Os animais têm conquistado cada vez mais corações e lares. Cachorros e gatos deixaram de ser apenas “bichinhos de companhia” ou vigias e passaram a ocupar um lugar especial nas famílias. Mas a convivência nem sempre é favorável a eles. Em Belo Horizonte, ainda é alarmante o número de cães e gatos abandonados nas ruas, expostos à fome, doenças e atropelamentos. Casos de maus-tratos, infelizmente, também se repetem com frequência, revelando um desafio que ultrapassa o âmbito individual e exige respostas coletivas e institucionais.
Diante desse cenário, os animais vêm ganhando espaço crescente nas políticas públicas. A defesa de seus direitos passou a integrar debates, normas e serviços da cidade. Afinal, cabe às leis e aos investimentos públicos responder às necessidades da sociedade e promover bem-estar também para quem não tem voz.
Nessa perspectiva, Legislativo e Executivo precisaram se reinventar. Não era mais possível manter os animais na invisibilidade. A proteção, a saúde e a convivência com eles no meio urbano tornaram-se parte importante da agenda de decisões da capital mineira.
A mudança de paradigma já trouxe frutos concretos. Criamos leis que proíbem eventos com maus-tratos, obrigam o socorro a animais atropelados, instituem o selo Pet Friendly e aumentam as multas para casos de abandono. Também reduzimos o prazo para o fim do uso de carroças. Na Prefeitura, foram criados novas estruturas e serviços: uma gerência específica para defesa dos animais, o cadastro de protetores, parcerias inéditas e, mais recentemente, a Subsecretaria de Bem-Estar Animal, responsável por planejar e coordenar políticas públicas voltadas para a fauna urbana.
Entre tantos avanços, destaca-se a criação do Complexo Público Veterinário de Belo Horizonte. Antes dele, os tutores dependiam exclusivamente de clínicas particulares ou da boa vontade de ação de protetores independentes e ONGs, todos sobrecarregados financeiramente. O resultado era muito sofrimento e mais abandono.
A inauguração do Complexo, em 2021, mudou esse cenário. Desde então, já ultrapassou a marca de 35 mil atendimentos. O espaço conta com ambulância, grupo de resgate e o primeiro Instituto Médico Veterinário Legal do país, destinado a exames de corpo de delito em casos de maus-tratos. Consultas, exames, atendimentos de urgência e cirurgias são oferecidos gratuitamente a tutores de baixa renda, um marco de inclusão social e cuidado.
Essa transformação também se reflete em espaços de convivência criados especialmente para o lazer dos pets e seus tutores. O ParCão é exemplo de como a cidade pode ser planejada para incluir os animais de forma saudável no cotidiano urbano, fortalecendo vínculos e incentivando a guarda responsável.
O que estamos vivendo é mais que um conjunto de iniciativas governamentais: é uma mudança cultural. Se antes os animais estavam à margem das discussões sobre a cidade, hoje estão inseridos em políticas de saúde pública, educação ambiental, combate à exploração e bem-estar coletivo. Os programas e investimentos não são respostas pontuais: são passos consistentes na construção de uma BH mais inclusiva e sensível à vida — seja ela humana ou animal.
E esse processo segue em construção. A Comissão de Meio Ambiente, Defesa dos Animais e Política Urbana da Câmara Municipal se reúne semanalmente para aprofundar o debate e propor novas soluções. As reuniões, transmitidas ao vivo pelo YouTube e abertas à participação popular, fortalecem a democracia e ampliam a voz de quem defende os animais, garantindo que essa transformação continue avançando com o apoio de toda a sociedade.
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