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Colunas

‘A luta que virou farda: 500 novos guardas em BH’; por Wagner Ferreira

12/08/2025 às 12h30
guarda civil bh assassinado santa luzia
Imagem ilustrativa (Henrique Coelho/BHAZ)

Excedente, por definição geral, é aquilo que está em excesso em relação ao necessário. Em Belo Horizonte, o termo “excedente” virou sinônimo de luta incansável, justiça, e, finalmente, vitória. Nossa cidade ganhou, na última sexta-feira (8), 500 guardas civis municipais determinados a fazerem dessa instituição referência em segurança pública no país inteiro. Os 500 nomes nessa lista aguardam por esse chamado há seis anos, e em 2023 pude conhecê-los de perto.

Essa história começa em 2019, com mais de 80 mil sonhadores, que se dedicaram em prol de um objetivo: a aprovação no concurso público para a Guarda Civil Municipal, realizado em 2019. Entre elas, está o Fabrício Santiago Pereira, 40 anos, atual presidente da Comissão de Excedentes.

Fabrício, criado no bairro Goiânia, na região Nordeste de BH, é filho de pai militar e cresceu visitando quartéis, daí nasceu a vontade de um dia integrar os quadros da segurança pública. Aos 17 anos, começou a trabalhar em um depósito de materiais de construção, virou gerente, trabalhou até ter o próprio negócio: um comércio de variedades em Justinópolis, em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de BH. Enquanto isso, se tornou pai da Isadora, hoje com 13 anos.

Diante das dificuldades financeiras, o sonho que parecia adormecido foi reacendido ao saber da prova, tão esperada por tanto tempo. Aos 34 anos, há mais de 17 sem estudar, ele foi firme rumo ao objetivo. Se esforçou, passou da primeira fase, fez todos os testes e exames. No dia do Teste de Aptidão Física (TAF), Fabrício estava com o ombro deslocado, e mesmo com a dor e o medo da eliminação, disparou sua pontuação e conseguiu subir mais de mil colocações na lista. Ele foi aprovado, mas ficou como excedente na primeira convocação de cerca de 500 profissionais.

Fabrício Santiago Pereira ao lado do vereador Wagner Ferreira em reunião na PBH (Foto: Equipe Wagner Ferreira)

União que fez a força

Fabrício sabe que poderia ter feito outros concursos nesse tempo de espera, afinal, as contas continuavam chegando. Mas o sonho era a GCM-BH, assim como para grande parte dos nomes da lista que permanecem firmes até a nomeação. Por teimosia autodeclarada e muita obstinação, nasceu ali o grupo dos excedentes. Um espaço para que um apoiasse o outro, para que a chama não se apagasse. Durante a pandemia, os laços virtuais reforçaram ainda mais o desejo de lutar pela farda azul.

Quando os excedentes, já organizados como comissão, chegaram até o meu mandato, eles haviam conseguido impedir a revogação da prova durante a pandemia, mas o prazo para o concurso se encerraria naquele ano e eles precisavam de uma prorrogação para continuar sonhando. Sou funcionário público do Tribunal de Justiça de Minas Gerais desde os 22 anos e sindicalista há mais de 15 anos pelos direitos dos servidores mineiros, então logo me identifiquei com a luta de cada um e entrei nessa de cabeça.

Durante um evento de inauguração das obras de pavimentação no bairro Dandara, em abril de 2023, levei o grupo para conhecer o prefeito Fuad Noman. Seguimos com muita ansiedade e vontade de transformar vidas por inúmeras reuniões, audiências e conversas até conseguirmos o compromisso do prefeito de prorrogar o concurso por mais dois anos e convocar os excedentes. Aprovei, em 2024, R$ 45 milhões na Lei Orçamentária Anual para a formação e convocação do grupo. O prefeito Álvaro Damião (União) também nos recebeu e confirmou que a espera acabaria em agosto, mas ainda sem um número exato.

Corrida contra o tempo

O tempo era curto. A convocação precisava acontecer ainda neste ano, afinal, a data de vencimento do concurso é 31 de dezembro.

Na última sexta-feira, tivemos mais uma prova do poder do trabalho duro, persistência e compromisso com a cidade: 500 novos nomes que agora fazem parte da GCM. O anúncio desse número grandioso, que representa um aumento de 20% nos quadros da instituição, marca o choro de alegria de cada excedente, o fim de uma espera que parecia interminável e uma nova fase da segurança pública da nossa capital.

Continuaremos lutando até que cada um deles esteja nas ruas de BH protegendo nossos cidadãos, e eu ganhei até o título carinhoso de “padrinho”. E como padrinho orgulhoso, liguei para o Fabrício para dar a boa notícia o mais rápido possível. Após a chamada emocionante, o convidei para um almoço. Enquanto caprichei no prato, ele serviu apenas uma salada: “já estou me preparando para o curso de formação”, contou o futuro guarda civil municipal, que espera ansioso para carregar o brasão azul e amarelo no peito.

O que parecia impossível, nós fizemos. BH terá mais segurança!

Wagner Ferreira

Wagner Ferreira é vereador em Belo Horizonte desde 2023, atuando como 1º Secretário da Câmara Municipal, presidente da Comissão de Administração Pública e Segurança Pública e relator da Comissão Especial de Estudo de Águas Pluviais e Prevenção de Riscos. Além de sua atuação parlamentar, é diretor de Formação Política do Sindicato dos Servidores da Justiça de 2ª Instância do Estado de Minas Gerais (SINJUS-MG), membro titular do Conselho Municipal de Igualdade Racial e do Conselho Municipal de Habitação de BH.

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