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VÍDEO: Exposição celebra 50 anos da Fiat com carro do Papa, Palio do penta e Fiat 147 em BH

07/07/2026 às 08h06
Exposição celebra 50 anos da Fiat com carro do Papa, Palio do penta e Fiat 147 em BH
Exposição está em cartaz na Casa Fiat de Cultura, em BH, a partir desta terça-feira (7). (Léo Lara/Divulgação)

O Palio Weekend, que celebrou o pentacampeonato da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2002, o Fiat Idea, utilizado pelo Papa Francisco durante sua visita ao Brasil em 2013, e até o Fiat 147, primeiro carro movido a álcool no mundo… Estes e outros veículos que marcaram a história do país estarão reunidos na exposição ‘Celebrar as ruas: 50 anos de Fiat e brasilidade’, em cartaz na Casa Fiat de Cultura, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, a partir desta terça-feira (7). Gratuita, a mostra celebra os 50 anos da montadora italiana no Brasil e os 20 anos do centro cultural.

A exposição, com curadoria de Yuri Quevedo, Peter Fassbender e Marcos Rozen, além da assinatura de moda de Mercedes Tristão, ocupa todos os espaços da instituição e reúne mais de 250 peças, entre obras de arte, fotografias históricas, looks de moda, automóveis, vídeos e instalações imersivas.

Em entrevista ao BHAZ, Yuri explicou que o intuito da mostra é celebrar a rua como o principal espaço de expressão do Brasil e traçar uma relação entre arte e indústria, sobretudo a automobilística. “Ela é transformadora do território brasileiro. Desde Brasília, organizada a partir de uma malha de trânsito e de um modal de transporte, que é o carro, até os dias de hoje, quando o automóvel é visto como um espaço de sociabilidade, de contemplação da paisagem e até como uma metáfora para a escolha de caminhos”, disse.

Ainda segundo o curador, parte do acervo é exibida pela primeira vez ou foi pouco vista pelo público. Entre os destaques estão obras de importantes nomes da arte brasileira, como Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti e Djanira da Motta e Silva, entre outros. “São trabalhos que têm uma ligação muito forte com a rua enquanto espaço de convivência e com a indústria como inspiração. Às vezes, vemos a pintura como um objeto dotado de certa aura ou como um tesouro e esquecemos que ela também é uma experiência coletiva, assim como o carro e a rua. Então, aproximar essas duas coisas é muito importante para a experiência popular e cotidiana”, afirmou.

Para o presidente da Casa Fiat de Cultura, Massimo Cavallo, a exposição inova ao abordar temas presentes no cotidiano das pessoas por meio de obras de arte de grande significado e de experiências sensoriais capazes de despertar emoções inesperadas. “Ao percorrer manifestações culturais das últimas cinco décadas, celebramos não apenas a trajetória da marca, mas, principalmente, a riqueza da cultura brasileira e sua capacidade de conectar pessoas, tempos e territórios”, enfatizou.

Veja o vídeo:

Carros icônicos e registros históricos.

Entre os destaques da mostra estão veículos icônicos que marcaram a história da indústria automobilística e conquistaram não apenas o imaginário brasileiro, mas também o mundial. Pela primeira vez, os jardins da Casa Fiat de Cultura passam a integrar a exposição, reunindo modelos emblemáticos como o Fiat 147, primeiro automóvel movido a álcool (atual etanol) produzido em série no mundo, e o Fiat Palio, primeiro veículo da montadora desenvolvido e fabricado no Brasil.

O acervo também inclui o Palio Weekend do pentacampeonato mundial da Seleção Brasileira em 2002, com os autógrafos dos jogadores campeões, o Fiat Idea utilizado pelo Papa Francisco durante sua visita ao Brasil, em 2013, e o Fiat Uno que Ayrton Senna presenteou Adriane Galisteu, então sua namorada, em 1993.

Conforme Marcos Rozen, o carro do pentacampeonato é fruto de uma ação idealizada por Cafu, então lateral-direito da seleção brasileira, em parceria com a Fiat. Em 2002, a montadora disponibilizou cinco veículos para arrecadar recursos destinados à Fundação Cafu, organização voltada ao atendimento de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. O exemplar exposto na mostra pertence à empresária Valentina Caran e, segundo o curador, convencê-la a emprestá-lo para a exposição não foi uma tarefa fácil.

“Ela arrematou o carro e nunca abriu mão dele. Embora tenha sido difícil convencê-la a emprestar o veículo, ela compreendeu a importância da mostra e, no fim das contas, foi uma parceria muito bacana. O carro tem algumas marcas do tempo, afinal já são 24 anos, mas é praticamente uma cápsula do tempo. Rodou pouco mais de 3 mil quilômetros e permanece exatamente como estava no dia do leilão. É uma peça única”, explicou.

Também estão em destaque carros-conceito, como o Fiat Dolce Camper, exibido pela primeira vez ao público mineiro, e o Fiat Mio, desenvolvido de forma colaborativa em 2010 a partir de sugestões de mais de 17 mil pessoas, de 160 países. O veículo materializa ideias e transformações que ajudam a pensar a relação entre tecnologia e sustentabilidade.

Yuri contou que, ao conceber a curadoria, sabia que alguns objetos eram indispensáveis, pois materializam a história da Fiat e a tornam palpável para o público.”Os automóveis que estão aqui são históricos. E, pelo fato de esses objetos existirem, foi com isso que consegui trabalhar. O amassado que a multidão fez no carro do Papa, por exemplo, está ali. Não consigo controlar isso, e é algo bonito demais. Por isso, digo que a curadoria não nasce de um gesto demiúrgico, como se eu acordasse um dia e simplesmente decidisse o que fazer”, afirmou.

Brasil nas ruas

Além dos automóveis, a mostra reúne 112 obras de diferentes períodos e movimentos, traçando um amplo panorama da produção artística brasileira, dos anos 1930 até os dias atuais. Entre os destaques estão a pintura ‘Fábrica’ (1962), de Djanira, e obras de Tarsila do Amaral, Guignard e Volpi, que retratam paisagens, cidades e imaginários fundamentais para a formação cultural do país. Já artistas como Gerchman, Tozzi, Wanda Pimentel e Regina Silveira trazem para o centro da narrativa e modernização das cidades, os meios de comunicação, a arquitetura e a vida cotidiana.

A exposição também destaca manifestações culturais marcantes da identidade brasileira, como o Carnaval, o futebol e a religiosidade. O universo carnavalesco ganha diferentes interpretações em obras de Di Cavalcanti, Heitor dos Prazeres, Maria Auxiliadora, Agostinho Batista de Freitas e Bajado, que retratam a riqueza de suas cores, personagens e tradições.

Já o futebol é tema de trabalhos de Candido Portinari, Rubens Gerchman e Vicente do Rego Monteiro. A religiosidade, por sua vez, é representada em obras de José Antônio da Silva, Babalu, Iaponi Araújo e José Luiz Soares, evidenciando a diversidade de expressões de fé presentes na cultura brasileira.

Outro destaque da exposição são as fotografias de Marcel Gautherot e Thomas Farkas, que registram a construção de Brasília, na segunda metade da década de 1950, símbolo de um projeto nacional voltado para o futuro e das transformações que a nova capital provocou na paisagem e no imaginário brasileiros.

No mesmo eixo expositivo, embora separadas por quase duas décadas, estão imagens da chegada da Fiat a Minas Gerais, em 1976. A instalação da fábrica em Betim marcou um dos mais importantes projetos industriais do período, reforçando o diálogo da mostra entre a história do país, a industrialização e a produção cultural brasileira.

O objetivo é revelar como o crescimento industrial dialogou com as transformações sociais, culturais e urbanas vividas pelo Brasil nas últimas décadas. “Sinto que as pessoas que vierem aqui terão uma ligação afetiva com a mostra. Apostamos em uma experiência muito rica e complexa, mas que dialoga com a realidade do público. É a possibilidade de se reconhecer tanto nos pensamentos sofisticados da arte quanto na história da indústria”, afirmou Quevedo.

Moda e identidade cultural

Em outro eixo temático, a moda surge como um reflexo do tempo, tão reveladora quanto o design automotivo. O núcleo propõe um percurso pela criatividade brasileira, evidenciando a capacidade da moda de transformar referências culturais, tradições populares, saberes artesanais e vivências urbanas em expressão estética.

A seção também estabelece uma conexão com a trajetória da Fiat no Brasil. Nos anos 2000, a montadora aproximou-se da moda autoral brasileira ao apoiar estilistas, eventos e projetos que contribuíram para a consolidação e valorização do setor.

Ao todo, são exibidos 17 looks de importantes criadores nacionais, como no Villaventura, André Lima, Graça Ottoni, Terezinha Santos, Ronaldo Fraga, Juan Nakao, João Pimenta, Cavalera, Lenny Niemeyer, Osklen, Patricia Vieira, Apartamento 03, PatBO, Flavia Aranha, Day Molina (Nalimo) e Marina Bitu.

Ana Magalhães/BHAZ

Entre os destaques desse núcleo está o vestido criado por Ronaldo Fraga para a coleção Primavera-Verão 2012/13, inspirada nas viagens etnográficas de Mário de Andrade ao Grão-Pará. A peça foi confeccionada com pequenas placas de MDF, transformadas em um elaborado trabalho têxtil. Outro destaque é o vestido da designer Flávia Aranha, tingido com pigmento extraído do pau-brasil, valorizando técnicas artesanais e o uso de matérias-primas naturais.

“A moda é uma expressão viva da cultura. Ela traduz comportamentos, registra transformações sociais e revela a maneira como nos relacionamos com o tempo, o território e a nossa própria identidade. Neste núcleo, cada criação ajuda a contar uma história sobre o Brasil e sobre as múltiplas formas de viver e ocupar o espaço público”, afirma Mercedes Tristão, responsável pela curadoria de moda da exposição.

Ao longo da programação, a exposição também contará com oficinas, visitas temáticas e encontros com os curadores. A primeira conversa será realizada nesta quarta-feira (8), às 19h30. Mais informações sobre a programação estão disponíveis no site da Casa Fiat de Cultura.

Então, anota aí!

Exposição ‘Celebrar as ruas: 50 anos de Fiat e brasilidade na Casa Fiat de Cultura’

Data: de 7 de julho a 11 de outubro
Local: Casa Fiat de Cultura | Praça da Liberdade, 10 – Funcionários
Horário: terça a sexta-feira, das 10h às 21h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h (exceto segundas-feiras)
Entrada gratuita
Mais informações em casafiatdecultura.com.br

Anota aí!

Classificação etária: Livre
Entrada: Gratuita

Ana Magalhães

Jornalista pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Foi estagiária do Jornal Estado de Minas e do programa Agenda da Rede Minas de Televisão. Repórter do BHAZ desde agosto de 2024.
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