TikTok
Youtube
X (Twitter)
Instagram
Facebook
Whatsapp
Logomarca BHAZ

Colunas

Muito além do “desce queimando”: a evolução da cachaça mineira

21/05/2026 às 16h35

Hoje é Dia da Cachaça Mineira. E talvez uma das maiores injustiças que a gente tenha feito com a nossa própria cultura tenha sido ensinar tantas pessoas a enxergarem a cachaça apenas como uma “bebida de virar”. Porque basta alguém falar “bora tomar uma cachacinha?” que muita gente automaticamente já imagina o copinho descendo de uma vez, a careta no rosto e aquela sensação do estômago queimando por horas.

E eu sempre acho curioso como essa lógica praticamente só existe com a cachaça. Porque ninguém chama alguém para tomar um vinho esperando que a pessoa vire a taça de uma vez. Ninguém pede um whisky para tomar no susto. Existe toda uma construção em torno da experiência: sentir aroma, perceber sabor, conversar, viver o momento. Mas com a cachaça, por muito tempo, a gente transformou o consumo quase em uma prova de resistência física.

O mais injusto nisso tudo é que a cachaça mineira carrega exatamente aquilo que tantas outras bebidas valorizadas no mundo inteiro também carregam: tradição, técnica, território, história e identidade cultural. A cachaça nasceu nos engenhos, atravessou gerações dentro dos alambiques e faz parte da construção da própria história de Minas Gerais. Ainda assim, durante muitos anos, ela foi marginalizada e reduzida apenas à ideia do “desce queimando”.

Mas o setor mudou — e mudou muito. Conversando com a sommelière, jurada de cachaça e proprietária do Köbes, Lígia Paula Alves, uma coisa me chamou atenção: hoje a régua de qualidade da cachaça mineira é extremamente alta. E isso não acontece por acaso. Existe estudo, treinamento, análise técnica e um cuidado enorme com cada detalhe da produção.

Segundo Lígia, a cachaça é considerada “o destilado mais complexo do mundo”. E essa complexidade já aparece até mesmo nas versões brancas, sem passagem por madeira, através do frescor, da acidez, do teor alcoólico e das características naturais da bebida. Depois entram ainda as madeiras, que acrescentam novas camadas sensoriais.

Ela também explica que existe um mito de que a madeira serviria para mascarar defeitos na produção. “Não mascara”, resume. A qualidade da cachaça continua aparecendo — para o bem e para o mal.

Talvez por isso seja tão interessante perceber como a cachaça mineira vem ocupando um lugar diferente nos últimos anos. Não só pela valorização cultural, mas pela profissionalização do próprio setor. A qualidade apresentada nos concursos hoje é tão alta que as notas de corte para medalhas se tornaram extremamente exigentes.

Ficou com vontade de experimentar boas cachaças aqui em Belo Horizonte? Nós listamos 10 bares para conhecer e provar diferentes rótulos pela cidade. O link para conferir tudo está aqui. É só clicar.

Dayanne Melgaço

Publicitária e gestora de marketing gastronômico, atende bares e empresas do segmento. Apaixonada por empreendedorismo, conexões, uma boa conversa na mesa de bar e comida afetiva
Instagram

Dayanne Melgaço

Email: [email protected]

Publicitária e gestora de marketing gastronômico, atende bares e empresas do segmento. Apaixonada por empreendedorismo, conexões, uma boa conversa na mesa de bar e comida afetiva
Instagram

Mais lidas do dia

Leia mais