mas o que difere a tradição brasileira para as outras é a utilização de espetos, a seleção de cortes bovinos e, talvez, o maior uso comum de cortes de outros animais. No Brasil se come frango, porco, peixe, queijo e outras proteínas mais incomuns nas outras tradições.

Entre os cortes mais comuns estão a alcatra, baby beef, picanha, fraldinha, coração de frango e linguiças.

Falando de casas, as opções são múltiplas. São vários espetinhos que representam o Brasil como tradição churrasqueira. Temos também casas que mantém os rodízios no espeto, costume brasileiro que ficou famoso no mundo. Mas como somos Um Bar por Semana, achei por bem selecionar bares com bons churrascos:

Iva Rainha da Picanha: O carro chefe, como o próprio nome já sugere, é a picanha. Servida no espeto que intercala peças sempre com boa camada de gordura e cebolas, é fatiada à mesa junto a uma porção de mandioca cozida. A execução sempre bem feita do simples, trouxe sucesso à casa que abriu recentemente sua segunda unidade. A primeira está na Av. Dr. Cristiano Guimarães, 1060 – Planalto. E a segunda, na R. João Ricaldoni Filho, 51 – Castelo.

Bar do Silvinho: Aquele que, na minha opinião, faz o melhor coração de frango do Brasil. Só provando mesmo para entender. E além da iguaria, também assa cortes de picanha, salmão, tulipas de frango, entre outros. O garçom leva as peças à mesa para você autorizar o preparo. A casa tem 4 unidades e a que mais gostamos está na Av. Londres, 620 – Novo Eldorado em Contagem.

Churrasquinhos do Luizinho: Obviamente precisamos de um espetinho nessa lista, e o Luizinho é um dos principais representantes do estilo. Com uma longa história no Prado, tem clientela muito fiel e atendimento de primeira. Uma coisa interessante no bar são as opções de espetinho que fogem do convencional, como o de torresmo de barriga e o show do milhão (frango envolto no parmesão). A casa também acerta nos espetos tradicionais. Fica na Rua Turquesa 349 – Prado.

Editado por: Pedro Costa

Pedro Costa

Deixou a carreira de gerente comercial para se dedicar totalmente a sua paixão: O universo da gastronomia. À frente de bares e projetos do ramo, é belo-horizontino com o maior orgulho possível, cozinha por gosto e também por obrigação e não dispensa uma boa festa.
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Email: [email protected]

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