Um dos nomes mais marcantes da cena LGBTQIPAN+ de Belo Horizonte, a travesti Cintura Fina será homenageada pelo Teatro de rua da “Plataforma Beijo!”. Com entrada gratuita, a segunda temporada da “Festa com o Perigo” ocorre entre os dias 11 e 13 de junho no Campinho Popular da Vila Dias, localizado no bairro Santa Tereza, região Leste da capital. Já nos dias 14 e 15 junho a Praça Professor Corrêa Neto, no bairro Lagoinha, região Noroeste da cidade, será o palco da peça teatral.
De acordo com a organização do evento, o público será convidado a escutar a voz das calçadas, a sentir o grito do asfalto e a questionar “quem tem o direito de narrar?”. “Entre navalhas, pipocas e o axé de suas ancestrais, Cintura Fina se torna transviação, resistência e poesia encarnada. Ela dança para as deusas e para todas aquelas que a cidade tentou silenciar”, afirma a publicação nas redes sociais.
A peça de teatro tem direção geral de Amora Tito, com elenco composto por Bramma Bremmer, Cláudio Dias, Eli Nunes, Igui Leal, Nickary Aycker e Will Soares.
Veja os horários e locais de apresentação:
- Dias 11, 12 e 13/06: às 16h
Local: Campinho Popular – Vila Dias, rua Gabro, Santa Tereza, BH
- Dia 14/06: às 11h e 16h; Dia 15/06: às 16h
Local: Praça Professor Corrêa Neto – Conjunto Habitacional IAPI, Lagoinha, BH
Quem foi Cintura Fina
Nascida em Fortaleza, Cintura Fina viveu uma vida de resistência e luta em Belo Horizonte, ficando famosa pela habilidade com as navalhas que usava para se defender ao ocupar os espaços públicos da cidade.
Ela chegou à capital mineira em 1953 e trabalhou como cozinheira, faxineira, lavadeira, gerente de pensão, profissional do sexo, alfaiate, cabeleireira e gari. Enquanto isso, a imprensa mineira explorava sua imagem usando o gênero masculino e a apelidando de “rei da navalha”.
O livro “Enverga, mas não quebra: Cintura Fina em Belo Horizonte“, de Luiz Morando, detalha a história de Cintura em BH. Na obra, o pesquisador mostra como a mídia da época retratava a travesti e tenta desvendar sua trajetória na cidade por meio de registros policiais, notas em jornais e depoimentos de moradores.
Em 1998, Cintura Fina ficou conhecida nacionalmente através da minissérie Hilda Furacão, da TV Globo. Em 2021, a travesti recebeu o título de cidadã honorária da capital mineira em condição post mortem.










